1978. O Fim dos Irmãos Piriá

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ANOS 70. OS IRMÃOS PIRIÁ

 

A SAGA DOS IRMÃOS CANGACEIROS NA REGIÃO DE SETE LAGOAS

 

           No final dos anos 70, dois irmãos conhecidos por "Piriá", ganharam notoriedade pelos bárbaros crimes cometidos na região de Corinto, Sete Lagoas e Matozinhos. Como verdadeiros cangaceiros mineiros, esses dois bandidos aterrorizaram a zona rural daquela região com assaltos e mortes contra policiais e moradores até serem abatidos no confronto com a PM na localidade denominada Barra do Lavado, que passou a ser chamado de Gruta Piriás.

         Começaram desde novos no caminho do mal, sem mãe e filhos de um pai lavrador que vivia de fazenda em fazenda, deixando-os crescerem nas matas por onde passavam. Cresceram e viveram como bichos do mato e se tornaram celebridades para a imprensa tendenciosa, quando reincidentemente mataram vários policiais militares em confrontos diretos.

            A imprensa da época tratou os dois irmãos como se fossem a reencarnação de Robin Hood, o herói dos pobres e a cada “vitória” (assassinatos) frente à polícia, maior publicidade ganhavam. No entanto, a realidade era outra, eram indivíduos selvagens, covardes e cruéis, bandidos que roubavam dos pobres e pequenos fazendeiros para proveito próprio. Tiveram a mesma morte violenta, com que trataram suas vítimas durante suas vidas.

            Parte do relatório registrado abaixo, com relação à vida e desfecho mortal dos Irmãos Piriá, demonstra de forma cabal a sina violenta e os crimes perpetrados na curta saga de cangaceiros. Para a PM, desmoralizada à época pelos militares mortos em combate, era questão de honra pegá-los, preferencialmente, mortos em uma troca de tiros.

 Trechos do relatório do IPM que apurou as mortes dos dois irmãos.

Informa o Comandante da 3a Cia/3° BPM, sediada em Sete Lagoas, em seu Relatório de fls. 36 a 48, que, a partir de Out77, a Central de Operações de sua subunidade começou a ser acionada com freqüência por moradores da zona rural daquela cidade e municípios circunvizinhos, em decorrência da ação de dois assaltantes conhecidos por “Lourival e Gentil” ou “Zezinho e Gentil”, que, à proporção que avançavam pelos meandros da criminalidade, foram consagrados popularmente como irmãos “Piriás”.

Na sequência desses constantes acionamentos, a Rp 112, composta pela seguinte guarnição: 3° Sgt. PM Dimas Coelho Guimarães, Cb. PM Alonso Alves Rocha e Sd. PM Santos de Paula, deslocou-se para a localidade de Machados (Sete Lagoas), por volta das 13:30 horas de 21Abr78, em atendimento à solicitação de duas mulheres que apanhavam lenha num matagal e tinham sido surpreendidas pela dupla de marginais.

O que ocorreu no local está retratado em diversos documentos integrantes destes autos (Relatório de fls. 31 e 32, fls. 36 e 37, ocorrência de fls.217, Necropsia de fls. 231 e citações em inúmeros depoimentos). Em suma, enquanto o cabo Alonso, motorista, ficava na viatura policial, o sargento e o soldado dirigiram-se, guiados por uma das mulheres, até o local onde foram vistos os marginais. Em lá chegando, foram recebidos a tiros pelos bandidos que se protegiam sob uma “lapa”. O soldado Santos de Paula tombou varado por 52 grãos de chumbo e três projetis de revólver. Após morto, os “Piriás” fizeram-lhe uma limpeza, retirando o seu cinto de guarnição, munição e algemas e o revólver Taurus, calibre 38, n° 1128093, da carga do Estado.

Assim, tínhamos, na data em que comemorávamos o martírio de nosso patrono Tiradentes, o primeiro policial a tombar no cumprimento do dever, quando na sacrossanta missão de proteger a comunidade contra a malfazeja ação dos bandidos conhecidos por “Piriás”.

Passam-se os meses. A ocorrência de fls. 222 e 223 relata-nos que, no dia 05 Ago78, por volta das 16:00 horas, a Central de Operações é acionada por um telefonema de Maurício José de Abreu, residente nos Machados (Paredão), dando conta dos “Piriás” numa grota próxima.

