1957. O Assassinato de Aziz Abras

Imprimir

  Azis Abras, ao lado da esposa Madrillene Cury Abras

 

         O milionário Aziz Abras tinha origem libanesa e fez sua vida em Belo Horizonte, onde adquiriu fortuna com o ramo comercial, sendo proprietário dos prédios onde funcionavam os hotéis Normandy, Majester dentre vários outros na capital mineira. Também exercia a atividade paralela de agiotagem. Frequentava as grandes festas do Automóvel Clube e da alta sociedade nos ano 30, 40 e 50. Era líder da comunidade sírio-libanesa e uma das maiores fortunas do estado de Minas.

          Possuía uma das mais belas mansões da capital, na Avenida Olegário Maciel, 1704, bairro Lourdes, ao lado do atual Shopping Diamond Mall, que foi foco de reportagem para a Revista Acrópole, de 1951, especializada em arquitetura e ambientes. Projeto do arquiteto Shakespeare Gomes engenheiro Waldemar Polisi. As fotos abaixo retratam a exuberância do Palacete e o requinte dos móveis da Dinucci- Decoração e Interiores, da Avenida Augusta-SP, onde o bom gosto prevalecia.

 

         A beleza da mansão seria ofuscada em 4 de novembro do ano de 1957 pelo bárbaro assassinato de seu proprietário, o milionário Azis Abras, que ganhou repercussão nacional e pressão do governo para imediata apuração do crime e identificação do homicida. O milionário foi assassinado no interior de sua residência, quando se encontrava dormindo, atingido por um golpe de barra de ferro na cabeça, tendo morte instantânea. Não teve tempo de se defender ou qualquer reação, mesmo tendo uma arma abaixo de sua cabeça, sob a cama.

           Por causa da pressão, policiais intensificaram as investigações e apontaram a empregada Perildes da Conceição Teixeira como sendo a autora do crime. A reconstituição foi feita no local da morte, nas dependências da mansão e as "circunstâncias" foram apontadas pela "criminosa", conforme fotos abaixo, tiradas pela polícia técnica. Investigadores de renome como Maçoni e Cotta participaram das diligências e são vistos nas fotos.

 

          Apesar de apontada no inquérito policial como autora do assassinato, Perildes da Conceição Teixeira não foi pronunciada e as investigações sofreram sérias críticas por parte do Ministério Público, imprensa e a sociedade que esperava pela condenação da assassina. E se passaram um ano, para que, com o prosseguimento das investigações, chegasse a verdadeira autoria do crime. Pela primeira vez, em Minas Gerais, uma investigação da Polícia Civil foi contestada por perito e o verdadeiro autor descoberto, inocentando Perildes.

 

             O advogado Joseph Basile Khoury, primo da viúva, também libanês, foi identificado e indiciado como autor do assassinato, sendo denunciado, somente em 1976, cerca de 20 anos depois do crime. Para não ser responsabilizado pelo homicídio, Joseph fugiu para o Líbano, logo após o assassinato. A perícia constatou no local do encontro do cadáver, a presença de um cassetete e uma cadeira, usados nas agressões fatais. O cassetete, com marcas de sangue, foi encontrado na casa do libanês. O motivo do crime seria passional, em razão do milionário não deixar que o assassino namorasse com sua filha. Em 1977 ocorreu a prescrição do crime sem o julgamento do criminoso. 

 

"O juiz criminal Leonardo Antônio Pimenta não aceitou as conclusões do inquérito policial que apontou a empregada doméstica Perildes da Conceição Teixeira como assassina do capitalista Aziz Abras e determinou ao perito Valter de Freitas novas investigações. Valter de Freitas(advogado e professor da Escola de Polícia Rafael Magalhães com especialização no Federal Bureau of investigations), depois de dois meses de trabalho, junto com técnico e a colaboração de professores da faculdade de medicina, concluiu cientificamente pela responsabilidade de Joseph Basile Khoury, como assassino de Azis Abras. Num relatório de 52 laudas e dezenas de exames periciais concluiu, o prof. Valter pela impossibilidade de a cadeira haver sido empregada como instrumento do crime; aponta um casse-tête como a arma de que se valeu o criminoso para cometer o delito e revela o nome de Joseph Basile Khoury como matador." Correio da Manhã. 6 de maio de 1958.

 

 

2011 1957. O Assassinato de Aziz Abras. © 2012 - Cyberpolicia: História da Polícia Operacional Investigativa
Powered by Joomla 1.7 Templates, read web hosting reviews