Bandidos

As duas fotos da primeira sequência registram execuções praticadas por criminosos. Uma em via urbana e a segunda em um dos morros cariocas, envolvendo acerto com o tráfico de drogas.

 

          Para se falar do policial operacional, “linha de Frente”, temos que registrar, infelizmente, aquele, que nas situações rotineiras ou de perigo, é o seu oponente: o “bandido”. Dentro da história pesquisada alguns ganharam renome e notoriedade na mídia pela violência de seus atos e, em sua maioria, sucumbiram da mesma forma como viveram. Durante nossas pesquisas observamos que alguns criminosos viveram e morreram na trilha do mal. Mas, equivocadamente, ou, insensatamente, ganharam da sociedade um patamar de glória, de herói, de mártir. O policial, ao contrário, raríssimas vezes tem a oportunidade de ganhar o mesmo reconhecimento por parte dessa mesma sociedade. É a eterna luta do bem contra o mal, ainda que em muitos casos, o mal se infiltra no bem e se torna um dos maiores perigos para o verdadeiro policial. Bandidos de Minas, outros estados, ou mesmo países são registrados neste documento, buscando aqueles que realmente se destacaram como “Bandidos”. Usamos como critério de seleção o perfil de criminosos que ganharam renome pela barbaridade ou peculiaridade de suas ações delituosas.

 

           Minas Gerais sempre se vangloriou e não ter bandidos notórios e de grande longevidade no crime. Aqueles que consumam seus crimes e se perpetuam em seu habitat, sem, aparentemente serem incomodados. Assim foi com os grandes traficantes, os assaltantes de bancos, sequestradores e quadrilhas do Novo Cangaço. As estatísticas demonstram de forma inequívoca, esta realidade. Aqui, bandido quando começa a se assanhar e mostrar suas garras, a polícia entra em ação e rapidamente está atrás das grades. Raras são as exceções. E quando falamos dos bandidos de Minas, temos que registrar a presença de muitos criminosos de fora do estado, que, por aqui se aventuraram, talvez por sugestão de algum bandido mineiro, e se deram mal. Nomes famosos como Fernandinho "Beira Mar", Lúcio Flávio Lírio Avellar, Body Glove, João de Goiânia e tantos outros, são exemplos de eficiência de nossa polícia contra os alienígenas.

 

          Outro fenômeno que também ocorreu com grande frequência em décadas passadas foi a migração de marginais que fugiram de Minas para não serem presos. Muitos tomaram os caminhos do Rio de Janeiro e São Paulo. Dentre eles podemos citar alguns que se destacaram como: "Maurinho Branco", Lício, "Carlinhos Alfaiate", "Carlinhos Cicatriz", Marco Antonio Chácara, Ian e muitos outros, que, apesar da fuga, foram alcançados, presos, ou mortos. Sabemos que existem e existiram uma infinidade de criminosos que ganharam notoriedade por sua saga delituosa, mas na impossibilidade de inseri-los em sua totalidade, buscaremos dar prioridade àqueles que ganharam as páginas principais dos jornais e mídia em geral, ao longo das décadas. E tenham a certeza que a seleção aqui postada, representa e muito bem o que há de pior e de destaque na criminalidade.

                                                  As fotos acima registram diversas ações de enfrentamento da polícia à criminalidade violenta com desfecho fatal.

 

BANDIDOS DE MINAS GERAIS

José de Arimatéia, o "Cintura Fina".                                                                                          Francisco Jorge da Cruz, o "Chicão".

 

 

José de Arimatéia, o "Cintura Fina"          

          Para ilustrar esta página vamos registrar um criminoso que se tornou folclórico no meio policial e acabou virando personagem de novela da Rede Globo, José de Arimatéia Carvalho da Silva, o "Cintura Fina". Dono de uma respeitável ficha policial, "Cintura Fina" nunca foi um grande criminoso, mas ganhou fama como homossexual assumido, mas acima de tudo, valente e brigador. Estava sempre envolvido em confusões no baixo meretrício da capital mineira nos anos 60 e parte da década de 70. Era conhecido pelo uso de sua navalha amarrada por um elástico à sua roupa e pelas lesões provocadas em muitos de seus desafetos. Os principais históricos de suas prisões, principalmente pela Delegacia de Furtos e Roubos, foram por receptação de mercadoria roubada, ou furtada. Os antigos policiais, ainda vivos, que trabalharam nas décadas de 50 e 60 diziam que "Cintura Fina" encarava qualquer um, inclusive as guarnições da PM e Guarda Civil, no entanto, respeitava os tiras do "KILO" quando chegavam para abordá-lo.
 

Francisco Jorge da Cruz, o "Chicão"         

         Assaltante que ganhou fama na década de 70 pela série de crimes praticados na capital. Consta na ficha da antiga Delegacia de furtos e Roubos, suas prisões que iniciaram em 1973, pelo detetive Aristides, posteriormente em 1974 por Gelson e 1975 por José Carlos, todos detetives do "KILO" por furtos de veículos e roubos. Na segunda metade dos anos 70, se torna mais ousado e parte para os roubos de pessoas e veículos. Tinha preferência pelos possantes Dodge Dart e Charger RT, quando desafiava a polícia com suas rurais e C14. Inaugurava em Minas uma nova modalidade de prisão, através da perseguição veicular, só vista antes, em assaltos a bancos praticados por “subversivos”. Para a polícia era questão de honra vencer mais aquele desafio, já que perdera o bandido em várias oportunidades por não conseguir acompanhar aqueles motores. A Metropol de Prata Neto, a Furtos e Roubos de Braúna e Marcos Péres e a Furto de Veículos, disputavam passo a passo quem conseguiria prender “Chicão”. Em 1976, foi preso de posse de um Dodge Dart e autuado em flagrante, quando confessou uma série de roubos. Foi um dos assaltantes com maior número de passagens pela Delegacia de Furtos e Roubos, conforme registra sua ficha policial, abaixo. Apesar de suas inúmeras prisões pelos diversos assaltos, Chicão só começou a receber suas condenações. após um incidente no Fórum. Fez história na crônica policial, ao ser levado algemado em uma audiência no antigo Fórum, da Rua Goiás, em Belo Horizonte, quando o juiz determinou de forma ríspida, que elas fossem retiradas, já que não permitia tal procedimento em sua sala. Os policiais, apesar de inseguros com a ordem, por conhecerem a periculosidade do bandido, cumpriram a ordem. Tão logo se aproximou do magistrado para sentar nas antigas e pesadas cadeiras de madeira e couro, “Chicão”, de maneira rápida, segurou-a firme com as duas mãos e desferiu um pesado golpe contra a cabeça do juiz, atingindo-o com gravidade. A partir daí seus processos andaram rápidos e no ano de 1979, quando fugiu da cadeia, “Chicão” já estava com 41 anos de condenação.   

 

Orlando Sabino, "O Monstro do Triângulo".

         

          No ano de 1977, iniciava em Minas Gerais, mais especificamente na zona rural do triângulo mineiro, uma série de assassinatos contra fazendeiros, caracterizando ação criminosa de um serial killer. Os primeiros corpos surgiram na cidade de Paracatu, onde  um casal de fazendeiros havia sido assassinados e estripados pelo assassino. Criações da fazenda foram mortas  a facão, tudo ocorrendo dentro curto prazo de tempo. O caminho seguido pelo criminoso foi deixando um rastro de sangue por onde passava. Alguns quilômetros à frente dessa primeira fazenda, novas vítimas foram encontradas em outra propriedade e as características identificavam o mesmo autor pelas condições de violência e semi esquartejamentos. Abaixo a foto histórica do momento da prisão de "Monstro do Triângulo" pela equipe de Homicídios e Captura do Departamento de Investigações com o apoio da Polícia Militar.

 

O jornalista Paulo Nogueira, assim narra sua versão dos crimes e criminoso:

 "A notícia espalhou com muito terror pela região, e o assassino continuou sua saga de matar e os fazendeiros estavam deixando suas fazendas. Nós acompanhávamos tudo, diuturnamente ... com mais de 60 policiais na operação. Os levantamentos policiais e as investigações davam conta de que, a pessoa que estava matando, era um homem de cor morena, bem franzino, barba rala, e muito sujo. Esta pessoa comia somente aves, principalmente frangos e passarinhos, sem passar pelo fogo, totalmente crus, e ainda colocava açúcar, como recheio. Mais de 28 pessoas já haviam sido assassinadas barbaramente, todas quase que dilaceradas, ao longo dos 800 quilômetros percorridos a pé, pelo assassino. e mais de 100 bezerros mortos, desde Paracatu, até a região de Capinópolis...  A crueldade do assassino continuava, e ele sempre furando o cerco policial. Em um final de semana, quando a operação completava 48 dias, o maníaco foi localizado e preso na região de Ipiaçú. Ele tomava água em um córrego, já bastante exausto. Trazido para Uberaba, permaneceu preso no quarto Batalhão onde foi interrogado durante dois dias. Chamava-se Orlando Sabino, de 30 anos, matava por vingança,segundo narrou... Quando tinha 6 anos de idade, foi com seu pai cobrar uma dívida, e foi recebido a bala pelo fazendeiro. Ele traumatizou com aquela cena, e guardou com ele. Após muitos anos, passou a matar fazendeiros, para vingar a morte do pai. Ele sofria de uma doença mental chamada esquizofrenia, que colaborou e muito com suas atitudes de vingança, segundo os médicos, na época. Orlando Sabino foi levado para a penitenciária da cidade de Barbacena, onde permaneceu em tratamento médico, morrendo 10 anos após. Estes fatos foram divulgados pelos principais jornais do país e do exterior na época. Foi uma das maiores coberturas jornalísticas que realizei em minha carreira profissional e me marcou muito, pela crueldade e sangue frio que o assassino executava suas vítimas, em sua maioria dormindo, sempre usando faca ou facão." 

       
Antonio do Espírito Santo Borges, o "Cabelinho de Fogo".                                         I
van Marques de Oliveira, o "Estuprador da Zona Sul"

     

         

 Remanescente do mesmo período de atuação de “Chicão”, “Cabelinho de Fogo” também fez a má fama em razão dos diversos roubos contra estabelecimentos comerciais na capital, na década de 70 e princípio de 80. A sua primeira prisão foi feita pelo detetive Josino com sua equipe, em 1974 na "Furtos e Roubos", na Rua Pouso Alegre, 417. Gostava também de “pegas” com a PM e Polícia Civil, quando usava sempre o “Corcel Cavalinho”, apelido ganho por causa de um emblema e de ser um veículo rápido, para a época. Foi preso algumas vezes pela Delegacia de Furto de Veículos e em 1981, novamente na Furtos e Roubos, desta feita pelo subinspetor Daniel “Tche” e sua equipe. Em 1983, já cumprindo condenações, “Cabelinho de Fogo” conseguiu autorização para almoçar com irmãs de caridade que lhe faziam visitas, na tentativa de sua reabilitação. O bandido agrediu as irmãs e fugiu. Pouco tempo depois, era novamente preso.            

           Elemento que demonstrou toda a sua irracionalidade e periculosidade no final dos anos 70 até meados dos anos 80 pela barbaridade de seus crimes. Iniciou-se na delinquência ainda menor, com o crime que causou grande comoção e repercussão em 1979 quando cometeu um latrocínio na Rua do Ouro, Bairro Serra contra Helena Prates Ribeiro, que, após ter seus pertences roubados, foi assassinada, em seguida estuprada. Passado cerca de cinco anos após o crime, Ivan foi esquecido e uma onda de assaltos seguidos de estupros na zona sul começou a ocorrer em 1984 e 1985, causando pânico às mulheres que residiam naquela região. Em novembro de 1985, o estuprador foi identificado e preso graças à tenacidade e o grande espírito policial de Carlos Augusto de Lima e Vicente "Cachorrada", detetives da Divisão de Tóxicos. Ivan Marques o “estuprador da zona sul”, confessou a série de assaltos e estupros na região nobre de BH, dando friamente os detalhes de seus crimes.           

             Foi condenado há um total de 309 anos de cadeia, sendo violentado sexualmente por diversos presos que dividiam cela com o mesmo na penitenciária. Apesar da lei do cárcere, Ivan não foi morto por ser estuprador, mas as notícias registram que virou “mulher” dos presos, satisfazendo-os sexualmente e efetuando os trabalhos rotineiros da prisão, dentre os quais faxina, lavar as roupas dos demais presos. Permaneceu preso durante 17 anos, fugindo em setembro de 2002, do hospital Eduardo de Menezes onde foi internado para tratamento de AIDS. Em 28 de junho de 2003 O “Estuprador da Zona Sul” foi novamente preso e encaminhado à delegacia de Furtos e Roubos envolvido com novos crimes, não tendo a mesma sorte de outrora. Ivan bateu um recorde sinistro naquela delegacia: em menos de duas horas de permanência na cela 7, com outros 33 presos, Ivan Marques, o "estuprador da zona sul" apareceu morto pendurado na grade. Seus companheiros de infortúnio alegaram que foi suicídio. As fotos acima registram a ficha policial de Ivan, quando de sua primeira entrada na Delegacia de Furtos e Roubos, com 17 anos e a segunda quando de sua última prisão e pouco antes de sua morte.
               

 


 Ramiro Matildes Siqueira, o "Ramiro da Cartucheira". 

Ficha policial do serial killer, quando esteve recolhido na carceragem do "Inferno da Floresta".