Face aos antecedentes, reforçada caravana policial dirigiu-se ao local, encontrando os “Piriás” devidamente posicionados e a cavaleiros da situação. Dizem os relatos dos envolvidos na diligência policial que o sargento José Rosário da Silva deu-lhes voz de prisão e obteve como resposta projetis de arma de fogo que, atingindo-o, fizeram-no tombar mortalmente ferido (Necropsia de fls. 235). Morto o sargento, os irmãos continuaram a atirar, acertando o Soldado José Roberto da Silva, que veio a falecer (Necropsia de fls. 233), e Soldado Gastão Martins, que, embora gravemente lesionado, sobreviveu (ACD de fls. 236). Em que pese o Comandante da 3a Cia, que comandava a operação, afirma haver-se desdobrado para capturá-los, os marginais, deixando um caudal de sangue à esteira, evadiram-se ante os perplexos policiais do 3° BPM. d. Com a morte do Soldado Santos de Paula parece que as autoridades policiais daquela região despertaram para a alta periculosidade dos malfeitores que, de há muito, inquietavam e intranquilizavam a população rural. As buscas se intensificaram no início, mas, ao que tudo indica, foram esmaecendo de intensidade, até que surgisse o verdadeiro massacre de 05Ago78. A partir daí, estabeleceu-se um clima de pânico no meio rural, envolvendo emocionalmente a própria polícia, conforme destacaremos, mais à frente, ao descrever as operações. O certo, entretanto, é que os marginais se agigantaram em fama e ousadia.

 

TRAJETÓRIA CRIMINOSA. GÊNESE DE UMA DUPLA CRIMINOSA

Em Fev75, estiveram detidos na Delegacia de Polícia de Matozinhos. O Delegado Municipal, João Bosco Junqueira (fls.172 /174), manuseando a certidão de nascimento de ambos, lembra-se que eram registrados na localidade de Venda Nova com os nomes de Gentil Patrício da Costa e José Patrício da Costa. Quando interrogados pela primeira vez, em 22Dez75, numa repartição policial (fls. 179/180), além de se declararem analfabetos, assim foram qualificados:

- GENTIL PATRÍCIO MOREIRA, 21 anos, nascido a 09Out54, moreno, solteiro, lavrador, filho de João Patrício Moreira e Maria Vieira da Silva, brasileiro, natural de Riacho Fundo – MG, residente em Cordisburgo.

- JOSÉ PATRÍCIO MOREIRA, 19 anos, nascido a 06Mar56, moreno, solteiro, lavrador, filho de João Patrício Moreira e Maria Vieira da Silva, brasileiro, natural de Serra do Cipó - MG, residente em Cordisburgo.

 

SÍNTESE DE DEPOIMENTOS

Jurandir Rodrigues Barbosa – fls.141/142 conheceu-os há cerca de 15 anos; viu-os pequenos, exímios atiradores que matavam passarinhos em vôo;

Pedro Felício Terra – fls. 187/189 – sargento reformado da PMMG, quando na ativa, destacado em Matozinhos, conheceu os “Piriás”, que, ainda crianças, já eram temíveis por suas façanhas que punham em risco a vida de trabalhadores e provocavam reclamações à polícia;

José Afonso Teixeira – fls. 192/194 – lembra-se do “Piriás” na tenra infância, órfãos de mãe e vivendo em abandono enquanto o pai mourejava. Tinham como características marcantes: fabricar armas rústicas, exímios atiradores, dedicação à caça e atração para viver no mato; 

João Inácio de Lima – fls. 197/198- conheceu-os menores, apreendendo-os de ordem do Juiz de Direito, na qualidade de oficial de justiça de Matozinhos, para fins de internamento. Dá notícia das seguintes características dos “Piriás” crianças: dedicados à caça, fabricantes de armas rústicas, viviam como “bichos do mato”, alimentavam-se de macacos e aves, não conversavam e nem encaravam o interlocutor. Ficaram detidos uma semana, em completo jejum, não aceitando qualquer tipo de alimentação. O pai apoiara as providências judiciais da época, porém os “Piriás” não chegaram a ser internados;

João dos Anjos Martins - fls. 151 a 153 – teve-os, quando rapazes, trabalhando em sua fazenda por alguns dias. Contudo, focaliza-os como tipos estranhos: recusaram um barraco preferindo dormir no mato, portavam espingardas e revólveres, habilidosos para atirar em pássaros e agressivos;

O já mencionado Delegado João Bosco Junqueira – fls. 172 a 174 - os deteve em Fev75, por suspeita de homicídio. Comportaram-se nos poucos dias de prisão como selvagens.

Mário Lúcio do Amaral – fls. 181/183 – conheceu o pai e os filhos “Piriás”, quando estes crianças, mas que se assemelhavam a delinqüentes, inclusive fabricando armas rústicas;

Lúcio Aparecido Rocha – fls.184/186 – recorda-se dos “Piriás” na localidade de Cruzinha (Matozinhos) há 06 (seis) anos, quando a caçar com espingardas rústicas; em 1975, foi vítima de violência por parte deles. ...

Lúcio Antônio Chamon – fls. 136 a 140 – a partir de Fev75, sentiu o vigor do vocacionamento para o mal dos irmãos “Piriás”. Deu-lhes emprego por duas vezes. Trabalharam poucos dias, o suficiente para inquietar sua propriedade. Mataram cobras e jogaram na água dos trabalhadores, mexeram com a mulher de um agregado, andavam armados e faziam disparos. Despedidos, continuaram a rondar pelas matas, ameaçando o fazendeiro, dando-lhe prejuízos. Presos por ação policial, não se emendaram, continuando a fazer disparos, violar domicílios e praticar pequenos furtos.

