História do DOPS

Imprimir

               O Departamento de Ordem Política e Social, teve suas instalações inauguradas no final da década de 50, para modernizar a Polícia Civil. No mesmo período o Departamento de Investigações e posteriormente o DET também tiveram reformuladas suas estruturas com a construção de novos e modernos prédios.                                                                                         

 

"O PRÉDIO"


               "Com tais condições, vai a Polícia Civil de Minas modernizando-se e, especialmente, dinamizando-se, atingindo um índice de desenvolvimento identico aos dos organismos policiais dos grandes centros do mundo."O moderno prédio que se ergue na Avenida Afonso Pena representa uma das grandes realizações do Sr. Bias Fortes no seu extraordinário plano de desenvolver a Polícia Civil de Minas, dando ao importante organismo, as condições de que tanto necessita para o desempenho da alta missão que lhe foi confiada..."


                

              O prédio que abrigou o DOPS/DEOESP e  atualmente o Departamento Anti Drogas,  tem muita história que merece registro para a posteridade. As celas, que hoje são gerenciadas pela Subsecretaria de Administração Prisional, já foram palco de fugas espetaculares, ou misteriosas, como de Fernandinho Beira Mar. Seus porões e salas também já foram utilizados para torturas de presos políticos e subversivos nas décadas de 60 e 70. Em tempos idos, ali era o local de recebimento de presos policiais ou criminosos de notoriedade, como advogados, juízes e autoridades que possuíam o "privilégio" de serem encarcerados no DOPS/DEOESP. Sua carceragem registrou também, um assassinato que até hoje permanece sem apuração concreta, apesar de policiais terem sido indiciados e submetidos a júri. Estamos falando da morte do detetive Anselmo que estava preso em uma das celas do DOPS. Esse policial foi um dos delatores de duplo assassinato ocorrido em Montes Claros, no princípio dos anos 80, tendo como vítimas um traficante e a filha de um rico empresário, crimes foram atribuídos a quatro detetives que foram condenados pelo duplo homicídio. Anselmo foi assassinado por ingestão de veneno dissolvido em um chá.                

Acima: 1966. símbolo do DOPS.                                                      1968. Avenida Afonso Pena, com o DOPS do lado direito.                         1970. O prédio e o Morcego Negro em frente.


As fotos abaixo são do antigo auditório do DOPS, onde eram realizados planejamentos operacionais e reuniões para atividades de repressão à subversão. Filmes temáticos eram projetados neste espaço, cujo acesso era totalmente restrito.

 

                      Na década de 70 o DOPS recebia policiais das diversas unidades policiais que ficavam de prontidão à espera de algum movimento externo. Atividade de maior incidência era a repressão aos movimentos com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e caminhões pipa. Os oponentes eram os estudantes, professores e a violenta greve dos trabalhadores da construção civil, em 1979. O auditório acima foi palco de inúmeras reuniões, transmissões de filmes sobre suspeitos de subversão, surpreendidos em campanas e filmagens por membros do DOPS, SNI, DOI-CODI e outros agentes de repressão. Faziam parte da seleta plateia servidores dos diversos seguimentos de inteligência e informação.

 

          
          Apesar de tentarmos encontrar registros sobre as atividades policiais do DOPS, como departamento, pouca coisa foi encontrada apesar das pesquisas. O próprio acervo do Arquivo Público de Minas Gerais é limitado às prisões políticas durante o período do regime militar, o que não interessa ao nosso trabalho que busca exclusivamente a aspecto da atividade operacional de polícia, deixando de lado as questiúnculas políticas.

 

A real finalidade do DOPS como atividade de polícia sempre foi uma incógnita para os profissionais da área. Os policiais da época, de outras delegacias, não entendiam o porquê de serem convocados pelo DOPS para ações no centro da cidade contra professores e estudantes, principalmente. Não recebiam instruções ou orientações sobre as razões do serviço, apenas cassetetes bombas de gás e a ordem para o enfrentamento, para “quebrar o pau”. A reportagem acima, registra o lado operacional de polícia do DOPS, quando, na década de 60, até meados de 70, era responsável pela repressão ao tráfico de drogas com o grupo denominado "Brigada do Vício".