          Ramiro Matilde Siqueira era um homem comum, da pacata cidade de Jaboticatubas, em Minas Gerais, até se tornar uma fera e ganhar notoriedade nacional pelos seus crimes na década de 70. As armas utilizadas na prática de seus crimes eram sempre espingardas cartucheiras usadas para roubar dinheiro, armas e outros bens que encontrava. Assim como, na execução cruel de suas vítimas, em sua maioria, fazendeiros desprotegidos. Em razão disso, ganhou a alcunha de “O Bandido da Cartucheira”. Foram vários os latrocínios praticados por este indivíduo, causando verdadeira histeria e paranoia no meio rural, pelo temor dos moradores de se tornarem a próxima vítima. Mesmo na capital, algumas mortes foram atribuídas a ele, quando dos assassinatos do comerciante Ajax Lins de Vasconcelos, na Pampulha e posteriormente o vigia de obra, Geraldo Lopes, no Alto da Avenida Afonso Pena. A delegacia de Furtos e roubos conseguiu prender os assaltantes responsáveis pelos latrocínios em Belo Horizonte, descartando a tese alarmista de alguns órgãos de imprensa. Depois de várias mortes em Minas Gerais, começaram a surgir novas vítimas em Goiânia com as mesmas características do “Bandido da Cartucheira”, ou seja, tiros de cartucheira na região torácica, desferidos por um único criminoso. Famílias inteiras eram chacinadas. Pelo menos duas equipes de policiais civis de Belo Horizonte participaram da caçada ao perigoso assassino, dentre eles, “Tião Remelexo”, “Zé Maria Zebú, "Chic Chic" e outros que ainda não temos o registro. Depois de muitas investidas em cidades visitadas pelo criminoso, os policiais civis conseguiram prendê-lo em Corumbaíba, Goiás e transferido para a carceragem a Delegacia de Vigilância Geral. Em 1981 apareceu morto na cela, ao que tudo indica, por ataque cardíaco.                                                                

 

“Ramiro: o Bandido da Cartucheira na região”

          Ramiro Matilde Siqueira aterrorizou vítimas em vários Estados a partir da década de 70. Costumava usar uma espingarda cartucheira para matar as pessoas e ficou conhecido como o “Bandido da Cartucheira”. O criminoso fez dez vítimas na região de Franca em 1980, a maioria lavradores nas cidades mineiras de Passos e Sacramento. O Comércio da Franca, dirigido por Corrêa Neves na época, cobriu amplamente os casos. Uma das reportagens, em Sacramento, relatou quando Ramiro matou o lavrador José Silvério do Nascimento e a sobrinha dele Maria Martins, a golpes de machado. Antes ele havia estuprado e picado as partes íntimas da mulher. O jornal publicou fotos do local dos assassinatos, entrevistou familiares das vítimas e também Ramiro. O bandido foi preso, aos 33 anos, no dia 11 de setembro de 1980, em Corumbaíba (GO), depois de atirar em um recenseador do IBGE, num casebre na zona rural. O Comércio alugou um avião e enviou uma equipe de reportagem para entrevistá-lo. Ele confessou os crimes aos jornalistas. Ramiro foi encontrado morto em 1981 em sua própria cela. 

GCN. NET.BR

 

 Mauro Luiz Gonçalves de Oliveira, o "Maurinho Branco".  

            Mauro Luiz Domingos Gonçalves de Oliveira, o mineiro “Maurinho Branco”, criminoso que se diferenciava dos demais bandidos de sua época, por sua inteligência evoluída em relação ao criminoso comum. O bandido mineiro que em seu curto espaço de vida ganhou notoriedade nacional. E se tornou rapidamente uma liderança do mal, um inovador da criminalidade. Iniciou sua saga criminosa, ainda menor, ao lado de assaltantes de Belo Horizonte, onde teve participação em vários roubos e em um dos primeiros sequestros da capital mineira, de um secretário estadual de governo. Posteriormente participou, junto de bandidos do Rio de Janeiro, do assalto à Joalheria Iraws, também na capital de Minas (Ver Seção História/Biografia Parte III - Faria- Delegado de Furtos). 

 

            Um dos crimes que o tornou conhecido nacionalmente foi o sequestro do empresário Roberto Medina, quando extorquiram Quatro milhões de dólares da família, segundo informações da imprensa. O empresário nunca confirmou esse valor, também não desmentiu. Nazareno Tavares era um professor de Educação Física e se destacou como personal trainner de pessoas ilustres da política brasileira, dentre eles, o ex presidente João Batista Figueiredo e o ex governador Moreira Franco. E foi esse professor que levou a ideia do sequestro do empresário para “Maurinho Branco” arquitetar, com todos os detalhes, as circunstancias para operacionalizar o sequestro, que envolveu 18 criminosos. Dentre suas ações criminosas, uma foi o planejamento inicial em 1990, do resgate de parceiros do crime de uma penitenciária de segurança máxima, em Minas Gerais. O plano era utilizar parte do dinheiro do resgate proveniente do sequestro do empresário Roberto Medina, que lhes rendeu cerca de 2.500.000 dólares (Dois milhões e quinhentos mil dólares). Alugaria um helicóptero no Rio de Janeiro, que seria pintado com as cores da aeronave da Polícia Militar de MG e através de um rápido pouso no pátio da penitenciária, resgataria seus companheiros. Esta investida não obteve êxito porque algumas semanas depois do sequestro de Roberto Medina, “Maurinho Branco” foi metralhado no centro do Rio de Janeiro por policiais federais que estavam em seu encalço. Na realidade, a Polícia Federal entrou no caso, porque dentro do planejamento de crimes de “Maurinho Branco”, registrava filhos do ex presidente Fernando Collor de Mello, como as próximas vítimas em potencial. “Maurinho” era tão audacioso que inseria o filho do presidente em seu rol de sequestrados. Um informante repassara o plano para a Polícia Federal que agiu rapidamente.          

 

           

 REVISTA ÉPOCA - “Edição 190 07/01/2002 - Marceu Vieira, do Rio de Janeiro

 “Silenciei por medo”

Onze anos depois, Roberto Medina fala pela primeira vez do trauma de ser mantido como refém.

Foi uma razão singela, o medo de morrer, que levou o publicitário Roberto Medina a cumprir, por mais de 11 anos, um obsequioso silêncio sobre o episódio mais marcante de sua vida – o sequestro que sofreu em 6 de junho de 1990. Medina passou 16 dias num cativeiro fétido, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nos cinco primeiros, ficou sem comer. Chegou a trocar socos com os bandidos e foi torturado. Ao ser libertado, ouviu de Mauro Luís Gonçalves de Oliveira, o Maurinho Branco, um dos sequestradores: “Se falar, morre”. Maurinho foi fuzilado pela Polícia Federal duas semanas depois do fim do seqüestro, mas Medina guardou silêncio até a última semana de 2001, quando recebeu ÉPOCA para recordar seu calvário.

“Nunca falei essas coisas e pretendo nunca mais voltar a falar.” Entre os detalhes do sequestro que só agora o empresário esclarece, um chama a atenção pela coação que o bandido conseguiu exercer mesmo após o fim do cativeiro. Depois do pagamento do resgate – “Uma nota preta”, diz, sem confirmar os US$ 2,5 milhões anunciados na ocasião –, o publicitário deixou o cativeiro com um gavião preso numa gaiola. “A ordem de sair com o pássaro partiu de Maurinho Branco”, recorda. “Se eu me separasse do bicho, mataria meu filho.”

Medina preferiu não duvidar. Silenciou sobre a origem do pássaro, o que causou especulações. Levou-o para um sítio em Miguel Pereira, no Estado do Rio. O gavião morreu de velho, há dois anos. Sobreviveu à morte do próprio Maurinho e de outros 15 dos 18 bandidos que o seqüestraram (dois continuam presos). “O gavião era meu elo de vida.” 
Medina acompanhou o fim de cada um dos seqüestradores pelos jornais. Mentor do crime, o professor de educação física Nazareno Tavares, ex-instrutor do general João Figueiredo e do ex-governador Moreira Franco, foi assassinado em 1997, ao deixar o presídio em que cumpria pena em regime semi-aberto. Com extensa folha corrida na polícia, Maurinho Branco foi o único interlocutor do publicitário no cativeiro. Assim, tornou-se peça-chave nos dias mais tensos vividos por Medina. “Tive uma briga séria com os bandidos assim que cheguei”, lembra. “Eu me insurgi porque diziam que minha família poderia pagar US$ 2,5 milhões. Disse que conseguiriam no máximo US$ 300 mil. Eles me amarraram, pegaram um machado e ameaçaram me retalhar.” Quem o salvou da morte foi Maurinho. Medina ficou em estado de choque. “Até que ele se sentou a meu lado e falou que eu devia reagir, porque minha família estava se empenhando.” O traficante também o livrou de tortura: um bandido teimava em apontar uma arma para sua cabeça e simular uma roleta-russa. Maurinho expulsou o comparsa da casa. Nas conversas com Medina, Maurinho também revelou planos de viver nos Estados Unidos como bandido. Até um conselho pediu: em que Estado americano ele poderia realizar o sonho? “São coisas que procurei deletar da memória”, diz Medina. Seu relato, 11 anos e meio depois, mostra que essa é uma lembrança difícil de apagar.”

           A Revista época e o próprio empresário sequestrado enganam-se ao transmitir a falsa ideia de que “Maurinho Branco” era o mais controlado e menos violento do grupo. Sempre foi violentíssimo e de alta periculosidade. Na polícia existia a estratégia do “Anjo Bom” e do “Anjo Mau” durante os interrogatórios e tal procedimento é visto, até hoje, em filmes policiais. “Maurinho Branco” que já experimentara a situação durante suas prisões, levara este conhecimento para o desenrolar do sequestro. Era o “Anjo Bom” e tinha que ter esse comportamento para ganhar a confiança da vítima e facilitar as negociações, como aconteceu. "Maurinho Branco" estava adotando uma postura previamente planejada.

           Essa estratégia criminosa pode ser observada na declaração F.T, advogada e vítima de sequestro:

"As pessoas imaginam que o sequestrado vai apanhar, levar choques e passar fome. Só o fato de nada disso acontecer faz você achar que está sendo bem tratada. Um dos bandidos me ameaçava de morte, mas o outro fazia o papel do bom moço. Quando fui libertada, o bonzinho me entregou um anel e disse que era para eu sempre me lembrar dele. Nem sei mais onde está esse anel. Acho que prometi não tirá-lo mais do dedo. Se disse, tenho vergonha. Hoje, tantos anos depois, entendo que caí no conto do bom bandido. Na hora que voltei para casa, percebi o sofrimento de minha família, vi o que eles sentiram e os bens que meu pai teve de vender."

           A Revista Veja, em sua edição de 27 de junho de 1990 registra com detalhes todo o cinismo e arrogancia de "Maurinho Branco", bem como, o despreparo da polícia e políticos do Rio de Janeiro na década de 90, no trato de sequestro de pessoas influentes, como demonstra a reportagem.

 Operação Pânico

 O pagamento de 4 milhões de dólares encerra o seqüestro de Roberto Medina, um emblema da promiscuidade entre bandidos, políticos e policiais no Rio de Janeiro

 "Taí o homem, são e salvo", disse, sorrindo, Mauro Luís Gonçalves de Oliveira, um assassino, traficante e ladrão conhecido pelo nome de Maurinho Branco. Num cruzamento deserto da Zona Norte do Rio de Janeiro, Maurinho caminhava abraçado ao empresário Roberto Medina e na outra mão segurava uma gaiola com um gavião. O bandido estava tranqüilo. Sempre sorrindo, ele entregou o dono da agência de propaganda Artplan e o pássaro a dois advogados e dois jornalistas e, sem pressa, retornou ao Voyage onde dois comparsas o aguardavam. A polícia carioca considera Maurinho um sádico psicopata, capaz das violências mais sanguinárias, mas ele estava realmente calmo na noite de quinta-feira passada. Chegou a dizer aos advogados que não tinha nada a ver com o seqüestro de Mediria, que estavam libertando o empresário apenas para ajudar sua mãe. Ele mantinha o mesmo bom humor que demonstrou no ano passado, quando fez questão de apertar a mão dos guardas na porta do presídio onde cumpria pena. Maurinho, naquela ocasião, havia sido libertado mediante um alvará fraudado apresentado à direção do presídio por um outro bandido, que se fingia de oficial de Justiça. De volta às ruas, e ao crime, Maurinho teve seu momento de glória na semana passada ao libertar Medina, ao mesmo tempo em que servia de emblema para o tétrico pântano da criminalidade no Rio de Janeiro.

 Roberto Medina foi libertado. Estava grogue por ter passado quinze dias comendo sanduíche de queijo e tomando refrigerantes, jogado de calção num quarto escuro e às vezes dopado com tranqüilizantes. "Acho que passei duas semanas sem dormir", foi uma de suas primeiras frases aos advogados e repórteres que o receberam das mãos de Maurinho Branco. Mas o empresário, assim como sua família, estava feliz - feliz por estar vivo depois de quinze dias de suplício. Feliz também estava a polícia carioca, julgando que havia tido uma atuação decisiva para libertar o empresário. Pelos mesmos motivos, exultava o governador Wellington Moreira Franco, enquanto entoava pela enésima vez a cantilena de que o governo fluminense está dando um combate sem tréguas ao crime. Felizes estavam os intermediários - uma deputada, um traficante encarcerado num presídio de segurança máxima e dois advogados - nas negociações entre Maurinho e a polícia.