O advogado Geraldo José Duarte de Paula – fls.162 a 166 – noticia a presença dos “Piriás” desde 1975, na fazenda de seu genitor, distrito de Silva Xavier, município de Sete Lagoas. Viviam ao relento, atirando em patos selvagens. O capataz Raimundo Santana tentou admoestá-los e foi repelido a tiros, com os marginais ameaçando retornar para acerto de contas. Nesse ínterim, a região de atuação da dupla – Araçaí, Carvalho de Almeida, Lagoa dos Patos e Lagoa Grande – foi palco de pequenos furtos de mantimentos, galinha, porcos e rádios. As vítimas eram sempre humildes lavradores e carvoeiros. Em fins de 1977, agiram contra a residência do empregado Vicente Reis, arrombando-a na ausência deste e subtraindo mantimento ensacado, espingarda, sanfona e rádio. A vítima, atemorizada pela fama dos meliantes, juntou sua família e retornou a Buenópolis, terra de origem. Os irmãos, então malfeitores caracterizados, continuaram a implantar terror, atirando contra as portas e janelas do lavrador Antônio Preto. A polícia de Sete Lagoas recebia sucessivas queixas, mas não lograva prendê-los.

Argemiro Souza Santana – fls. 190 e 191 – lavrador em Peri-Peri (Capim Branco), estando como vigia de uma propriedade, em princípios de 1978, deparou com os marginais no meio da mata; ao abordá-los, foi repelido a tiros, sofrendo diversas lesões provocadas por grãos de chumbo, que atingiram inclusive sua montaria. Quatro meses depois, deparou com os mesmos elementos, mas desta vez, estando precavido e armado, revidou os tiros. Os agressores ao fugirem diziam “nós vai matar ocê em sua casa”. O depoente descreve o medo implantado na zona rural, com diversos lavradores mudando-se para a cidade, sendo que alguns, após terem sido furtados; que verificou, ainda, que, quando dos primeiros tiros, os marginais usavam bicicletas furtadas na localidade de Barbosa, município de Capim Branco. Descreveu os marginais e os reconheceu pelas fotografias.

Agostinho de Santa Mônica Bernardes – fls. 195 e 196 – sendo motorista da fazenda Peri-Peri, soube das façanhas dos “Piriás”, inclusive dos tiros dados contra Argemiro e sua montaria.

Euclides Luiz de Souza – fls. 204 e 205 – em março de 1977, foi vítima da prepotência dos facínoras, que, passando por fiscais de uma fazenda, expulsaram-no de um local de pesca sob ameaça de arma de fogo.

Sebastião José de Souza – fls. 148 a 150 – residente em Brejão (Município de Sete Lagoas), na manhã de 18Abr78, saíra para levar um filho ao INPS, contudo, tendo esquecido os documentos, retornou do caminho, quando foi surpreendido com as portas de seu barraco arrombadas e os larápios em retirada, carregando utensílios, mantimentos, um rádio, uma espingarda e um relógio de bolso, marca Omega.

Saturnino Gomes Louzada, citado como Satuno depoimento – de fls. 148 a 150, teve seu barraco arrombado, tendo sido vítima do furto de uma radiola, 60 discos e uma espingarda.

Raimunda Goulart de Paula – fls. 250 a 252 – em exuberante depoimento dá notícia de furtos, homicídio e tentativa atribuídas aos “Piriás”, além de atestar a má índole dos mesmos, inclusive com tentativas de agressão contra o próprio pai. 

Agostinho Geraldo Rodrigues – fls. 244 – em meados de 1977, quando os “Piriás” agiam na região, achando-se, à noite, na casa de uma namorada, foi verificar o latido de cães, quando, deparando-se com dois vultos, recebeu uma descarga de chumbeira no ventre. Hospitalizado, foram-lhe extraídos 36 caroços de chumbo.

José Diniz Moura – fls. 34 – além de ter sido ferido pelos delinqüentes, foi roubado em armas e víveres, em Out77.

Domingos Félix da Costa – fls. 245 e 246 – por ter semelhança física com João de Paula Neto – fls. 247 a 249 – desafeto dos “Piriás”, foi atirado pelas costas, em 10Nov77, quando pescava na represa do Córrego do Mel, município de Araçaí.

João de Paula Neto – fls. 247 a 249 – fazendeiro da região de Cordisburgo, dá informes minuciosos sobre os “Piriás” que foram seus empregados, tendo que despedi-los face aos maus costumes revelados. Segundo o depoente, os marginais guardavam víveres, armas e roupas em diversos pontos da mata. Gabavam-se de que gostavam de atirar em soldados, porque quando baleavam um, os demais corriam. Os “Piriás” nunca dormiam juntos, guardavam uma certa distância, para maior possibilidade de fuga.

Menores ainda, conheceram o amargor das grades de uma prisão e tiveram o comportamento típico dos selvagens.