                                                     Delegado David Hazan, chefe do DOPS e cartão de identificação usado por detetives do órgão naquele período.

 

          As primeiras fotos abaixo registram ações policiais de atividades do DOPS contra as ações de subversão no estado. Operações em Ouro Preto, prisão de envolvidos na guerrilha do Caparaó e o confronto entre policiais civis e estudantes de direito na capital, quando Thacir Menezes recebeu uma pedrada no rosto.

Abaixo, flagrantes de diversas atividades e momentos dos policiais do DOPS.


     
      Seria injusto não destacar as atividades policiais e os competentes profissionais que fizeram nome com seus feitos durante o período crítico do regime militar. A operação Mutum é um exemplo de excelência em trabalho investigativo, com resultados que modificaram a rotina e a vida de uma cidade (Vide em Década de 70). As exibições de motos Harlley Davidson por policiais oriundos do extinto DET, como Michellani, Daniel e Saraiva na capital e interior do estado.
 Investigações contra o abigeato, como nas fotos abaixo, ganharam motivação de trabalho para grandes policiais como Samuel Matosinhos e Adão "Pezão”, ícones na apuração de furto de gados no interior do estado. Esses policiais só tinham um interesse, exercer suas atividades de polícia e o faziam de forma exemplar. Um fato interessante é que a Academia de Polícia, em nenhuma ocasião, ensinou aos seus policiais a montar cavalos, campear gado ou qualquer ação policial na zona rural. No entanto aqui é registrado o profissionalismo desses policiais, que sabiam que as circunstancias moldam e cunham o bom policial.  As imagens abaixo registram ainda o possante Dodge dos anos 70 e o temido Brucutu.   

 

 


          Outro trabalho policial desenvolvido pelo DOPS e que trouxe o reconhecimento, principalmente no contexto cívico eram as apresentações dos bem treinados cães, da raça pastor alemão, da Brigada do Vicio e sob os cuidados de Calixto, Luciano e “Borracha”. Aqui inserimos uma série de imagens dos policiais do DOPS e seus cães. 
         

 



MOTOCICLISMO                


                O motociclismo do DOPS foi um diferencial de destreza e profissionalismo. Era usado para diversas apresentações na capital e interior do estado e também como escolta de dignitários, principalmente para os Generais Presidentes do Regime Militar, quando de suas visitas à Minas Gerais. As três primeiras imagens registram os policiais Michelani, o "Capa de Costela" e Daniel "Tchen" fazendo exibição e este último, sendo homenageado em Uberaba.
            
                  1971- "O delegado Thacyr Menezes Sia, determinou imediatas diligencias para apuração dos fatos. Entre os homens da lei, lá estava o espetacular Dólar! Em pouco tempo, quase que imediatamente, Dólar farejou o "fumo"! E por incrível que pareça, impediu que os viciados saíssem do local da infração, tendo sido todos autuados em flagrante. E quem eram eles? Os não menos famosos componentes do Living Theater. "
Reportagem da Revista de Instruções Básicas. DOPS/SESP-MG.

                 Nas três últimas imagens Antonio Benedito de Souza e José Maria Drumond, policiais que também exerceram atividades policiais no canil do DOPS e o famoso "Morcego Negro".

 

               
          Abaixo, flagrantes dos policiais Ulisses Monteiro de Souza, que era o líder da equipe, Raimundo Soares, José Daniel da Silveira, José Leão Carmosil, Raimundo Meneses e Michelani, em apresentações em diversas cidades de Minas. Esses policiais, eram remanescentes do DET, onde eram fiscais e com a extinção da Guarda Civil, foram designados como detetives do DOPS.

 

         
          O DOPS começou a perder a sua notoriedade e destaque dentro da Polícia Civil a partir do final dos anos 70, com a abertura política do presidente João Batista Figueiredo e gradativamente foi modificando sua atuação até sua extinção no final de 80, quando foi criado o Departamento Estadual de Operações Especiais.
                                                                           

 

 

 

   

2011 História do DOPS. © 2012 - Cyberpolicia: História da Polícia Operacional Investigativa
Powered by Joomla 1.7 Templates, read web hosting reviews