 Poça Infecta

 A felicidade se justifica nos extremos do seqüestro de Medina. De um lado, o empresário e sua família têm razões para comemorar a libertação - mesmo tendo passado por duas semanas de extrema tensão e pago 4 milhões de dólares de resgate, conforme conta Paulo Marinho, marido da atriz Maitê Proença e um dos encarregados de juntar o dinheiro para conseguir a soltura do publicitário. Na outra ponta, os seqüestradores devem estar alegres com a dinheirama que arrecadaram - mesmo estando com a cabeça a prêmio. Entre os seqüestradores e sua vítima, no entanto, medeia o pântano do crime no Rio de Janeiro. Nessa poça infecta, durante o seqüestro de Medina foi difícil distinguir bandidos de policiais, figurões da política de chefes de quadrilha, defensores de transgressores da lei. Eis alguns dos fatos sinistros ocorridos durante o seqüestro de Medina:

  • Para forçar a soltura do empresário, policiais seqüestraram a mãe do seqüestrador e torturaram o seu irmão numa delegacia. A polícia, encarregada de zelar pelo cumprimento das leis, adotou o comportamento de criminosos.

  • O governador Moreira Franco, sem amparo legal, deu ordem para libertar a mãe de Maurinho Branco, atendendo a uma exigência do bandido.

  • A deputada tucana Anna Maria Rattes encontrou-se com o traficante Francisco Viriato de Oliveira, o "Japonês", no presídio de Bangu 1, para pedir um abatimento no preço do resgate de Medina, fixado em 5 milhões de dólares.

  • Um dos seqüestradores, Nazareno Barbosa Tavares, foi treinador do ex-presidente João Figueiredo, cabo eleitoral de Anna Rattes e Moreira Franco, teve um cargo em comissão na Secretaria de Promoção Social quando ela era subdirigida pelo irmão do governador e, até ser preso há quinze dias, era funcionário do Tribunal de Contas do Rio.

 Nessa pasta de aparência suspeita, a polícia se destacou por dar um show de incompetência, tendo sido feita de boba pelos seqüestradores. Poucos dias depois de Medina ser raptado na frente do prédio da Artplan, na Zona Sul, a polícia conseguiu prender dois dos bandidos: José Cornélio Rodrigues, o "Preá", e Nazareno, o "Professor", e através deles identificou os nomes de outros integrantes do bando, inclusive Maurinho Branco. A partir daí, enrolou-se, não descobriu mais nada de relevante para chegar ao local onde Medina era guardado e, às tontas, partiu para a ilegalidade. Na noite de segunda-feira, cinco policiais prenderam a mãe, o irmão e um tio de Maurinho Branco, Aristeu de Oliveira, que logo foi solto.

 Esmeralda Domingos de Oliveira, 48 anos, gerente de uma pensão, foi presa no bairro da Glória. Sem exibir nenhum mandado de prisão ou acusação formal, levaram Esmeralda e seu filho, o protético Luís Henrique, para dar inúmeras voltas de carro pela cidade. A intenção dos investigadores era levá-los a prováveis lugares onde Maurinho Branco poderia estar escondendo Medina. Chegaram a visitar um sítio de propriedade da família do seqüestrador em Barra Mansa, a 120 quilômetros do Rio, sem qualquer resultado. Os policiais levaram Esmeralda e o filho para a Secretaria de Polícia Civil, onde passaram a noite. "Fui com os policiais para ajudar a provar que não sabia onde estava meu filho Maurinho", conta Esmeralda, que, nos quase três dias que ficou nas mãos da polícia, "cochilava nos carros ou nos bancos da secretaria", conforme afirma. Ela não tem queixas dos policiais que a pegaram: "Eles nem me bateram, então está tudo bem".

 Tortura

 "Dona Esmeralda me disse que seu filho Luís Henrique foi torturado numa sala do 3º andar da Secretaria de Polícia Civil", afirma o advogado Nélio Soares de Andrade, 35 anos, um dos intermediários na negociação entre a polícia e os seqüestradores e, ao lado do também advogado José Mandarino Guedes, testemunha da libertação de Medina. Ao saber da prisão de sua mãe, do irmão e do tio, Maurinho Branco telefonou para Nélio de Andrade em seu escritório à 1 hora da tarde de quarta-feira passada pedindo que intercedesse junto à polícia para conseguir a soltura de seus familiares. Isso porque Andrade é advogado do pai de Maurinho, Edson Gonçalves de Oliveira, 59 anos, condenado a quatro anos de prisão por porte de drogas e cumprindo pena em Niterói. Andrade garante que jamais viu Maurinho pessoalmente, mas que ficou gelado com a incumbência que o criminoso lhe passou, a de negociar com os delegados Elson Campelo e Luís Mariano, encarregados da investigação do seqüestro de Medina, uma troca: a liberdade de Medina pela de seus parentes.

 Andrade encontrou-se com os delegados Campelo e Mariano, contou o telefonema de Maurinho e lhes disse que a prisão de Esmeralda era totalmente ilegal. Durante a reunião, que durou mais de duas horas, Esmeralda foi chamada e contou que seu filho Luís Henrique havia sido espancado por policiais. Andrade telefonou para o seu escritório dando ordens para que, se Maurinho Branco lhe ligasse, ele deveria telefonar para a sala onde estavam. Minutos depois, Maurinho telefonou querendo falar com a mãe. "Pelo amor de Deus, solte o Medina", pediu Esmeralda ao filho. Depois, Maurinho falou com Nélio de Andrade: "Se fizerem alguma coisa com a minha mãe, vou picar o Medina em pedacinhos, ele está aqui na minha frente". O seqüestrador também quis falar com o delegado Campelo, para quem vociferou uma série de ameaças. "Pode ficar tranqüilo, eu conheço o Nélio" e "Isso é uma guerra", respondia o delegado a Maurinho.

 Terminada a conversa, Campelo e Mariano foram se encontrar com Heraldo Gomes, secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, para contar-lhe a nova exigência dos seqüestradores. Do lado de fora da sala, estavam os repórteres Jorge Luís Lopes, de O Globo, e Albeniza Garcia, de O Dia, que acabaram acompanhando Nélio de Andrade, envolveram-se na história e também testemunharam a entrega de Medina e do gavião na noite seguinte. Heraldo Gomes não tomou posição ante a troca proposta por Maurinho e levou a decisão de trocar a liberdade de Medina pela dos parentes de Maurinho Branco ao governador Moreira Franco, que assistia pela televisão ao jogo da seleção brasileira contra a Escócia. Segundo uma nota oficial do governo do Rio de Janeiro, preparada pela assessora de Moreira Franco, intitulada "A ação da polícia no seqüestro de Medina", aconteceu então o seguinte: "Moreira pediu alguns minutos para refletir e, exatamente no momento em que Müller fazia o gol do Brasil, autorizou a polícia a soltar a mãe de Maurinho Branco". É de perguntar: e se Müller chutasse na trave ou a Escócia marcasse um gol, que faria o intrépido Moreira Franco?

 Vadiagem

 Antes disso, no entanto, Luís Henrique, o irmão de Maurinho Branco, havia sido preso pela polícia, acusado de vadiagem por não ter registro da Previdência na carteira de trabalho. Luís Henrique foi preso legalmente, apesar da especiosa acusação de vadiagem e de ter sido torturado por policiais. Já o episódio da prisão de Esmeralda tem versões variadas. Para a mãe de Maurinho Branco, ela não foi presa, e sim colaborou com a polícia para provar que não sabia o paradeiro do filho procurado. Colaboração absolutamente anticonvencional, já que passou mais de dois dias cochilando em carros e constatou que seu outro filho, Luís Henrique, estava sendo socado por policiais. Para os delegados Campelo e Mariano, Esmeralda foi presa mesmo, tanto que foi expedido um mandado de prisão provisória contra ela. Já o juiz Manoel Alberto Ribeiro, encarregado de julgar o pedido de prisão provisória de Luís Henrique, considera que Esmeralda não foi presa. "Ela só foi convidada a prestar esclarecimentos", diz o juiz. O comunicado oficial de Moreira Franco, enfim, é taxativo: "A polícia pediu a prisão temporária de Esmeralda e Luís Henrique, e o governador autorizou a soltura da mãe do bandido".

 Mesmo nessa salada de versões oferecidas pelas autoridades fluminenses, é possível concluir algumas coisas sobre a prisão e a soltura de Esmeralda. Pela lei, a polícia pode manter uma pessoa a seu lado em averiguações pelo tempo que quiser - desde que a pessoa faça isso voluntariamente. Mesmo que a pessoa não diga com todas as letras que deseja sair da companhia dos policiais, ela pode ficar junto deles devido à chamada "coação psicológica", como aconteceu com Esmeralda. Nesse caso, em que os policiais atemorizaram a mãe de Maurinho, eles poderiam ser acusados de abuso de autoridade e manutenção em cárcere privado, e estariam sujeitos a penas de seis meses a dois anos de detenção.

 Abuso de autoridade também teria cometido Moreira Franco ao determinar a soltura de Esmeralda. "Nem o presidente da República pode mandar soltar presos sem ter uma decisão judicial", explica o advogado Clóvis Sahione, um dos mais respeitados criminalistas do Rio. "Mesmo uma prisão provisória, para que seja sustada ou alongada, depende de decisão judicial. Um governador não tem poder de indulto, e por isso Moreira manchou-se no crime de abuso de autoridade." Entre esses fogos, restam duas alternativas: ou Esmeralda foi detida criminosamente por policiais ou então foi presa legalmente e solta através de uma ilegalidade do governador. Nas duas alternativas, agiu-se à margem da lei: os encarregados de combater o crime equipararam-se aos criminosos. "Se me revolto com o seqüestro de Roberto Medina, não posso concordar com o que a polícia fez com a mãe de Maurinho, que não tinha nada com o caso", opina Juca Colagrossi, presidente do PRN fluminense, amigo do presidente Collor e do dono da Artplan e um dos interlocutores escolhidos pela família Medina para atender aos telefonemas dos seqüestradores.

 Sandice

 O famigerado documento oficial da assessoria de Moreira Franco, que merece entrar para os anais do cretinismo governamental, leva essa equiparação às raias da sandice. No documento, se relata a negociação entre policiais e bandidos de igual para igual, até o final majestoso em que, depois do gol de Müller, Moreira decide soltar Esmeralda, e "pontualmente às 19 horas, como tinha sido combinado, o seqüestrador libertou Roberto Medina, são e salvo". Só faltou que o governo fluminense elogiasse o "elevado espírito público dos seqüestradores". Em nenhum momento, a peça literária usa a desagradável palavra "resgate", levando a crer que o empresário foi libertado graças à extraordinária eficiência da polícia e ao tirocínio do governador. Ocorre que, para vexame geral, enquanto Maurinho Branco negociava a libertação de sua mãe com a polícia, outros membros da quadrilha extorquiam o resgate da família de Medina.

 No primeiro contato com a família Medina, os seqüestradores pediram 5 milhões de dólares para libertar o empresário. Segundo Paulo Marinho, sócio de Medina na Artplan e um dos encarregados de levantar o dinheiro, as tratativas com os bandidos acerca do valor do resgate foram prejudicadas pela reportagem de VEJA sobre o seqüestro, publicada na edição do dia 13 passado. Na reportagem se afirmava que, no dia seguinte ao rapto de Medina, sua família havia arrecadado 3 milhões de dólares. "Garanto que essa história de termos 3 milhões de dólares já na quinta-feira era falsa e foi dada de má-fé". Se houve má-fé, não foi de VEJA. Na sexta-feira dia 8, a repórter Marcia Carmo, da sucursal carioca da revista, estava na frente do condomínio da casa de Medina, na Barra da Tijuca, quando dela saiu uma pessoa de confiança da família do empresário e da Artplan. Na frente de testemunhas, essa pessoa disse à repórter de VEJA que já na quinta-feira haviam sido arrecadados 3 milhões de dólares.

 Caminho Sinuoso

 "Nós estávamos com a negociação absolutamente resolvida na sexta-feira à noite, em números aceitáveis pela família e pelos seqüestradores", conta Paulo Marinho, "mas na segunda-feira pela manhã um seqüestrador telefonou e disse: 'A revista VEJA publicou que vocês estão com 3 milhões desde quinta-feira, vocês estão querendo me dar uma canseira, mas eu sou um profissional e quem vai levar canseira são vocês'." A partir de segunda-feira, os seqüestradores ficaram três dias sem entrar em contato com a família Medina e retomaram às negociações exigindo novamente 5 milhões de dólares. "Daí, em vez de 1,2 milhão tivemos que pagar 4 milhões de dólares", conclui Paulo Marinho.

 Para conseguir o abatimento de 5 para 4 milhões de dólares, Marinho armou um caminho sinuoso para chegar a um dos chefes do tráfico de drogas no Rio, Francisco Viriato de Oliveira, o Japonês, que cumpre pena no presídio Bangu 1, de segurança máxima, e nem por isso está aposentado do crime. Na quinta-feira dia 14, Marinho procurou a deputada Anna Maria Rattes, do PSDB, com uma conversa esquisita. "Ele me contou que o Nazareno havia dito, em seu depoimento à polícia, que eu era a única pessoa que poderia negociar a redução do valor do resgate com o Japonês", afirma a deputada. "Paulo Marinho também me disse que a família havia conseguido cerca de 2,5 milhões de dólares." Na mesma noite, Anna Maria foi ao presídio de Bangu junto com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Manoel Elysio. A deputada conversou durante quinze minutos com Japonês, contando que Nazareno havia sugerido que ela lhe falasse, que a família de Medina estava desesperada e que era preciso diminuir o valor do resgate. "Japonês comentou que seqüestro não era a melhor maneira de se obter dinheiro", conta a deputada. "Bem, doutora, vou conversar com meus companheiros e ver o que é possível fazer", disse o bandido acerca do corte na cifra dos 5 milhões de dólares.