Em resumo, os “Piriás” foram crianças abandonadas, criadas ao léu, “sem eira nem beira”, segundo o dito popular. Não viveram no sentido humano do termo, ao contrário, cresceram marginais à sociedade. Os delinquentes que afloraram em matizes vivos, a partir de 1975, foram produto do próprio meio em que nasceram e vicejaram. Permanecendo sempre fora do “quadro social” só lhes restava o ingresso no “quadro da ilegalidade”, quando então a polícia foi convocada.

Agora, os incautos, os desavisados, os de má-fé, ou os que alimentam objetivos excusos, mormente certa imprensa marginal, querem fazer crer ou insinuar maldosamente que a polícia fabricou os “Piriás”. E a posição do comodismo ou da irresponsabilidade ante as mazelas sociais que nos cercam e que se constituem nas raízes primeiras da criminalidade.

Verifica-se pela sucinta descrição, estribada em provas dos autos, que, anteriormente a 21Abr, quando mataram o Soldado Santos de Paula, os “Piriás” já estavam consagrados como delinqüentes de alta periculosidade. Aureolava-os uma fama tenebrosa. O comportamento de retirar arma e apetrechos do policial morto demonstra muito mais que ousadia. Ao que parece, a partir desse episódio, quando espalharam que gostavam de atirar em soldado, porque os outros corriam, tornaram-se mais impetuosos e agressivos na senda do crime. Esses homens broncos, de personalidade deformada, certamente se julgaram invencíveis.

 

... informações extraídas do bojo dos autos:

Ana Alves Rodrigues - fls. 206 e 207 - residente na Fazenda Grega, foi, em meados de 1978, surpreendida pelos “Piriás” que mataram um porco em seu chiqueiro, furtando-o. Atemorizada, fugiu para casa de uma filha.

Nadir José dos Santos - fls. 208 e 209 - foi atacada a tiros pelos “Piriás”, que lhe roubaram um porco.

Maria das Dores Rodrigues dos Santos - fls. 210 - esposa de Nadir, teve com seqüela da ação violenta dos marginais, um sério traumatismo que a levou a aborto e impedimento de procriar.

Após os assassinatos de 05Ago78, conforme se vê pela descrição contida em fls. 44, os “Piriás” praticaram seguidos furtos na região de Cordisburgo e Santana do Pirapama, culminando por atingir traiçoeiramente o soldado Geraldino Dias dos Anjos, que lhes estava no encalço, com uma espingarda chumbeira, na manhã de 19Ago78, que até hoje não se recuperou das lesões.

Geraldo Eustáquio Gonçalves da Costa – fls. 134 e 135 – foi mais uma vítima da ferocidade dos marginais. Em junho de 1978, juntamente com o seu cunhado, esposa e filhos, ficou sob a mira de revólveres e espingardas dos “Piriás”. Tentou resistir com o cunhado, mas um dos “Piriás” arrombou a porta, tomou-lhes as armas, colocando-os em fuga. Após, retornou com a polícia, encontrou um rádio de sua propriedade quebrado e jogado no caminho de evasão dos larápios. Adentrando em sua residência, constatou a falta de mais uma radiola, 17 discos, uma bicicleta Caloi, CR$ 100,00 e todos os seus documentos.

Jurandir Rodrigues Barbosa - fls. 141 e 142 - já citado em parte deste relatório no parágrafo 2.a.2) a), foi vítima, juntamente com seu filho, de tentativa de homicídio em Mai78.

Bernardino Pires - fls. 143 e 144 - proprietário às margens do Córrego da Fazenda Nova, teve a sua propriedade, a partir de Mai78, como palco de diversos ilícitos cometidos pelo “Piriás”, contra si e os seus empregados. Numa primeira investida, os “Piriás” furtaram uma bicicleta Caloi do empregado Geraldo e um rolo de cordas do depoente; retornando, passado pouco tempo, subtraíram os víveres que dariam para alimentar nove homens durante vinte dias; em Jun78, praticaram uma série de violências contra seu empregado Geraldo Eustáquio, acima descritas. Com a dura e intensa inquietação dos “Piriás”, seus 11 empregados abandonaram as casas e o serviço.

Maria José da Silva - fls. 145 e 146 - lavradora na Fazenda Santo Antônio, município de Sete Lagoas, foi outra infeliz vítima. Em dias de Jul78, quando acompanhada de Maria Expedita (fls.147), deparou com os “Piriás” saindo do mato, tendo sido ameaçada de morte. Sua companheira correu espavorida. Tentou dialogar, mas quando notou o ânimo assassino dos “Piriás”, tratou de correr e foi atingida nas nádegas com 35 caroços de chumbo. A testemunha conhecia os “Piriás” de há muito tempo e fora vítima de furto. O móvel do crime, segundo os facínoras, teria sido uma denúncia à polícia.

Adeli Cardoso de Souza - fls. 167 e 168 - humilde lavrador da localidade de Quenta-Sol (Sete Lagoas), foi outra vítima. Numa noite de fins de maio ou início de junho/78, teve a sua residência assediada. Tentou defendê-la com o seu filho que acabou atingindo por caroços de chumbo.

Paulo Roberto Bernardes – fls. 265 a 268 - em depoimento esclarecedor, mostra a extensão da intranquilidade e terror que os “Piriás” implantaram na região de Corinto.

