História da DERB-Delegacia Especializada de Repressão ao Roubo a Banco

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          A DERRB com seus abnegados policiais, foi o símbolo operacional da Polícia Civil no final dos anos 90 até meados de 2000 extirpando do convívio da sociedade mineira toda a marginalidade violenta relacionada às quadrilhas e ladrões independentes que atuavam no seguimento de roubo a bancos. Seus bravos e destemidos policiais atuaram durante cerca de dez anos com ferocidade nos enfrentamentos aos criminosos e deram a resposta que sempre se espera de uma polícia competente.

 

 

          Muitas das quadrilhas eram de outros estados, o que não impedia, ou inibia que os policiais de Minas os perseguissem até consumar suas prisões e desarticular suas atividades delituosas. Podemos citar algumas das quadrilhas que atuavam em Minas e tiradas de circulação por policiais da DERRB: Gangue do Terno (recebeu este nome em razão de seus membros agirem sempre usando ternos para entrar nas agencias bancárias). Gangue Nova Bateria, Gangue do Aleijadinho. Esta última gangue ganhou o título em razão de o líder ter ficado paraplégico quando tomou tiros de policiais na tentativa de fuga após um roubo. Na época foi constatada a participação de policiais na cobertura aos roubos praticados por esta quadrilha. João Batista também participou de uma fuga extraordinária, ao conseguir evadir-se da carceragem de Venda Nova, pelo telhado, de cadeiras de rodas.

 

         
          Pelos dados estatísticos obtidos, os roubos a bancos tiveram índice elevado no final da década de 90, registrando em 1998 o número de 27 roubos a bancos na capital mineira e região metropolitana. CEF: 9 roubos. Bancos: Bradesco: 3. Bemge: 5. Real: 1. Itaú: 2. Brasil: 3. Crédito Real: 2. Bandeirantes: 1. Mercantil: 1.

         
          Outras quadrilhas como as de Faiolli, do Douglas, Nilson "Preto", Rosiléia e Xandão também foram desarticuladas e ao todo, mais de 150 criminosos foram encarcerados pela DERB, todos, de altíssima periculosidade. Aqui estão postados apenas parte do enorme acervo de ações policiais desenvolvidas pela Delegacia de Repressão ao Roubo a Banco, pela falta de documentos, reportagens, histórias e casos que certamente engrandeceriam este espaço e fariam justiça àquele excepcional grupo policial.


CONFRONTOS

          Durante sua existência, a DERRB participou efetivamente de vários confrontos e tiroteios com os criminosos perseguidos, que, comprovadamente, sempre foram bandidos que utilizaram da violência, crueldade e covardia para a consumação de seus crimes. As fotos acima registram o respeitado emblema da DERRB, uma viatura da delegacia atingida por disparos de fuzil, provocando o acidente eum bandido morto em confronto.

"2000. DUELO FATAL. Um tiroteio no final da tarde de ontem, entre policiais civis e um homem que tinha mandado de prisão, levou panico aos moradores do Bairro Cristina, em Santa Luzia. Na troca de tiros, quem levou a pior foi  Márcio Luiz Pereira... O acusado acertou várias vezes a viatura da Delegacia de Repressão ao Roubo a Banco-DERRB, mas acabou crivado de balas, junto a um  muro da Rua Cecília de Souza, 72. ... Segundo a polícia, Márcio era suspeito de integrar uma quadrilha de assaltantes de São Paulo que vinha muito à Belo Horizonte para atacar bancos." Jornal Diário da Tarde-  Repórter Roberto Nogueira.

"2003. QUADRILHA PARADA NO FUZIL. Com os marginais foram apreendidas duas pistolas e até granadas de dupla ação. Marcelo Tadeu Pereira, o DUPEL, foi atingido por uma rajada de metralhadora. O confronto com os integrantes da quadrilha estava previsto para ocorrer na semana passada, quando assaltariam uma agencia bancária no Bairro Cidade Nova. No entanto, os marginais não apareceram como previsto, frustrando a ação conjunta dos policiais da DERRB com a Superintendência Geral."

"1998. QUADRILHA DE SP PLANEJAVA INVADIR FURTOS. Este título de reportagem do Jornal Hoje em Dia, registrava a audácia dos assaltantes de banco, que, diante da prisão de seus líderes, encarcerados na Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, planejaram a invasão na delegacia no período noturno, quando, entendiam ser vulnerável e com menor potencial de resistência ao ataque e exito do resgate. A investida se viu frustrada em razão da prisão do restante dos membros da quadrilha, cujo atentado foi delatado por presos custodiados naquela carceragem."

 

O ENVOLVIMENTO DE POLICIAIS NAS QUADRILHAS.