 "Não sei se minha interferência ajudou de alguma forma", diz Anna Rattes, conhecida dos bandidos Nazareno e Japonês de longa data. Durante a campanha de Moreira Franco ao governo em 1986, a deputada, então no PMDB, conheceu o cabo eleitoral Nazareno. "Ele conhecia minha luta pelos direitos humanos e minha campanha pelos Meninos de Rua", diz a deputada tucana, referindo-se ao programa de recuperação de meninos-bandidos. "Nazareno queria participar do movimento e me convidou para visitar os presídios cariocas." Ela esteve duas vezes no Bangu 1 conversando com presos - entre eles, conheceu Japonês. Em 1988, a deputada, que é casada com Paulo Rattes, ex-secretário de Assuntos Extraordinários de Moreira Franco e hoje presidente regional do PMDB, foi acusada de ter intercedido junto à máquina do governo para conseguir que Japonês fosse beneficiado com o regime de prisão semi-aberta. "Nunca pedi nada especificamente para o Japonês", nega a deputada.

 Se Japonês conseguiu dos "companheiros" uma redução do resgate de 5 para 4 milhões de dólares é matéria incerta. De certo, mesmo, só o padecimento de Roberto Medina. Alarmados com as batidas que a polícia promovia nos morros cariocas, os seqüestradores endureceram o jogo na sexta-feira dia 15. Eles deixaram uma fita de vídeo na Igreja Cristo Redentor, em Laranjeiras, na Zona Sul, e avisaram a família Medina para buscá-la. Nesta fita, segundo se comenta nos meios policiais, mas que os familiares do empresário nem confirmam nem desmentem, o empresário apareceria de calção, acorrentado nos pés e no pescoço e com dois revólveres apontados contra a sua cabeça. Depois de libertado, ao ser levado para sua casa, Medina contou ao delegado Campelo que durante todo o seu cativeiro foi obrigado a usar óculos com a parte interna das lentes coberta com esparadrapos (e, portanto, pouco pôde ver os seqüestradores), que passou muito frio e era mal alimentado. "Nunca ouvi falar tanto em matar como nesses quinze dias", disse Medina ao delegado. "Os seqüestradores não dão valor à vida." Com a fita, e ameaçando matar Medina, os bandidos conseguiram que a polícia deixasse de promover blitze nas favelas, e as negociações com a família foram retomadas.

 Tranquilizantes

 Na terça-feira passada, os familiares da vítima e os captores praticamente haviam chegado a um acordo quanto ao valor reduzido do resgate, mas na manhã seguinte a situação ficou novamente sombria. Os seqüestradores telefonaram para os Medina, furiosos com a prisão da mãe e do irmão de Maurinho Branco, disseram que iam matá-lo e tornaram a insistir nos 5 milhões de dólares. Segundo Juca Colagrossi, Medina foi então mais castigado: os bandidos tiraram-lhe o cobertor, racionaram a sua comida e o ameaçaram constantemente. A família de Medina não sabia sequer da prisão de Esmeralda e de Luís Henrique e pressionou a polícia para libertá-los. Com a garantia de que a mãe de Maurinho seria libertada, a gang tomou passos concretos para obter o resgate.

 Na tarde de quarta-feira, um bilhete escrito à mão pelo próprio Medina foi deixado na banca de jornais em frente à estação de trens da Leopoldina, no centro do Rio. Na mensagem teria se fixado o Aterro do Flamengo, em frente ao Monumento dos Pracinhas, como local para pagamento do resgate. Às 8 e meia da noite da própria quarta-feira, o deputado Rubem Medina e Maria Alice, irmão e mulher do seqüestrado, entregaram o dinheiro aos bandidos e ficaram sabendo que o empresário seria libertado em 24 horas. A família limitou-se a esperar, sem saber que os seqüestradores estavam envolvidos numa outra negociação - com a polícia. Já de posse do dinheiro do resgate e com sua mãe solta, Maurinho Branco encasquetou: queria de todo jeito a soltura de seu irmão Luís Henrique. Nas menos de 24 horas que separaram o recebimento do resgate e a libertação de Medina, Maurinho telefonou pelo menos oito vezes para seu advogado, Nélio de Andrade. Ele dizia que se seu irmão não fosse colocado em liberdade, mataria Medina.

 Entre um comprimido e outro de Lexotan, um tranqüilizante, Andrade telefonava para a polícia alertando que Maurinho de maneira alguma parecia estar brincando. A polícia, por sua vez, tergiversava: mandava que o advogado, a essa altura acompanhado pelo seu colega José Mandarino Guedes, avisasse o seqüestrador que seu irmão estava na iminência de ser solto. O juiz Manoel Alberto Ribeiro, da 10ª Vara Criminal, encarregada de apreciar o caso de Luís Henrique, garante que não concedeu o alvará de soltura do irmão de Maurinho. Até a madrugada de sábado, porém, Luís Henrique não havia sido apresentado à imprensa. Às 6 e meia da tarde de quinta-feira, finalmente, um seqüestrador que se identificou com o nome de Genival telefonou para os advogados, e Mandarino atendeu o telefone. O bandido disse que eles deveriam seguir imediatamente para a esquina das avenidas Paulo de Frontin e Joaquim Palhares, na Zona Norte. Mandarino respondeu que havia um repórter de O Globo e outra de O Dia junto, e Genival mandou que os dois jornalistas fossem convidados a testemunhar a libertação de Medina.

 Pouco depois que Maurinho entregou Medina e o gavião, Mandarino telefonou para o delegado Luís Mariano, marcando um ponto de encontro na Rua Frei Caneca para passarem o empresário à polícia. Às 7 e meia, Mariano e o delegado Campelo chegaram ao local num Opala de chapa fria. Como que para fechar o caso com chave de outro, Campelo saltou do carro, empunhou uma metralhadora e começou a gritar para que os advogados, seus velhos conhecidos, se afastassem de Medina. Só que não havia por que tanta bravata: o empresário estava solto e os seqüestradores fugiam com o dinheiro. Medina foi colocado no Opala e, a mais de 120 por hora, levado até sua casa. Na sua mansão na Barra, o empresário tomou banho, trocou de roupa, foi até a porta para dar um aceno aos vizinhos e jornalistas e recolheu-se. Conversou com amigos, tomou sopa e, à meia-noite, foi dormir em calma.

     Medina (dir.) foi entregue pelo sequestrador Maurinho Branco aos advogados e a dois jornalistas, entre eles o repórter do GLOBO Jorge Luiz Lopes Nazareno Barbosa Tavares, um dos sequestradores de Roberto Medina, é preso pela polícia

 O advogado Nélio de Andrade, mesmo com tantos calmantes, não ficou tranqüilo com o desfecho do caso. Ele suspeita que tentem ligá-lo a Maurinho Branco e que passe da condição de negociador a cúmplice do seqüestro. Andrade, no entanto, é um homem acostumado a emoções fortes: em 1988 a polícia matou em sua casa em Jacarepaguá seu colega Waldir de Paiva Carneiro, advogado do traficante Toninho Turco, igualmente morto por policiais no mesmo ano. Comentando a morte de Paiva Carneiro, Nélio de Andrade disse o seguinte na ocasião: "Se o fato de conhecer Toninho Turco foi suficiente para indiciar Carneiro, os deputados Rubem Medina, Jorge Leite e Miro Teixeira também deveriam ser, pois, a exemplo do governador Moreira Franco, todos eles receberam dinheiro de Toninho Turco para financiamento de suas campanhas políticas". Em momento algum Andrade foi desmentido ou processado por calúnia. No Rio de Janeiro, onde esse tipo de acusação passa em branco, o seqüestro de Medina, com todos os seus lances dramáticos, sintetizou uma situação onde fica difícil determinar onde termina a lei e começa a bandidagem".   

 

Edson Cordeiro de Moura, o "Peninha".                                                                                      Ricardo Fróes

 

           Marginal de alta periculosidade que agiu em São Paulo e Minas Gerais na década de 80 e 90, com inúmeros assaltos, latrocínios e homicídios registrados em uma vasta folha criminal. Era perito em fugas de penitenciárias sempre em circunstancias diferentes das evasões tradicionais. Em 1988 liderou uma rebelião na penitenciária de Neves, quando fizeram diversos reféns. Na Dutra Ladeira conseguiu fugir dentro de um caminhão e em 1991, quando se encontrava preso na penitenciária de segurança máxima de Contagem, comandou outro motim fazendo vários reféns, dentre eles, uma oficial da PM que depois foi trocada por um coronel. Após muitas negociações, "Peninha" e seus parceiros Ricardo Fróes, Wellington Martins Ribeiro, o "Leitão" e "Tiãozinho" concordaram em ficar apenas com um tenente e o coronel Edgard Soares em troca de um carro forte e metralhadoras para serem usados na fuga. Na época, a Polícia Militar demonstrou total despreparo para este tipo de crise, atendendo todas as exigências dos marginais. Na fuga, "Peninha" e seus comparsas mataram o tenente e ficaram confinados durante 12 dias em uma casa na cidade de Juiz de Fora, onde se renderam.

          Ver informações detalhadas em: "Década de 90/1990. O Sequestro do Carro Forte. O Crime que Parou Minas".

No dia 24/12/92, véspera de natal, Peninha suicidou-se em uma das celas da Furtos e Roubos, utilizando-se de sua calça para o enforcamento. Em uma das sentenças pelo arquivamento em razão da morte do bandido, o juiz da 10ª vara criminal assim se expressou:

“era um famigerado marginal e acredito que ele deve se encontrar agora no local que merece depois de tantos danos causados à sociedade”.

Em suas passagens pela Furtos e roubos, foi preso pelos detetives Edson Paixão, Cláudio e Adolfo com as equipes respectivas. Foi responsável por roubos a bancos e diversas.                                                                          

 

Ricardo Fróes

  

            Ricardo Fróes foi um dos marginais mais violentos da década de 90, constando em sua folha criminal inúmeros latrocínios e assaltos, sendo oriundo de São Paulo. Por seu perfil psicológico psicopata, Fróes praticou toda espécie de violência durante sua carreira de crimes, mesmo nas unidades prisionais onde esteve recolhido, sempre liderando rebeliões, matando colegas de cela ou policiais nas fugas ou tentativas. Liderou várias "cirandas da morte" que consistia em sortear um detento da cela que estaria marcado para morrer, como protesto pela superlotação. Parceiro de "Peninha" na trágica e frustrada tentativa de fuga da penitenciária de Segurança Máxima de Contagem, quando matou um tenente da PM e fugiu utilizando um carro forte. Ver informações detalhadas em: "Década de 90/1990. O Sequestro do Carro Forte. O Crime que Parou Minas".                                          

 

Gildo Rosimar Minguelli Júnior - Prenda-me se For Capaz.   



            Na década de 60, um jovem de nome Frank Abagnale Júnior, ganhou notoriedade nos EUA, quando, aos 18 anos, se tornou famoso como o maior falsificador de documentos e mestre dos disfarces. Os seus golpes e sua especialidade em fraude lhe rendeu o filme "PRENDA-ME SE FOR CAPAZ" protagonizado por Leonardo Di Caprio e Tom Hawnks. Passados cerca de 50 anos, surge em Belo Horizonte, o Frank Abagnale "Tupiniquim", o conhecido estelionatário Gildo Rosimar Minguelli Júnior. Inspirado no jovem bandido americano, que na década da rebeldia desafiou o FBI com seus golpes audaciosos, Gildo desafia a polícia mineira ao fazer a inserção em um site, a frase "PRENDA-ME SE FOR CAPAZ", onde narrava seus golpes e a certeza de impunidade. Os policiais Wanir e Geovani "Boquinha", da especializada de fraudes do DEPATRI, coordenados pelos delegados Nelson Fialho e Faria, conseguiram localizar e prender Gildo com vasto material para fraudes. O desafio à polícia lhe custou caro. "A POLÍCIA FOI CAPAZ." Dono de uma extensa ficha criminal, Gildo Rosimar Minguelli Júnior é estelionatário conhecido da polícia mineira. Utilizando de seus conhecimentos em informática, tornou-se um expert em falsificações de documentos pessoais, facilitando a remessa de pessoas, principalmente da região de Governador Valadares, para os Estados Unidos, de quem cobrava valores expressivos pelo “serviço” prestado. De posse dos documentos pessoais de seus “clientes”, Gildo os escaneava e fazia as adulterações através do Corel Draw ou Auto Cad. Após a montagem dos documentos estourava a praça com diversos golpes, como a aquisição de veículos e outros bens de consumo. Gildo falsificava CRLVs, carteiras de identidade, CPFs, comprovantes de residência, guias de receituário de medicamentos controlados, além de toda a documentação para falsificação de passaportes e vistos.                                                                           

 

                 

BANDIDOS NACIONAIS

Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião".