Na fazenda de Otaviano Pereira Pinto - fls. 112 a 114 - houve um contacto dos “Piriás” com policiais do 3º BPM no dia 21Nov78, e estes, na fuga, deixaram diversos objetos no mato, inclusive o revólver da Polícia Militar subtraído junto ao cadáver do Soldado Santos de Paula, a 21Abr78.

Júlio Jesus dos Santos - fls. 108 e 109 - residente em Contria, distrito de Corinto, quando trabalhava em um sítio, em princípio de Dez78, foi assaltado por um dos “Piriás”, enquanto outro observava de longe.

O lavrador Anselmo Ferreira - fls.110/111 - ausentou-se de sua residência para auxiliar seu amigo Júlio no encaminhamento das providências policiais. Quando retornou, verificou que o seu barraco fora arrombado e diversos objetos surrupiados: um toca-disco, sacola com oito discos e diversos vestuários. Parte do material foi achado e restituído. Um dos “Piriás” morto, vestia uma das peças furtadas.

Vitoriano Barbosa da Silva - fls.100 e 101- que, há muito, vinha sabendo das proezas da dupla, foi vítima de furto qualificado na manhã de 22Dez78, quando os larápios lhe subtraíram roupas e utensílios.

Ernesto Leite de Carvalho - fls. 102 e 103 - que abriu o cemitério de Beltrão (município de Corinto) para inumação dos cadáveres dos “Piriás”, na manhã de 25Dez78, dá notícia do terror imposto pelos “Piriás” na região.

Domingos Vicente Ferreira – fls. 104 e 105 - residente em Corinto, quando de retorno à sua residência no dia 11Dez78, encontrou-a arrombada. Considerou a morte dos “Piriás” um alívio.

Serrano Martins Dayrell - fls. 106 e 107 - fazendeiro da região de Corinto, sentiu de perto o pânico dos lavradores com a presença dos “Piriás”.

Joaquim José Rodrigues - fls. 115 e 116 - foi outra vítima de furto, juntamente com outros colegas, quando os “Piriás”, no dia 19Dez78, arrombaram a casa da “Turma da Pratinha”, às margens da EFCB.

Joaquim Ferreira Moreira - fls. 254 e 255 - em Ago78, foi assaltado e “ensacado” pelos marginais.

O relatório de fls. 228 a 230 - aponta indícios veementes de bárbaro homicídio praticado pelos “Piriás” em 12Set78, quando cortaram a língua de um velho paralítico.

 

CARACTERÍSTICAS E “MODUS OPERANDI”

 

Acompanhado dos “Piriás” desde criança, é possível, a esta altura, fixar-lhes as principais características. O hábito adquirido, quando crianças, de embrenhar-se pelo mato como selvagens, sedimentou-se na idade adulta. Os depoimentos daqueles que os conheceram, dão-nos informações abundantes desta anomalia. Chegavam ao ponto de recusar moradias. Esse hábito fê-los verdadeiros mestres dos “cerrados”. Conheciam a fundo as matas, vales e lagoas. Sabiam aproveitar-se das “locas” ou “lapas”. Eram ariscos e espertos. O apelido “Piriá”, corruptela de “Preá”, certamente adveio dessa vivência estranha.

Eram inimigos do trabalho.

Se quando crianças alimentavam-se de caça, inverteram os hábitos em idade adulta, passaram a invadir humildes barracos para furtar porcos, galinhas e víveres. Nas investidas criminosas, ficavam na “moita”, ou seja, escondidos no mato próximo aos toscos barracos à espera de que os humildes carvoeiros ou lavradores saíssem para o trabalho que, normalmente, é familiar. Achando-se a residência vazia, rompiam a porta ou janela e faziam a limpeza.

Além de alimentos, tinham preferência por bicicleta, arma de fogo e munição, rádios a pilha, radiolas, discos e utensílios. Aliás, apurou-se que gostavam de música caipira. Entretanto, nota-se pelo estudo da sequência de crimes, que os “Piriás” não investiam apenas contra residências cujos moradores se achavam ausentes. Quando constatavam que as pessoas da casa eram velhos, mulheres ou crianças impotentes, invadiam-na de arma em punho, praticando roubo. Ao depararem com resistência, não tinham dúvidas, atiravam nos oponentes, mesmo em se tratando de indefesas criaturas.

Eram malvados. Atemorizavam pelo prazer de atemorizar. Foram vistos fazendo malvadeza até com as galinhas furtadas, quando simplesmente lhes quebravam os pescoços.

Ensacaram vítimas. Atiravam em vítimas inocentes sem qualquer motivo plausível. Quando não podiam vencer resistências, prometiam voltar e quase sempre o faziam.

Eram vingativos. Quando alguma vítima ou cidadão temeroso levasse o fato ao conhecimento da polícia, tornava-se alvo da vindita dos malsinados bandidos. Para tanto, bastava a desconfiança, como aconteceu a muitos, e os autos dão notícias abundantes.