          Uma grande dificuldade encontrada pela DERB em suas investigações foi a infiltração e participação de policiais civis e militares nas ações criminosas das quadrilhas de assaltos a bancos e carro fortes. O conhecimento tático, a cobertura e o repasse de informações por parte de policiais eram obstáculos a serem vencidos e gradativamente os criminosos e policiais bandidos foram sendo identificados e apresentados à justiça para serem responsabilizados. Abaixo síntese de algumas reportagens sobre esse envolvimento.

SARGENTO DO BP-CHOQUE ACUSADO DE LIDERAR QUADRILHA DE ASSALTANTES DE BANCOS

MILITARES DENUNCIADOS POR ASSALTOS A BANCOS.
1 de julho de 1999. Jornal Diário da Tarde- Repórter Dalila Abelha.

"O sargento PM Ronaldo José de Souza, lotado no Batalhão de Choque e um ex-cabo são acusados de integrarem a quadrilha que assaltou a agência do Unibanco, avenida do Contorno, Bairro Santa Efigênia. O militar e Márcio Rogério foram presos terça feira quando chegavam na residencia da ex companheira de Márcio, no Bairro Ribeiro de Abreu. Eles foram surpreendidos no local pelos policiais Denilson, Maurício, Elton, Falder, Resende e Fábio..." 

JUÍZA DECRETA PRISÃO DE CABO ACUSADO DE ROUBO- Junho de 2000. Jornal OTempo.

"A juíza do Fórum de Esmeraldas, Maria José Starlling, decretou, ontem, a prisão preventiva do cabo da Polícia Militar, Emerson Ribeiro, suspeito de participar do assalto à Cooperativa Rural, mês passado... Elton Antonio dos Santos, que confessou a participação no crime e apontou os cabos PMs da 2ª Cia Independente de Ribeirão das Neves, Emerson Ribeiro e Zilmar Alexandre Pinheiro como mentores da ação."

EX-PM CHEFIAVA A GANG. SEGUNDO A POLÍCIA, ASSALTANTE COMANDOU ATAQUE A BANCO DO BRASIL EM SETE LAGOAS.

"O ex-policial militar paulista Sílvio Carvalho Junqueira, conhecido como Roberto, Beto e Silvão, foi preso ontem acusado de chefiar uma quadrilha de assaltantes de bancos e responsável pelo roubo de mais de 80 milhões em várias agências em Ribeirão Preto-SP, Cuiabá-MT, Rio e cidades do interior de Minas. Ele está condenado a mais de 170 anos de cadeia e é o precursor do sequestro de gerentes de banco, para facilitar seu acesso aos cofres-fortes das agência."

CONFRONTO. SOLDADO ERA DO BANDO- Diário da Tarde-11 de outubro de 2001.

"Após o tiroteio com a quadrilha no Bairro Mantiqueira, polícia descobre que o militar Marco Antonio Figueiredo já assaltou três bancos. Na quadrilha tinha ainda, o Ex-PM Herbert Augusto."

          Em 2000, foi identificada a participação de policiais civis da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio na cobertura de uma das quadrilhas de assaltantes de bancos. Dentre os seis policiais envolvidos, um delegado também foi investigado e responsabilizado pelo envolvimento. Todos os policiais foram processados e condenados.

 

A VIOLÊNCIA DAS AÇÕES CRIMINOSAS

          A sequência de fotos abaixo, demonstra a violência e o brutal modus operandis das quadrilhas em relação aos roubos de Carro Forte. Usavam caminhões para interceptar os veículos de transporte de valores e em seguida iniciavam a fuzilaria contra os mesmos. Outros criminosos preferiam o uso de explosivos contra os Carro fortes. Muitos vigilantes foram assassinados ou sofreram graves sequelas pelas ações criminosas.

 

 

          Mais de uma centena de criminosos foram presos e cerca de 20 quadrilhas desarticuladas. Em sua maioria, os criminosos eram remanescentes do estado de São Paulo ou formavam suas gangues naquele estado e de lá partiam para a prática de seus roubos.

 

 

          Pode parecer incoerência as razões da extinção de unidade policial de tamanha competência, mas, assim como a DAS, Divisão Anti-Sequestro, a DERB perdeu o sentido na manutenção de sua excelente estrutura de pessoal, devido a falta de demanda a exigir sua existência a partir de meados da década de 2000, logo após o início da Operação Vandec. Era uma eficiente unidade especializada, com os melhores policiais do seguimento de repressão ao roubo a banco e que acabaram com sua atividade fim, devido a prisão da maioria das quadrilhas e seus membros. Com isso, outros criminosos preferiam a consumação de seus roubos em outros estados. Essa verdade não é encontrada em nenhum documento, dados estatísticos ou textos sociológicos e criminológicos dos experts em segurança pública. 



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