          

          Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", nasceu em 04 de junho de 1898, na fazenda Ingazeira, que pertencia a seus pais, no Vale do Pajeú, em Pernambuco. Até completar seus 21 anos dedicou-se ao artesanato e desde jovem, usava óculos para leitura, já que era alfabetizado, coisa rara naquela região. Vivia tranquilamente com seus pais José Ferreira da Silva e Maria Lopes, seus irmãos Antônio, Livino, Virtuosa, João, Angélica, Maria, Ezequiel e Anália. Virgulino foi, assim como seus irmãos, uma pessoa pacata, um verdadeiro sertanejo com todas as dificuldades impostas pela seca e miséria da região árida do nordeste. Seu pai, no entanto, tinha uma pendência mortal com outra família da região e, em razão do atrito, acabou morto ao resistir à prisão com a polícia em 1919. A partir do incidente que levou seu pai à morte, Virgulino se transformou como pessoa e prometeu vingar seu genitor, norteando toda sua fúria contra qualquer tipo de profissional que vestisse farda, a quem denominava “os macacos”. Aos 21 anos iniciou sua saga de cangaceiro, reunindo um bando, que dificilmente ultrapassava o número de cinquenta membros, vestidos como os homens do sertão nordestino da época( e até hoje), com seus casacos de couro para se proteger dos espinhos e vegetação da caatinga. Usavam também sandálias e chapéus de couro, muita munição em seus cintos, fuzis, apetrechos e pesados alforges. Ganhou fama com seu bando que conseguiu sobreviver durante cerca de vinte anos, até ser localizado e morto pela polícia. Durante sua trajetória criminosa, percorreu todos os estados do nordeste, saqueando, estuprando e matando pessoas que moravam em cidades e vilarejos daquela região. Com seu bando, invadia essas localidades e espoliava os moradores com grande selvageria e violência. As principais vítima eram os policiais dos destacamentos que eram abatidos e suas armas levadas para garantir o poder de fogo da tropa de cangaceiros. Também os grande fazendeiros eram alvos de sua saga criminosa. Apesar de alguns historiadores tentarem ligar a figura de Lampião a de Robin Hood, a história desmente essa versão ao registrar centenas de roubos, mortes e outros crimes atribuídos ao cangaço liderado por Lampião, também chamado por seus comparsas, de “Capitão Virgulino”. Um bandido sanguinário que por onde passou, deixou a marca de sua violência e barbárie, além de registrar para os brasileiros os traços de uma personalidade egocêntrica, demonstrada nas inúmeras fotos tiradas junto com seu bando.

 

 

                          

          Em 1930 Maria Gomes de Oliveira, a “Maria Bonita”, namorada de Virgulino, juntou-se aos criminosos e, assim como as outras mulheres, vestia-se da mesma forma que os homens e participava dos ataques e saques cometidos pelos cangaceiros. Em 1932, nasceu Expedita Ferreira, filha de “Lampião” e “Maria Bonita”. Os crimes de “Lampião” tomaram tamanha proporção, que alguns estados ofereciam polpudas recompensas pela delação do bandido, obrigando o governo federal a determinar ações do Exército no auxílio as buscas. 

                                                                                                                          A Emboscada e Morte de Lampião e seu Bando. A Volante

 

 


          Em julho de 1937, durante suas migrações pelo sertão nordestino, Lampião se encontrava no interior de Sergipe, acampado em uma fazenda de nome Angicos. Era noite de 27 de julho, quando uma equipe de policiais militares, denominada “Volante”, se esgueirou no entorno do acampamento onde os cangaceiros estavam escondidos. A tropa era comandada pelo Tenente João Bezerra e o Sargento Aniceto Rodrigues da Silva. A noite escura e chuvosa facilitou a aproximação dos policiais que se entrincheiraram entre as pedras e arbustos da vegetação e esperaram as primeiras horas do dia para o ataque. Por volta de 5:00 horas da manhã, ainda escura, alguns cangaceiros acordaram para iniciar os preparativos do café. Um deles, percebeu a movimentação estranha e tentou avisar seus companheiros, mas os policiais, bem posicionados, iniciaram a fuzilaria. Os militares usavam metralhadoras portáteis, eliminando qualquer chance de defesa por parte dos cangaceiros. “Lampião” foi um dos primeiros a morrer seguido de seus companheiros.

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http://zebrastationpolaire.over-blog.com/article-corse-nordeste-vers-un-modele-de-lutte-contre-le-banditisme-et-le-separatisme-111365703.html

 

 A “Volante” não deu trégua até que o último dos criminosos fosse abatido, em um tiroteio que levou cerca de 20 minutos a meia hora. Ao final, “Maria Bonita” estava ferida em razão dos tiros, mas, mesmo viva, foi degolada pelos policiais da "Volante", assim como o foram, todos os onze cangaceiros que estavam no acampamento. “Quinta-Feira", e “Mergulhão”, também tiveram suas cabeças decepadas, ainda vivos. Não se sabe ao certo, se outros criminosos também foram degolados vivos. Na época houve registro de fuga de alguns dos cangaceiros durante o confronto.

         

           

          A “Volante” apreendeu muitas jóias, dinheiro, ouro e armas, dentre pistolas semiautomáticas, Winchesters e revólveres. Um potente arsenal para aquele período de nossa história. “Lampião”, depois de morto, levou uma forte coronhada na cabeça que foi dilacerada pelo golpe. Outros cangaceiros foram identificados após a emboscada, dentre eles: Luis Pedro, “Elétrico”, “Macela”, “Moeda”, Enedina, “Alecrim” e “Colchete”, segundo registro da polícia. As cabeças fora salgadas, (assim como faziam com a carne na época) colocadas em latões de querosene com aguardente e cachaça. Os corpos esquartejados foram deixados no local da emboscada para servir de alimento para os urubus e aves de rapina da caatinga. Depois do confronto, João Bezerra fez uma verdadeira peregrinação por diversas cidades de estados nordestinos que sofreram com a ação do cangaço, exibindo as cabeças dos criminosos, atraindo verdadeiras multidões para ver os restos em decomposição. 
"Lampião" foi um dos maiores bandidos do cenário criminal da história brasileira, no entanto, a mídia e a "cultura brasileira", através de livros, cinema e cordel, o transformaram em um mito, o bandido herói.       
             

                                                         

 Gino Amleto Meneghetti

1878-1976 - As fotos abaixo registram diversas facetas de Gino durante sua vida de crimes.

             
          No início do século XX ocorreu um grande surto de imigração europeia para o Brasil e São Paulo foi o estado que mais abrigou italianos em busca de uma vida melhor. Gente trabalhadora na busca da terra prometida e gente que buscava o crime, já saturado em terras italianas. Dentro desse perfil criminoso, chegava no ano de 1913, aos 35 anos, Gino Amleto Meneghetti que se tornaria o ladrão mais famoso e de maior longevidade já visto em nosso país. Dedicou 79 anos de sua vida ao crime, ganhando manchetes de jornais pelas suas prisões e fugas espetaculares. Iniciou sua vida no crime aos 16 anos, em 1894, com pequenos furtos na cidade italiana de Pisa, com sua torre inclinada. De lá fugiu para a França onde foi preso em 1913 pela Gendarmerie, a competente polícia francesa e expulso, vejam só, para o Brasil, aonde chegou a bordo do navio “Tommaso di Savoia”. 
Em 1914 foi preso pela primeira vez e condenado a oito anos de cadeia. Ali começou a ganhar fama, ao ajudar na construção da “Solitária”, deixando a parte de cima com bastante fragilidade sem que os guardas percebessem. Simulou uma briga e foi colocado de “castigo” na “Solitária” de onde fugiu nu e ensanguentado pela noite paulistana, com ferimentos causados pelas grades de ferro no corpo. Gino passou a viajar pelas principais capitais do país onde escolhia detidamente a casa do ricaço que iria ser roubada. Era expert em joias e contos de réis. Durante suas viagens, sempre acompanhado de sua amada Concetta, foi preso em 1915 no Rio de Janeiro de onde fugiu da cadeia, preso em Porto Alegre de onde também fugiu para Juiz de Fora onde conseguiu um grande furto em uma mansão de onde levou 20 contos de réis e muitas joias.


 

              Equipamentos usados por Gino Amleto Meneghetti nos furtos a residências e uma charge sobre uma de suas fugas pelos telhados da capital paulista.

          No ano de 1919 é novamente preso em São Paulo e condenado e fica seis anos na cadeia até conseguir fugir de forma espetacular, Na década de 20 se torna um mito na imprensa como “Gato de Telhado” o ladrão que não dava folga para os ricos de São Paulo, cuja casta crescia com o desenvolvimento do comércio cafeeiro na cidade. É perseguido pelo delegado Leite de Barros, que até então não sabia a identidade do misterioso ladrão. Em um cerco policial na Rua Abolição, o larápio consegue fugir pelo telhado e deixa para trás uma mala cheia de joias e uma identidade em nome de Gino Amleto Meneghetti. Identificado, passou a ser perseguido pela polícia até que foi cercado e reagiu à bala, atingindo com quatro tiros o delegado Valdemar Mondin da Costa Dória. Diante da multidão que aflorou ao local, gritava de cima de um telhado: “Io sono Meneghetti, Il Cesare de San Paolo”. Ao ver as muitas armas apontadas em sua direção gritava: “Pelo amor de Deus, não me matem”. Dois dias depois morria o primeiro delegado paulista em confronto com marginais. Confessou aos policiais seu endereço onde foi encontrado um pequeno tesouro de joias e dinheiro oriundos de seus roubos. Foi condenado a uma pena de 43 anos de cadeia. Sua pena foi comutada e passou 25 anos encarcerado. O ano era de 1945 quando via novamente São Paulo pelo lado de fora das grades. Uma São Paulo diferente e com uma polícia também diferente daquela que lhe prendeu. Mais moderna e eficiente. 60 dias após ganhar sua liberdade é novamente preso, dessa feita por tentativa de homicídio quando planejava mais um golpe. É condenado a sete anos de prisão e sai da cadeia em 1952. Em 1954 tenta novamente assaltar uma casa em Vila Mariana e passa mais três anos preso. Libertado em 1957 ganhou novamente a prisão em 1959, sendo liberado em 1960 quando ganhou uma banca de jornal do governo paulista, no centro da cidade. Não lhe adiantou muito a tentativa de ajuda do governo, pois em 1964 foi preso mais uma vez com grande quantidade de joias roubadas em mansões paulistas.

Abaixo dois momentos em que Gino Amletto respondeu por seus crimes ao ser preso pela polícia: em 1926 e 1968. 

 

 

          Em 1968, aos 91 anos de idade tentou roubar uma mansão quando foi surpreendido e empreendeu fuga pelos telhados. Dessa feita, porém, os anos de vida não lhe ajudaram, quando trôpego, quebrou telhas e caiu dentro de uma casa onde foi preso. Ficou mais um ano na cadeia. Sua última ação delituosa, ou melhor, dizendo, tentativa, aconteceu no ano de 1970. Já com seus 92 anos, tentou arrombar uma casa no Bairro de Pinheiros, na capital paulista e foi surpreendido por um policial que passava pelo local. Como não portava nenhum documento foi levado à delegacia onde surpreendeu os policiais que ali se encontravam ao se identificar como Gino Meneghetti. “Não é possível ser um bom ladrão sem ter os ouvidos em bom funcionamento. Acho que terei de me aposentar”. Disse aos policiais e repórteres que assistiam sua última prisão. Nesse mesmo ano uma empresa tentou contratá-lo para garoto propaganda de uma fechadura, mas Gino não aceitou ao argumento de que não faria propaganda enganosa, já que não existia fechadura com segurança suficiente para segurar Gino Meneghetti.

 

Correio da Manhã-1970

Dados extraídos de uma reportagem de Rubens Ribeiro

Frases de Meneghetti

  • “O repórter é um cupincha cheio de vícios que vive adulando seus chefes de seções, chefes que muitas vezes não primam por boa moral, às vezes mais venais que os próprios criminosos” (exprimindo todo o seu rancor com a imprensa, que não lhe dava sossego e, segundo ele, exagerava ao comentar seus roubos).

  • “Na rua tinha mais soldados que paralelepípedos. Mas se eu não estivesse embriagado a polícia nunca me prenderia”.

  • “Jamais roubei um pobre. Só me interessava tirar dos ricos, e tirar joias, que são bens supérfluos que só servem para alimentar a sua vaidade”.

  • "A propriedade é um roubo; portanto, não sou ladrão”.

   

José Miranda Rosa, o "Mineirinho"

"Mineirinho"

"Mineirinho". Ao lado o filme sobre a vida do bandido, retratado como o bom mocinho.

 

           "Mineirinho", um marginal que se instalou no Rio de Janeiro oriundo das Minas Gerais e que se tornou notório pela série de crimes praticados naquele estado na década de 60. No dia 29/30 de abril de 1962, participou de um violento tiroteio ao enfrentar policiais civis cariocas, quando estava com sua quadrilha no “Morro da Providência”. Conseguiu fugir com a ajuda de um bicheiro, escalando de forma cinematográfica, uma ribanceira de cerca de 30 metros de altura. Era responsável por uma série de assaltos e mortes, além de inúmeras reações violentas contra a polícia do Rio de Janeiro. No dia 29 de abril de 1962 a polícia civil obteve informações do encontro de “Mineirinho” com outros marginais, desta feita, no “Morro da Mangueira”. Os policiais em vários Fuscas e Jipes, armados com suas metralhadoras Ina e Thompsom calibre 45, além dos 38 na cintura, se deslocaram para aquela região. 

           Tentando fugir novamente ao cerco e com pouca munição para resistir por muito tempo, “Mineirinho” se entrincheirou debaixo de um ônibus na Rua General Pedra, na capital carioca. Foi o seu último confronto com a Polícia. Ali mesmo, debaixo do coletivo, “Mineirinho” foi metralhado por rajadas que eram disparadas de várias armas de repetição. Foi retirado do local, pelos policiais que o jogaram dentro de uma viatura e desovaram o corpo crivado de balas às margens da estrada que liga o Grajaú ao Jacarepaguá. Era o fim de José Miranda Rosa, o “Mineirinho”, marginal com 107 anos de cadeia para cumprir e vários processos nas costas. No IML houve aglomeração de mais de mil pessoas que queriam ver o corpo fuzilado do mais notório marginal da época, culminando com a prisão de outros sete criminosos no velório, que também tentaram ver pela última vez o companheiro de crimes. Também no caso de "Mineirinho", um filme foi feito em sua homenagem, romanceando a vida bandida do criminoso.   