Guardavam os produtos de furto em diversos pontos do cerrado, estabelecendo assim o que chamaríamos em linguagem militar de bases para suprimento logístico. Durante o descanso no cerrado nunca ficavam juntos, guardavam relativa distância, ficavam com a roupa do corpo até que ela se deteriorasse, quando então iam a uma “base” ou simplesmente praticavam um furto.

Até quase no final da carreira criminosa, andavam muito de bicicleta, que furtavam com freqüência. Porém, com a intensificação das buscas policiais, passaram a dormir e descansar nos cerrados durante o dia, para andar ao anoitecer.

A habilidade como atiradores tornou-se sempre mais apurada, como também aperfeiçoaram a técnica de recarregar cartuchos. A conjunção dos fatores expostos dava-lhes grande mobilidade, explicando-se também o fato de que sempre estavam bem supridos de armas e munição.

Outro aspecto importante a ser ressaltado é que os “Piriás” tinham preferência em investir contra humildes e paupérrimos lavradores e carvoeiros, furtando-lhes ou roubando-lhes os escassos bens. Daí a ojeriza e o temor que causaram à população que sempre esteve ao lado da polícia. Raramente, investiam contra grandes proprietários. No entanto, estes levaram grandes prejuízos com o êxodo ocorrido em decorrência do clima de medo e terror criado com a ação dos “Piriás”. Houve casos de fazendas ficarem vazias.

E, diante do exposto, é até risível que uma minoria de certa imprensa inidônea, através de reportagens inverídicas e tortuosas, queira glorificar os “Piriás”, transformando-os falsamente nos “Robin Hood” do sertão. Isto não passa de procedimento de “maniqueu cego”, que, segundo certo escritor, enxerga o bem onde existe o mau, e vice-versa. Outrossim, há de se atentar também que fazer apologia do criminoso ou do fato criminoso constitui ilícito penal.

Mas, em verdade, os objetivos escusos dessa pseudo-imprensa são bem identificáveis. São os tolos ou inocentes úteis e não percebem.

DESENVOLVIMENTO DAS OPERAÇÕES DE CAPTURA:

A partir da mal sucedida operação de capturas dos “Piriás”, que resultou na estúpida morte do soldado Santos de Paula, as autoridades policiais de Sete Lagoas passaram a ter uma percepção mais clara de periculosidade dos irmãos.

Contudo, como apanhá-los? Como capturar dois indivíduos que tinham como “habitat” os cerrados e “locas”? Como apreender dois homens que viviam como “preás”? Que possuíam em elevados grau o instinto de conservação, a argúcia e inteligência inata ao ser humano?

Vê-se, pois, que, em princípio, tudo era desfavorável à polícia. 

Havia um cenário com dois atores. De um lado, os marginais, que conheciam todos os meandros do teatro e impunham o momento e a tática de combate. De outra parte, os agentes da lei que desconheciam os meandros do sítio das operações, recebiam o combate imposto e em posições desfavoráveis.

No entanto, ao lado dos atores, havia um público singular que era também coadjuvante do drama. Havia um povo sofrido e temeroso, que sentia na carne o desatino dos bandidos. E, em razão disso, a simpatia popular do proprietário, do lavrador, do carvoeiro, voltava-se em uníssono para os agentes da lei. Em nenhum momento faltaram o incentivo do povo, o apoio popular e informações fartas. Era a grande vantagem da polícia e que lhe ensejou jamais perder a pista dos marginais.

...

Com a morte dos policiais, armou-se grande aparato para a captura: elementos da 3ª Cia, Pelotão de Choque do 3º BPM, equipe do Serviço de Cães e grupo de cavalarianos. Vasculhou-se a região rural infrutiferamente. O Sr. Coronel PM Olímpio – Comandante do Policiamento do Interior à época – sentindo que, dado o “modus operandi” dos marginais e a natureza do teatro de operações, o emprego de grande efetivo de homens desconhecedores de realidades locais e prática de captura em zona rural, não levaria a nada, acabou com a “fachada” que vinha sendo intensamente explorada pela imprensa escrita, falada e televisada. Recolheram-se o Pelotão de Choque, os Cavalarianos e os Cães. No dia 08Ago78 apresentaram-se ao Cap PM Ivo, sete homens escolhidos do 6º e 14º BPM, já acostumados àquele tipo de missão e que se integraram à equipe da 3ª Cia/3º BPM. Em verdade, a nova equipe, diminuta, mas composta de homens experientes, fez um bom trabalho de levantamento e conseguiu situar-se simultaneamente com os “Piriás” na área de ação delituosa em Santana do Pirapama. Em 18Ago78, os “Piriás” ficaram cercados, e a equipe pediu e obteve um reforço de Sete Lagoas. Então, ocorreu o novo insucesso. Os bandidos rompem o cerco e atiram no soldado Geraldino Dias dos Anjos, da 3ª Cia/3º BPM, que, inadvertidamente, atravessara o matagal isoladamente. O Encarregado deste IPM esteve,acompanhando o Sr. Cel CPI, na área das operações. Aquela autoridade, notando que o trabalho da equipe de capturas do 6º e 14º BPM desenvolvia um esquema racional, mas que poderia ser prejudicado com a presença de policiais imaturos e em grande número, procurou restabelecer o equilíbrio psicológico, determinando que o serviço de captura prosseguisse com os homens do 6º e 14º BPM, mais três policiais militares escolhidos no BPRp e três do 3º BPM. A esta altura, já estava bem levantado o “modus operandi ” e o eixo de progressão dos delinquentes. A captura parecia iminente, inclusive dois dias depois (21Ago78), chegou a haver encontro e troca de tiros. Porém, algo foi detectado pessoalmente por este encarregado. No seio da captura reinava intrigas e má vontade. O pessoal do 3º BPM, que já tivera baixas, não via com “bons olhos” a presença de policiais militares de outras Unidades. A coordenação inexistia. A captura não dispunha ainda de Mandado de Prisão. 