Manchetes

Tombou O Inimigo Público N. 1 - "Mineirinho" Metralhado Pela Polícia. E "Mineirinho" morreu. Teve o fim de todos os seus iguais. Foi talvez, o bandido mais temível de quantos a Polícia carioca já enfrentou. A Polícia atribui o assassinato do ex-detento "a um seu rival". O legista Nélson Capareli utilizou o corpo para dar aulas a alguns estudantes de Medicina. (“O Dia, 1 de maio de 1962”.).

Tiroteio: Polícia X Mineirinho (Diário Carioca, 1 de maio de 1962) "Mineirinho" Foi Metralhado 13 Vezes. Atirado no mato - Povo afluiu para ver bandido morto (Diário de Notícias-1 de Maio de 1962)

A Cidade Está Em Paz. "Mineirinho"Foi crivado de balas e atirado na Grajaú-Jacarepaguá. (Correio da Manhã, 1 de Maio de 1962-).

"Mineirinho" Sem Sete Vidas.

Delegado Admite Que "Mineirinho" Pode Ter Sido Morto Pela Polícia (Jornal do Brasil, 1 de Maio de 1962) "Coisa Ruim", amigo do bandido, jura vingança - Depoimento impressionante de uma testemunha de vista do fuzilamento - Fretados lotações para curiosos verem o corpo do famoso marginal (O Dia,2 de Maio de 1962).

 

Manoel Moreira, o "Cara de Cavalo".

            "Cara de Cavalo" nasceu no Rio de Janeiro em 1941 e morreu aos 23 anos, quando a revolução se alinhava no Brasil de 64. Ao contrário de “Mineirinho”, não era dado a assassinatos ou crimes mais violentos, preferindo o convívio da zona boemia onde fazia pequeno tráfico de maconha, jogo do bicho e era respeitado como cafetão. Mas foi de vital importância para o surgimento de um dos mais sanguinários grupos que se tem notícia, o “Esquadrão da Morte”. Apesar de não ter um currículo violento, “Cara de Cavalo” inaugurou em seu prontuário criminal o homicídio de Milton de Oliveira Le Cocq, um dos “Dez Homens de Ouro” da polícia carioca, morto com um tiro de 45 no mês de maio daquele ano. A partir da morte de Le Cocq iniciou-se uma caçada feroz durante quatro meses para eliminar Cara de Cavalo.Com dezenas de policiais na busca frenética de informações para sua localização, no mês de agosto de 64, Cara de Cavalo foi encontrado na cidade de Cabo Frio e fuzilado com mais de cem tiros.

           Os policiais cariocas da época ironizavam ao declarar que Manoel Moreira, “o Cara de cavalo” era o sócio-fundador do “Esquadrão da morte” de Hélio Oiticica, famoso artista plástico do Rio de Janeiro, que ganhou as colunas dos jornais ao defender publicamente seu amigo marginal e exibir em sua obra, um estandarte que homenageava o bandido. Ao lado da foto de “Cara de Cavalo” com os braços abertos formando uma cruz em meio a uma poça de sangue, Oiticica fez a inscrição: “Seja marginal, seja herói”.

 

João Acácio Pereira da Costa, “O Bandido da Luz Vermelha”

 

            João Acácio Pereira da Costa, mais conhecido como “O Bandido da Luz Vermelha” nasceu em 24 de junho de 1942 e morreu assassinado em 5 de janeiro de 1998, sendo caracterizado pela mídia e a própria polícia como um notório criminoso brasileiro. João Acácio chegou em São Paulo ainda na adolescência, fugindo dos furtos que praticara em Santa Catarina. Foi morar em Santos, onde se passava como filho de fazendeiros. Apesar de ser rotulado de louco, na verdade era um bandido inteligente, não praticando nenhum delito na região onde morava. Levava uma vida “pacata” em Santos onde não despertava a menor suspeita em relação aos crimes que praticava da capital paulista. Em 1966 assassinou o jovem estudante de 19 anos, Walter Bedran com um tiro na nuca, dentro do quintal da própria casa. Matou o empresário Jean Von Cristian em plena Avenida Paulista. Um trabalhador foi morto pelo criminoso porque teria olhado de “mau jeito” para o bandido, na porta de um bar. Esse marginal ganhou notoriedade pelo “modus Operandi” de suas ações criminosas, praticando seus assaltos sempre nas madrugadas com o uso de um lenço para cobrir o rosto e de uma lanterna com bocal vermelho, o que chamou a atenção da imprensa, que o apelidou de "Bandido da Luz Vermelha" numa clara alusão ao criminoso americano que ganhou notoriedade por seus crimes com uso de uma lanterna de foco vermelho. A polícia levou seis anos para identificá-lo. Em 1967, sua curta carreira criminosa teve fim com a prisão aos 25 anos de idade e as condenações que lhe deram o total de 351 anos de cadeia, por pelo menos quatro homicídios, sete tentativas de homicídio, 77 assaltos e outros. Foi um dos primeiros criminosos que se tem notícia do cumprimento integral das penas, que unificadas passaram para 30 anos, em sua maior parte, cumprida no Carandiru. Em 1997, vencido seu tempo na cadeia, o “Bandido da Luz Vermelha” foi colocado em liberdade sob os holofotes, de luzes que não eram vermelhas, como a de sua lanterna, mas da mídia brasileira que questionava o perigo que aquele homem desdentado e esclerosado poderia representar em liberdade. Bastaram quatro meses para os brasileiros terem a resposta. Em janeiro de 1998, João Acácio Pereira da Costa, o “Bandido da Luz Vermelha” foi assassinado pelo pescador Nelson Pinseghuer em legítima defesa de sua família.

 

 

"O bandido da luz vermelha- TV GLOBO/LINHA DIRETA

          No dia 7 de dezembro de 2006 foi ao ar O bandido da luz vermelha, contando a história do lendário criminoso que aterrorizou a população da São Paulo na década de 1960. O Justiça mostrou toda a história do personagem, desde o seu aparecimento até sua morte em 1997. João Acácio Pereira da Costa nascera em Joinville, em Santa Catarina. Tornou-se órfão ainda criança e, depois de sofrer maltratos de um tio, morou durante bom tempo na rua. Foi preso diversas vezes por pequenos delitos, quase sempre assaltos. No início da década de 1960 chegou a São Paulo e se estabeleceu em Santos. Nessa época, já havia desenvolvido uma série de obsessões. A mais forte era com a cor vermelha, que ele associava à força demoníaca. Seu pequeno apartamento em Santos, zona portuária da cidade, era todo decorado de vermelho. Era tido pelos vizinhos como um jovem afável, que gostava de se vestir como Roberto Carlos, então no auge da Jovem Guarda. Nessa época, começou a viajar de ônibus para assaltar na capital paulista. A grande inspiração de João Acácio era Caryl Chessman, um criminoso norte-americano executado na câmara de gás de uma prisão na Califórnia pela prática de vários crimes sexuais. Chessman era acusado de ser o temido Red Light Bandit, um estuprador que costumava usar uma lanterna vermelha para amedrontar suas vítimas. Impressionado com a história, João Acácio resolveu assumir a identidade do criminoso e passou a usar uma lanterna idêntica nos assaltos.

          O Linha direta justiça exibiu trechos do filme El Dorado – um western dirigido em 1966 por Howard Hawks, com John Wayne e Robert Mitchum –, pelo qual João Acácio era fascinado. Imitando os bandoleiros do filme, o bandido usava durante os assaltos ternos escuros, chapéus de feltro, um lenço vermelho cobrindo o rosto e dois revólveres. Os primeiros ataques do Bandido da Luz Vermelha eram caracterizados pela ausência de violência física. Ele entrava nas casas de famílias ricas, rendia as vítimas e roubava principalmente jóias. Pequenos gestos desconcertantes – como deixar bilhetes recomendando que as vítimas estivessem vestidas na próxima vez em que ele as assaltasse – sugeriam uma personalidade excêntrica, sem medo de ser pego. Isso bastou para deixar a população paulistana em pânico.

          Na época, São Paulo tinha no máximo quatro milhões de habitantes e o índice de latrocínio era de quarenta por ano. Das páginas policiais, o Bandido da Luz Vermelha saltou para as manchetes dos jornais. Não demorou, entretanto, para que João Acácio começasse a demonstrar mais violência. Até ser preso, em 1967, no Paraná, o Bandido da Luz Vermelha cometera 77 assaltos, dois homicídios, dois latrocínios e sete tentativas de morte. Calcula-se que ele tenha estuprado mais de 100 mulheres. As vítimas nunca deram queixa. Condenado a 351 anos de prisão, ele chegou a receber flores e bilhetes apaixonados das vítimas de estupro.

          Depois de cumprir os 30 anos de prisão previstos na Constituição – dos quais os sete últimos foram passados em um manicômio – foi libertado no final de 1997, embora ainda demonstrasse sinais de sérios problemas psiquiátricos. Os peritos que o libertaram não quiseram dar entrevistas ao Linha direta justiça. Quatro meses e cinco dias depois de sua libertação, João Acácio teve um surto de violência na casa onde morava, de favor, com a família de Nelson Pilzengher. Quando atacou o irmão do pescador com uma faca, foi morto com um tiro de espingarda."

  

Djanira Ramos Suzano, a "Lili Carabina".



          Nos anos 70 e 80 surge no Rio de Janeiro uma quadrilha que inovara na prática de roubo a banco, mudando o velho "modus operandis" de entrar na agencia com as armas em punho gritando assalto. Uma mulher de roupas justas e peruca loura insinuava-se para os guardas de bancos, possibilitando a chegada de seus comparsas que aproveitavam o momento de êxtase do vigilante diante do “canto da sereia” e roubavam os estabelecimentos bancários. Pelas características e meios utilizados pela mulher para consumar seus delitos, ganhou o apelido de Gangue da “Lili Carabina”, apesar de sempre usar uma pistola nos assaltos. A polícia carioca fechou o cerco e identificou a quadrilha e sua líder, Djanira Ramos Suzano, a “Lili Carabina”. Processada por seus crimes, Djanira foi condenada há mais de 100 anos de prisão. 

 Na longa lista de crimes, constavam: os assassinatos dos dois matadores de seu amante, de um traficante, latrocínio, tráfico, direção perigosa, porte de armas, falsidade ideológica, formação de quadrilha e roubos. Fugiu seis vezes da cadeia. Em 1988, enquanto foragida, tentou fugir de uma blitz quando portava drogas e foi baleada com dois tiros na cabeça. Entrou em coma por 33 dias e retornou à prisão. Foi colocada em liberdade pelo indulto de natal de 1999 e morreu poucos meses depois, aos 55 anos. Teve três filhos, sendo dois com um traficante, assassinado e uma filha com um sargento do exército, também assassinado. Um filho morreu de acidente de moto e o outro também assassinado. Ganhou fama quando Betty Faria a protagonizou no filme “Lili, a Estrela do Crime”, de 1987. A foto acima registra "Lili Carabina", ao sair da prisão em 1999, pouco antes de sua morte. Seu passado de crimes e cadeia deixaram suas marcas na criminosa, que fez fama como uma das notórias mulheres assaltantes, mas se consumiu com os longos anos de encarceramento.

   
 
Francisco Costa Rocha, “O Chico Picadinho”
    

Entre 1966 e 1976 ocorreram vários assassinatos no Rio de Janeiro e São Paulo cuja características dos crimes era o esquartejamento das vítimas, sempre mulheres. As polícias de rio e São Paulo, apesar de todos os esforços e saberem que o meticuloso assassino era um serial killer, demoraram uma década para identificar e prender Francisco Costa Rocha, “O Chico Picadinho”. A sua primeira vítima foi uma bailarina de São Paulo que foi morta e esquartejada em um apartamento alugado na capital paulista. Após o crime, os restos mortais foram colocados dentro em caixa de papelão e deixados na sacada do prédio, fugindo em seguida para o Rio de janeiro. O corpo foi descoberto pelo proprietário do apartamento quando foi cobrar o aluguel e sentiu um cheiro forte de carniça.


Lúcio Flávio Villar Lírio

          As fotos registram a última prisão de Lúcio Flávio, pela Polícia Civil de Minas Gerais, ao lado de seus comparsas. Sua saga chegaria ao fim logo depois, no RJ.

   
          Lúcio Flávio, com QI acima da média (131), foi o precursor em assaltos a bancos no Brasil, sendo o marginal mais procurado pela polícia na década de 70 por seus diversos crimes em vários estados da federação. Usava ainda os nomes de Marcos WOLKLLEVITT Júnior, Rafaelio WANDENKOCK e Marcelo Fleming SPTISCAKOFF sendo transformado em um mito ou anti-herói pela indústria cinematográfica brasileira e mídia que o colocaram em um patamar como vítima da polícia carioca e Mariel Mariscot, policial carioca assassinado pelo crime organizado, como seu principal algoz. Era tido como o bandido refinado e inteligente, filho da classe média alta carioca dos anos 60 e 70. Lúcio Flávio Vilar Lírio virou bandido em 1968, depois de ver interrompida sua candidatura a vereador em Vitória (ES) pelo golpe militar. Aos 30 anos, colecionava 32 fugas, 73 processos e 530 inquéritos por roubo, assaltos e estelionato. De família abastada, dizia que praticava seus delitos porque gostava da adrenalina que lhe era impingida na hora dos assaltos aos bancos. Mas acima de tudo era um bandido e foi um dos pioneiros em roubos a bancos no Brasil. Ficou notabilizado por suas 32 fugas de presídios e cadeias, além de ajudar a desmascarar e desmistificar um grupo de policiais cariocas que pertenciam ao “Esquadrão da Morte”, dentre eles Mariel Mariscot, que acabou preso por sua ligação com marginais.

          Foi dono de uma frase célebre até os dias de hoje, quando questionado no momento de sua prisão em Belo Horizonte, sobre a polícia de Minas: "Bandido é bandido, polícia é polícia. como a água e o azeite não se misturam". É uma mensagem expressiva, apesar de proveniente de um bandido, porque em sua essência, o policial que tem relacionamento com bandido, não merecia a honraria de ser chamado de polícia, pois era (e é) bandido com todas as letras.

          Sua última prisão ocorreu em Belo Horizonte em 30/1/74 pelos policiais “Murilo Preto”, Nério Barbosa e equipe da Furtos e Roubos, na Pensão Nossa Senhora Auxiliadora, ao lado da Santa Casa de Misericórdia, junto com um de seus parceiros. Foi sua última prisão, sendo recambiado para a Penitenciária Frei Caneca, no Rio de Janeiro, onde foi morto por “Marujo”, seu companheiro de cela com 28 facadas, em 1975. “Marujo” também foi assassinado por outro companheiro de cela que por sua vez também foi morto no interior da prisão. Assim como seu líder, os comparsas de Lúcio Flávio também foram caindo um a um, alguns em razão de balas da polícia, outros assassinados dentro de presídios.        

          Liéce de Paula Pinto e Nijini Renato Villar Lírio (irmão mais novo de Lucio Flávio) foram executados por policiais da Entorpecentes do Rio de Janeiro, quando se encontravam na Rua General Góis Monteiro em Botafogo. Para dar a aparência de um confronto, os corpos dos dois bandidos foram colocados dentro de um Karmanguia (esportivo da Volks na década de 70) e levados para a Av. Princesa Isabel em Copacabana, ao lado do Hotel Plaza, onde foram novamente metralhados simulando resistência a prisão. Rivaldo Morais Carneiro o “Martha Rocha”, Antonio Branco e Francisco Rosa da Silva, “o Horroroso”, também membros da quadrilha de Lúcio Flávio foram metralhados e mortos no Presídio Evaristo Moraes Filho, na Quinta da Boa Vista, após liderarem o conflito e matar friamente o Coronel PM Darci Bitencourt, que fizeram de refém. Fernando C. O, comparsa e cunhado de Nijini Villar Lírio foi morto dentro do complexo prisional Frei Caneca por outros bandidos, a golpes de estoque feito artesanalmente com um vergalhão de cerca de 30 centímetros. Júlio Augusto Diegues, o “Portuguesinho”, braço direito de Lúcio Flávio, mesmo preso na antiga carceragem da Furtos e Roubos, em Benfica, na companhia do criminoso “Lobisomem” estrangulou dois criminosos rivais no interior daquela unidade. Tempos depois eram também assassinados. 


Filme: Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, onde o bandido
é retratado apenas como vítima da violência policial.      


Hosmany Ramos


         

          A história retratada no livro do escocês Robert Louis Stevenson publicado em 1886: "O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, também conhecido dos brasileiros como "O Médico e o Monstro" torna-se realidade na vida desse bandido de duas faces. Na década de 70, Osmany Ramos aparecia rotineiramente nas capas de revistas ao lado de grandes celebridades da época, por ser um renomado cirurgião plástico com vários clientes vips e mulheres da alta society carioca. De repente, como que por encanto, o notório médico ganha as páginas da mídia mostrando seu outro lado, sua outra face, a de um criminoso sórdido e prepotente. Nas fotos ao lado, registramos três momentos da vida do criminoso:1) Anos 70 - No glamour de sua fama como cirurgião plástico;2) Anos 80 - O início da transformação de médico para monstro;3) Anos 90 - Baleado pelo DEOESP/Polícia Civil de Minas, quando de sua prisão pelo sequestro de um empresário.

 


          Após se formar em medicina Osmane passou a assinar como "Hosmany". Durante os anos 1970, tinha grande prestígio na área médica, atendia em dois consultórios próprios e era assistente de Ivo Pitanguy. Possuía ainda quatro carros importados e um apartamento de luxo em Copacabana. O próprio ex-médico não sabe dizer o que o levou à vida de crimes, mas entre o fim da década de 1970 e o começo da de 1980 ele começou a traficar drogas internacionalmente, inclusive com voos agendados de seu avião particular. Em 1981 foi condenado a 53 anos de prisão por roubo de aviões, contrabando de automóveis e pelo assassinato de seu piloto pessoal, Joel Avon, e do estelionatário Firmiano Angel.

            Na cadeia, foi um dos poucos a conseguir escapar do presídio de segurança máxima de Taubaté. Não foi sua única fuga: no Dia das Mães de 1996 deixou o Instituto Penal Agrícola de Bauru e não voltou, mas foi recapturado no mês seguinte, em Campinas ao participar do sequestro do fazendeiro Ricardo Rennó, pelo qual foi condenado a mais 30 anos. Hosmany responde a cerca de 23 inquéritos policiais. 

          Durante o tempo que esteve na prisão, Hosmany já publicou oito livros, sendo que Marginalia foi lançado inclusive na França. Seu livro Pavilhão 9 — Paixão e Morte no Carandiru foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2001, mas ele participou do evento por videoconferência, porque não teve sua saída autorizada pela Justiça. Cumpre pena em regime semiaberto na penitenciária de Valparaíso, mas em 1.º de janeiro de 2009, durante saída temporária de Natal e Ano Novo, convocou a imprensa para anunciar que não voltaria à prisão, como forma de protesto às más condições da penitenciária e pelo medo de ser morto após denúncias que pretende fazer em um livro. Ele de fato não voltou e passou a ser considerado foragido da Justiça.


          Antes de retornar, sua intenção era reunir-se com os juízes da Vara de Execuções Criminais a fim de explicar sua atitude de não voltar à prisão na data originalmente prevista, mas os juízes garantiram que não havia possibilidade de receberem-no. "Ele prega a igualdade entre os presos e quer agora ser privilegiado? Aqui ele não terá tratamento diferenciado", avisou o juiz Emerson Sumariva. Em agosto, depois de passar por Guiana Francesa e vários países da Europa, pegou um voo na Noruega com destino ao Canadá e escala na Islândia quando foi preso usando o passaporte de seu irmão. Pediu asilo político no país e deu entrevista à imprensa em que elogiou o sistema penitenciário local: "Em uma cela deste tamanho, eles colocariam de 30 a 40 prisioneiros no Brasil." Ele foi condenado a 15 dias de prisão na Islândia pelo uso do passaporte do irmão, mas o Brasil enviou àquele país um pedido de extradição solicitando que ele seja mantido preso até o processo ser finalizado. Ao portal, ele disse no início de setembro que a Justiça islandesa teria negado o pedido de extradição e que analisaria sua solicitação de asilo, e ainda que já teria cumprido sua pena "em excesso" no Brasil.

            As fotos aqui postadas registram diversas fases na vida de Hosmany Ramos, desde os tempos áureos na sociedade carioca, mídia, fugas, crimes e prisões.

Referências

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Hosmany_Ramos", Jornais Estado de Minas, Diário da Tarde, Jornal Segurança, Revista Veja e acervo do Cyber Polícia.

 

 

José Carlos dos Reis Encina, o "Escadinha". (Rio de Janeiro21 de maio de 1956 — Rio de Janeiro23 de setembro de 2004)

 

          Foi um dos fundadores, da organização criminosa Falange Vermelha, junto com seu irmão, Paulo Maluco. Mais tarde, pelo crescimento, ainda sob a administração organizacional dos dois irmãos, foi tornada Comando Vermelho, devidamente organizada em Aparelhos e Células, devido a antigos Guerrilheiros com quem conviveram em presídios. Dentro da chamada "causa-Comunista", começaram a participar, dando uma conotação "Social" ao meio onde se desenvolvia a "Sociedade organizada" (denominada pela Polícia de Governo sombra). Ele e o irmão Paulo Maluco, José Paulo dos Reis Encina, foram os dois mais temidos criminosos do Brasil durante as décadas de setenta e oitenta. Depois da morte Paulo Maluco, "Escadinha" continuou os trabalhos da organização criminosa até ser preso.

           Em 1 de janeiro de 1986, "Escadinha" escapou do presídio da Ilha Grande resgatado por um helicóptero, numa das fugas mais espetaculares da história das penitenciárias brasileiras. O criminoso pretendia ser resgatado de helicóptero do presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro. Na ocasião, seus dois comparsas(um dos quais piloto de helicóptero) passaram-se por fotógrafos, renderam o piloto e o imobilizaram, injetando droga no piloto policial que estava na aeronave.

           Esse episódio motivou a musica "Sambadrome" da banda inglesa Big Audio Dynamite.

          O helicóptero foi atingido por tiros disparados por guardas do presídio e explodiu. Os dois sequestradores (um dos quais piloto de helicóptero e José Carlos) morreram. Paulo Maluco, mentor da tentativa de resgate, começou a se autodenominar "Escadinha", em homenagem ao irmão morto, imortalizando-o e criando uma lenda.

           No dia 23 de setembro de 2004, como fazia todos os dias, Escadinha, então com 49 anos, saiu pela manhã do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, para ir trabalhar. Não conseguiu ir muito longe. Na Avenida Brasil, altura de Padre Miguel, o carro que dirigia foi metralhado por tiros de fuzil. Ao seu lado, no banco do carona, morreu Luciano da Silva Wanderley, que também estava saindo do presídio para trabalhar. Até hoje a polícia não descobriu os autores do duplo assassinato. http://pt.wikipedia.org.

José Carlos dos Reis Encina é morto na Av. Brasil. - Foto: Custodio Coimbra 23.09.2004

 

 

A morte de Escadinha

 

Marcos Nunes - 

No mesmo ano, o traficante conseguiu emprego e o benefício de cumprir pena em regime semi-aberto. Acabou se afastando da facção criminosa que ajudou fundar e chegou a se aproximar de bandidos rivais. Observado de longe pela polícia, alcançou a quase independência financeira, chegando ao posto de vice-presidente de uma cooperativa de táxis da Zona Norte. Foi o início do epílogo da vida de Escadinha. Depois de se recusar a assumir o Morro do Juramento, uma determinação de bandidos que ainda estavam presos, José Carlos dos Reis Encina passou a angariar inimigos.

No dia 23 de setembro de 2004, como fazia todos os dias, Escadinha, então com 49 anos, saiu pela manhã do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, para ir trabalhar. Não conseguiu ir muito longe. Na Avenida Brasil, altura de Padre Miguel, o Vectra que dirigia foi metralhado por tiros de fuzil. Acabava ali a vida do menino que um dia foi o rei do Morro do Juramento. Ao seu lado, no bando do carona, morreu Luciano da Silva Wanderley, que também estava saindo do presídio para ir trabalhar.Até hoje a polícia não descobriu os autores do duplo assassinato.  Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/bau-do-crime/a-morte-de-escadinha-399690.html#ixzz3f4Sa8uh5

As fotos acima, registram os corpos fuzilados de "Escadinha" e seu companheiro Luciano da Silva Wanderley.

 


Leonardo Pareja

Leonardo Pareja

            Toda a boçalidade do crime e o simbologismo do bandido herói foram representados por esse marginal em sua curta carreira delituosa com o apoio da mídia e de entidades de Direitos Humanos. O transformaram em um símbolo do bom criminoso vivo e um mártir morto. Pareja fez de tudo no mundo da criminalidade, onde entrou oficialmente aos 16 anos, quando foi preso pela primeira vez, acusado de assalto a mão armada. Roubava motos possantes anunciadas em classificados, já com seu 38 na cintura. Em outubro de 1995, graças às trapalhadas de um oficial PM da Bahia, ganhou notoriedade nacional, quando em Feira de Santana (BA), depois de um assalto, manteve como refém por 61 horas, uma jovem de 16 anos. Exigiu e conseguiu carro e armamento para a fuga que foi acompanhada pelos canais de televisão, além do cortejo de viaturas policiais em direção à Goiânia. Conseguiu escapar do cerco policial e por 45 dias driblou polícias de três estados — Bahia, Minas e Goiás, onde se entregou na presença de um juiz e da imprensa. Já tinha aprendido o valor do ‘‘marketing’’, chegando a liderar uma rebelião com reféns numa penitenciária daquele estado. Naquela ocasião foram feitos reféns o então secretário de Segurança, Antônio Lourenço, e alguns desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ), que vistoriavam o local. Na rebelião, que começou no dia 28 de março de 1996 e teve duração de sete dias, Pareja atuou como líder e porta-voz dos presos amotinados.

‘‘Fui os olhos da sociedade cega’’, disse ao voltar para a prisão depois da rebelião do Centro Penitenciário e Agrícola de Goiás (Cepaigo).      

Filho de classe média, Pareja morou no bairro Marista de Goiânia, estudou até a 4ª série no tradicional Colégio Ateneu Dom Bosco, frequentou cursos de piano, inglês, computação e judô. Pareja gostava de dar entrevistas e de mostrar dezenas de cartas de garotas que as enviavam para a Penitenciária, num frenesi neurótico de paixão. Eram, em média, cem cartas mensalmente. Respondia a dezessete processos e cumpria pena de nove anos e seis meses por assalto a mão armada. Em uma única madrugada roubou onze postos de combustível.