 A partir de 22Ago78, o Ten Cel PM Vicente Rodrigues dos Santos – Comandante do 3º BPM – montou o seu PC em Sete Lagoas e assumiu o Comando da chamada “Operação Piriá”. Como medida preliminar, dispensou os homens do 6º e 14º BPM que estavam à disposição de captura.

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 Nesse período, houve registros de passagem dos “Piriás” em Araçaí, Curvelo, Paraopeba , Matozinhos, Capim Branco, mas, em nenhuma ocasião nosso pessoal os viu. Inclusive, utilizou-se, nas buscas do dia 14 d setembro, helicóptero alugado (da Líder Taxi Aéreo) pela Polícia Militar, mas, ainda dessa vez, nada se conseguiu.

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No final de setembro – dia 2 7 – chega ao nosso conhecimento notícia da presença dos irmãos “ Piriás ” nas proximidades de Curvelo ( lugar denominado Gustavo Silveira) e para lá se envia a única equipe em ação (06 homens) que lá permaneceram até os primeiros dias de novembro , quando se deslocam para o município de Corinto (ali, no lugar conhecido por Jaboticaba, registra-se a presença dos marginais focalizados). 

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  Às 17 horas do dia 21 d e n o v e m b r o, n a m e n c i o n a d a r egião de Jaboticaba (Corinto), o Cabo PM Nelson Pereira dos Santos e so ldado PM Antônio Adriano de Matos (ambos desta Cia e no trabalho de capturas) e ncontram-se com os “Piriás”, com quem trocam tiros. Há suspeita de que um dos marginais tenha sido ferido.

No dia seguinte, em busca que realizamos no matagal próximo, encontramos objetos abandonados pelos fugitivos: cobertores, calçados, e o revólver Taurus calibre 38, nº 1128093, nº 1128093, da PMMG, roubado quando assassinaram o Sd PM Santos de Paula, em 21 ABR 78. (Este revólver, ao ser recolhi do no local, apresentava-se com os emblemas da PMMG e da Taurus apagados em conseqüência da ação de lixa e foi enviado ao Sr Cmt do 3º BPM, com meu ofício nº 604/ 78). 

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Enquanto isso, os “Piriás” continuavam a agir desenvoltamente. Paralelamente, a imprensa da região e da Capital fazia imensa atoarda sobre o problema que se tornara um “prato predileto”, (Anexo I). Na verdade, é de se deduzir que os bandidos se superestimavam, desfazendo da eficiência policial, inclusive com ditos jocosos, como ficou evidenciado nos autos. Com a aproximação do pleito eleitoral, o Comandante do 3º BPM retornou à sua sede, e o efetivo empenhado foi-se diluindo até chegar a dois homens. Mas os “Piriás” continuavam a agir, e, nesse ínterim, até comentários maldosos começam a surgir como nos dão notícias os autos, obrigando a Cap PM José Ivo a ter de responder a uma pergunta altamente capciosa de jornalista (fls. 16 do anexo I).  4) 4ª Fase (Epílogo das Operações): O problema “Piriá” já ia ganhando dimensão indesejável. Os irmãos estavam virando lenda. Alguns diziam que eles tinham o “corpo fechado”. A população da região sentia maior grau de intranquilidade. O Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca de Sete Lagoas, em fundamentado despacho (fls. 27 31), decretou a prisão preventiva dos marginais, reconhecendo-lhes a alta periculosidade.  O Exmº Sr. Comandante Geral recebia apelos. E diante de tudo isso, a mais alta autoridade da Polícia Militar, resolveu avocar diretamente o controle das operações, fazendo expedir a Ordem de Serviço nº 582, de 12Dez78, que designava o Major PM Jurandyr Afonso Marino para o Comando das diligências visando a captura dos irmãos “Piriás” e determinava providências de apoio administrativo (fls. 06 e 07).

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Na noite de Natal o primeiro turno, de 16:00 às 01: 30 horas, ficou para a equipe do Cb PM Nelson e o segundo, para a equipe do Sgt PM Rômulo, de 01:30 às 09:00 horas. Efetuei a substituição dos turnos que durou até as 02:00 horas, pois parte do percurso era feito a pé para não despertar suspeitas”. (Sic)

... a equipe dos Sgt Rômulo (Ptr1), fez contacto com os marginais às 05:10horas do dia 25 Dez 78. Vejamos o relato do sargento, em fls. “... que por volta das 05:10 horas do dia 25  de dezembro p.p. o Cb Teotônio que se encontrava de vigia no horário mencionado , comunicou ao declarante que duas pessoas se aproximavam daquele posto, pela margem da linha férrea; que, conforme já havia sido combinado, cada um dos integrantes ocupou o ponto que lhe havia sido indicado, ou seja o Sd PM Pedro entre as casas localizadas nas proximidades; o Cb PM Teotônio à esquerda das casas, à beira do matagal, e o declarante ainda mais à esquerda, próximo de um bueiro e a uma distância aproximada de dez metros do Sd PM Pedro; que naquelas posições passaram a aguardar a aproximação dos indivíduos a fim de que o Sd Pedro, que conhecia os marginais, pudesse fazer a identificação e, com um sinal com seu chapéu indicaria se se tratava ou não dos “Piriás”; que desta forma, já a uma distância de 20 metros, o Sd Pedro fez o sinal convencional indicando tratar-se dos “Piriás”, momento em que o declarante, de sua posição, dirigiu-se aos “Piriás” advertindo-os de que se encontravam cercados e que deveriam se entregar; que mediante e esse alerta os indivíduos sacaram de suas armas, um com revólver e outro com cartucheira abriram fogo na direção do declarante , que ato contínuo os “Piriás” correram em direção ao cerrado , já demonstrando , por certa dificuldade de locomoção, haverem sido alvejados pelos disparos efetuados pelos policiais que participavam naquela oportunidade; que no cerrado, novamente foram cercados, quando foram advertidos do cerco, tendo sido adotado por eles (“Piriás” ) o mesmo procedimento anterior, ou seja, dispararam procurando atingir os policiais; que novo tiroteio foi travado até o momento em que foi observado que os delinqüentes não mais atiravam; que, com as cautelas devidas, avançaram em direção ao ponto onde se encontravam ocultados, quando verificou-se que já se encontravam mortos; que ao lado dos corpo s, além de uma cartucheira e um revólver calibre 32, havia duas facas cravadas no chão; que no local do primeiro ponto que foram abordados foi localizado também uma espingarda, víveres, munição e apetrechos destinados à sobrevivência; que durante o tiroteio, o declarante esclarece que, apesar de estar armado com uma metralhadora 9mm, fez uso também de um revólver Cal 3 8 ; que os dois outros componentes da patrulha estavam armados, com metralhadora 9mm e revólver 38, o Sd P M Pedro Pereira e com rifle calibre 12 e revólver 38, o Cb PM José Teotônio;

 

Era o encerramento de uma longa carreira criminosa dos “Piriás”. A captura achava-se munida de Mandado de Prisão expedido pela Justiça Pública da Comarca de Sete Lagoas, em 22Dez78, e o Sgt Rômulo lavrou o Auto de Resistência de fls. 24, esclarecendo que o dispositivo da patrulha visava pegá-los vivos, o que não foi possível face a resistência que opuseram.  O Oficial Cmt da equipe de captura, investido do poder de Polícia Judiciária, tomou as providências cabíveis e possíveis, naquele longínquo sertão e num dia de Natal: - fotografou os cadáveres – fls. 53 a 61; - elaborou um “croquis” que dá a idéia do dispositivo policial e da refrega entre esses e seus captores – fls. 64; - sepultou os cadáveres, com testemunhas, em cova rasa, no Cemitério de Beltrão (Corinto), para possibilidade de exumação e necropsia; - apreendeu as armas e objetos. Aspecto interessante e relevante sob o ponto de vista criminológico é a forma final como os “Piriás” morreram: não se entregaram, lutaram até o fim, e, no último suspiro, fizeram-no com ódio, cravando duas facas no chão onde caíram. Como explicar isto à luz da criminologia? c. Comentários: “ Só os tolos não se aproveitam da experiência alheia ” (Bismarck)

.... Pela televisão, assistimos a cenas ridículas de policiais fazendo cerco e progredindo nas matas. Seria montagem de cenas? Os jornais fotografavam policiais em posições inadequadas, como podemos ver a progressão de um deles no Anexo I, com a boca do cano fuzil voltada para si. O povo vivia num clima acentuado de terror, vendo a impotência policial. Os “Piriás” eram endeusados. A tropa era desgastada.

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Quartel em Belo Horizonte, 30 de janeiro de 1979.

 KLINGER SOBREIRA DE ALMEIDA – TEN CEL PM. ENCARREGADO DO IPM

 

      FONTES:

  • Os Irmãos Piriá: A gramática moral de uma lenda contemporânea. UFMG/BH/2008. Giulle Adriana Vieira da Mata.
  • Relatório IPM.
  • Reportagens.
  • Conhecimento próprio da história.

 

2011 1978. O Fim dos Irmãos Piriá. © 2012 - Cyberpolicia: História da Polícia Operacional Investigativa
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