          Após a rebelião, Pareja estava jurado de morte pelos presidiários rivais. A morte de Leonardo Pareja era anunciada, esperada, prevista. Todo mundo sabia que ia acontecer. Morreu numa segunda-feira, 9 de dezembro de 1996, às 7h30, no mesmo Cepaigo. Pareja foi executado com sete tiros à queima-roupa, junto com dois outros presos ligados a ele que também foram assassinados. Na época, os advogados de Pareja diziam que ele foi morto a mando da direção do Cepaigo, depois da rebelião no presídio, mas tal versão nunca foi confirmada. Na realidade, a sua arrogância e prepotência, que incomodava os próprios companheiros de cela, foi o móvel para seu assassinato no interior do presídio. Por infeliz coincidência, Leonardo Pareja foi enterrado no Cemitério Parque “Memorial”, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, com a presença de um representante do movimento “Tortura Nunca Mais” colocando uma bandeira do Brasil sobre o seu caixão. “Não podiam fazer isso com um homem que se tornou um símbolo de Goiás”. Disse Valdomiro Batista, o representante da entidade de Direitos Humanos. No entanto a absurda homenagem foi impedida pelo comandante PM de Goiás. Assim como Lúcio Flávio, o bandido Leonardo Pareja ganhou destaque na mídia e teve direito a um filme sobre sua vida, possivelmente custeado pelos órgãos governamentais.

                                                                                                 FOLHA ON LINE-15/12/96

“Sem dúvida, a Folha e seus concorrentes, assim como antes deles a TV, embarcaram com tudo no ''carisma'' de Pareja. Na realidade, não havia carisma algum. Pareja foi uma espécie de Collor do submundo, em sua impostura. O que jornalistas imediatamente reconheceram foi paradoxo, antiestereótipo, contradição em termos, numa palavra, notícia: um branco, com boa instrução, investido no papel que todos reservam aos escuros e pardos em geral. Bandido. Não tão qualificado quanto Hosmany Ramos, mas bandido.”

 

                                                                                               CORREIO BRAZILIENSE

                                                                                                  O fim de um bandido
                                                                                                    

“Era uma morte anunciada, esperada, prevista. Todo mundo sabia que ia acontecer. E aconteceu: ontem, às 7h30, no Centro Penitenciário Agroindustrial de Goiás (Cepaigo), Leonardo Pareja foi executado com sete tiros à queima-roupa. Dois outros presos ligados a ele, Grimar de Souza e Veriano Manuel, também foram mortos. Cinco detentos confessaram os crimes e a polícia diz que o que houve foi uma briga interna pelo poder no presídio. Mas os advogados de Pareja desconfiam que ele foi morto a mando da direção do Cepaigo e até já anunciaram que vão entrar com uma ação indenizatória contra o estado. Eles dizem que Pareja estava marcado para morrer há oito meses, desde que liderou uma rebelião no presídio. 


 José Ribamar, o "Lourinho"

 

            Liderou uma das mais sanguinárias quadrilhas de roubo a banco e carro-forte no país, implantando em Minas gerais a nova vertente criminosa: “o novo cangaço”. Era o articulador dos crimes planejados. O poder de fogo e violência empregados nos assaltos, dificilmente, não surtia os efeitos almejados pelos bandidos. Usavam bandidos com experiencia individualizada em explosivos, no manejo de .30 e de .50. Os motoristas que dirigiam os veículos durante os roubos e fugas eram previamente selecionados. Os participantes das “baterias” eram arregimentados em vários estados do nordeste, Espírito Santo, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro e dificilmente repetiam as equipes para despistar a polícia. Muitos policiais e vigilantes sucumbiram pelas balas assassinas da quadrilha de “Lourinho” ou em razão das explosivos colocados nos carros-fortes(Vide em “Década de 2000/Novo Cangaço”). Fugiu pela porta da frente de uma penitenciária de "segurança máxima", dirigida pela SUAPI e foi abatido pela Polícia Federal, na Bahia, quando se preparava para um novo assalto, usando uma camioneta caracterizada como viatura policial daquela instituição. Durante o tiroteio foi crivado de tiros, encerrando sua carreira criminosa.

 

João Ferreira Lima, o "João de Goiania".


 
          João de Goiânia era um dos criminosos mais procurados do Brasil, desde o assassinato do Senador da República, Olavo Pires, em 1990. Participou de uma série de violentos roubos contra carro fortes e agencias bancárias, adotando a metodologia criminosa denominada "Novo Cangaço", quando dominavam quartéis, delegacias e fóruns de pequenas cidades do interior de diversos estados da federação para consumação de seus crimes de roubo. Geralmente fugiam levando reféns nas carrocerias de camionetes, preferencialmente policiais e autoridades judiciais. Encontrou o fim de sua trajetória de crimes, ao desafiar a Polícia Civil de Minas Gerais.

"Preso em Minas Gerais matador de Olavo Pires

A prisão de uma das maiores quadrilhas do país hoje, em Minas Gerais, acabou colocando a polícia diante de João Ferreira Lima, o João de Goiânia, que confessou entre mais que 20 assaltos e ser o assassino do ex-senador Olavo Pires, que foi metralhado quando chegava à Vepesa, empresa dele, em Porto Velho, em novembro de 1990. Olavo Pires (PTB) disputava o segundo turno das eleições para o governo de Rondônia.

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu seis suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubo a bancos e carro fortes, sequestros, latrocínios, roubo de armas de uso exclusivo do Exército e na invasão de delegacias e quartéis. As informações são da Polícia Civil de Minas Gerais. Alguns dos integrantes da quadrilha já haviam sido presos em novembro e dezembro últimos, mas as prisões não foram divulgadas para não prejudicar o desdobramento das investigações, que culminaram com a prisão, no último domingo, de João Ferreira Lima, o João de Goiânia, também conhecido como o homem da .50, e Gilmar Vilarindo de Moura, o “Alemão”. Os dois estavam entre os presos mais procurados do país, segundo a polícia. Com os dois, a polícia apreendeu uma metralhadora antiaérea e antitanque marca Browing .50, adquirida no Paraguai por R$ 280 mil, desviada por um coronel do Exército paraguaio; 170 munições .50; uma van Chrysler blindada; celulares; giroflex; cinco toucas Ninja; e R$ 8 mil em dinheiro. Os dois assumiram serem os proprietários e operadores das armas usadas em várias ações do grupo. João estava foragido desde 1987 e Alemão desde 1998 (veja na tabela abaixo os crimes da quadrilha em que João de Goiânia confessa a participação).

“A quadrilha foi totalmente desmantelada. Ao todo, 26 elementos já foram presos. O único líder que ainda não foi preso é o Ian Pimentel, ‘o Mineiro’, que está encurralado pela polícia do Mato Grosso na floresta de Novo Mutum e deve ser capturado em breve”, afirmou Antônio Carlos Corrêa de Faria, um dos delegados que coordenam a operação que prendeu a quadrilha.

Lima e seu comparsa Paulo César Miguêz foram detidos em Tocantins, quando, de acordo com a polícia, se deslocavam para a Venezuela, onde planejavam praticar o assalto de uma tonelada de ouro, avaliada em R$ 50 milhões. Além de Lima, participariam da ação seis ex-guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), segundo a polícia.

O roubo ocorreria entre as cidades de São Romão e Margarita, na Venezuela, onde o veículo de transporte do ouro seria interceptado. Uma Hammer e uma esteira rolante seriam usadas para transportar o produto do roubo. João de Goiânia será levado ao presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Nova Contagem (MG). Operação Vandec

A operação da polícia que resultou na prisão dos supostos integrantes da quadrilha foi batizada de Vandec, nome de um policial militar morto pela própria quadrilha durante um roubo na cidade de São Gotardo, em 2007. Com a participação de policiais civis do Departamento de Investigações de Crimes contra o Patrimônio (Deoesp) e membros do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça e Combate ao Crime Organizado/Ministério Público, a operação, iniciada em fevereiro de 2007, prendeu sete suspeitos de participarem de assaltos a bancos nas cidades de São Gotardo, Tiros, Brasilândia de Minas e São Sebastião do Maranhão.

Em novembro do ano passado, horas depois de os criminosos levarem R$ 1,25 milhões, em dinheiro, de um carro forte, em Varginha, outros cinco suspeitos foram identificados e presos por participar da ação.

Respaldados com informações do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, agentes e delegados se deslocaram por diversos Estados do Brasil no monitoramento dos integrantes do bando.

 


De acordo com o delegado, a polícia de Minas Gerais apelidou a tática da quadrilha de "novo cangaço", pelo modo como agem nas pequenas cidades ontem praticam os assaltos. "Eles chegam um dia antes na cidade e fazem um levantamento geral. Depois, munidos de fuzis e metralhadoras .30 ou .50, instaladas numa caminhonete, rendem e roubam o quartel, a delegacia e o fórum da cidade. Com as cidades sitiada, eles começam os assaltos", explica.

“Existe uma liderança fixa da quadrilha. Os outros membros são chamados de 'itinerantes', pois são contratados pela quadrilha momentos antes dos assaltos. Eles terceirizam os crimes. Isso dificulta o trabalho de investigação da polícia", complementa Faria.

O delegado afirmou ainda que não há provas de que a quadrilha tem ligações com grupos do crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) ou o Comando Vermelho (CV).

LOCAIS CRIMES DA QUADRILHA NOS ANOS 2000

Roubo a Carro Forte - Uberlândia (MG) 

Roubo a carro forte - vigilantes feridos Uberaba (MG) 
Roubo a carro forte - um vigilante morto e outros feridos Ipatinga (MG) 
Roubo a carro forte - dois vigilantes mortos e um ferido Frutal (MG) 
Roubo a banco - policiais militares e civis levados como reféns; PM baleado Itaúna (MG) 
Tentativa de roubo a carro forte; dois vigilantes feridos Ibiá (MG) 
Roubo a banco - cidade sitiada; tesouraria da prefeitura assaltada Sacramento (MG) 
Roubo a carro forte - vigilantes feridos São Gotardo (MG) 
Roubo a dois bancos - cidade sitiada; delegados, juiz, policiais e bancários sequestrados; PM assassinado Belo Horizonte (MG)
Roubo a banco Vila Velha (ES)
Roubo a carro forte - mulher de 72 anos baleada Criciúma (SC) 
Roubo a banco - dois policiais rodoviários mortos Maringá (PR) 
Roubo a carro forte Porto Velho (RO) 
Assassinato do senador Olavo Pires Nordeste 
Vários roubos a banco e carros fortes, utilizando como tática deixar a cidade sitiada"

 

BANDIDOS INTERNACIONAIS

  

           Uma das mais violentas quadrilhas de roubo a bancos dos Estados Unidos da América, que aterrorizou estados americanos, matando covardemente vários policiais e tendo como líderes um casal de bandidos: Bonnie e Clyde. Os crimes, em sua maioria, ocorreram entre 1930 e 1934, quando a carreira dos bandidos teve seu merecido fim.

                                    Fotos: 1929 de Clyde Barrow. 1926, do Posto de gasolina de seus pais. 1926 de Bonnie Parker. 


 

       A quadrilha de Bonnie & Clyde cometeu pelo menos 13 assassinatos, dezenas de roubos a bancos, estupro e barbarizou os estados centrais dos Estados Unidos (principalmente Dallas e Texas) durante a Grande Depressão, com a violência dos exacerbada dos criminosos. Clyde Barrow era filho de família estável economicamente, proprietários de dois postos de gasolina. Bonnie Parker, uma jovem bandida, nasceu em Rowena, Texas, em 1910, conheceu Clyde Barrow quando este, tentava roubar o veículo de sua mãe. Segundo a história desses bandidos, naquele momento, os dois saíram juntos de carro e poucos minutos depois realizaram o primeiro roubo juntos.

As fotos abaixo, de Bonnie and Clyde nos anos 1932 a 1934, em diversas de suas facetas criminosas. As fotos demonstram a personalidade narcisista dos criminosos. O documento do Sistema Prisional do Texas  é da sentença de morte de Joe Palmer, um dos integrantes da quadrilha.

 

 
 

 

          Em 1930 Clyde é preso e consegue seu livramento no ano de 1932, pelo governador do Texas, Rose Sterling. A partir daí, o casal de gangsters inicia uma saga criminosa que resultou na perseguição implacável pela polícia de vários estados.

 

   

 

 
          A Gangue era composta de vários criminosos, todos de altíssima periculosidade, dentre os quais: Clyde Barrow, Bonnie Parker, L. C. Barrow (Irmão de Clyde), Raymond Hamilton, Melvin Ivan "Buck" Barrow (Irmão de Clyde), Henry Metvin, Joe Palmer, Roy Russel, Frank Hardy, Hollis Hale, W. D. Jones, Floyd Hamilton, Frank Albert Clause, James Mullen e Bud Russel. Dentre os bandidos sete eram irmãos: os três Barrow, os Hamilton e os Russel.

 

          

          As investigações interestaduais desenvolvidas pelo FBI a partir de 1932, consegue a identificação do casal e sua gangue, com expedição de cartazes (WANTED) com recompensas de 200 mil dólares “VIVOS OU MORTOS”. Durante o período de caçada, que durou aproximadamente dois anos, Bonnie & Clyde roubaram os bancos de Alma, Cedar Hill, R. E. Morrow, Comercial Bank, First Union, Miners Bank, Ponder State Bank, Sons Bank, Bank Robbery and Wounding, dentre outros tantos.

 

   

  

          Inúmeras vítimas de assassinatos foram policiais: Tomas Persel, Malcon Davis Slain, em West Dallas, J. N. Bucher, Cal Campbell em Oklahoma, Major Crowson ( guarda da prisão de Huntsville), morte do oficial Henry Humprey e estupro da senhora Frank Rogers, em Van Buren-Arkansas. Assassinatos dos detetives West Harryman e Harry Mcginnis, em Joplin-Missouri.
 

 

          Os criminosos chegavam nas cidades e priorizavam a localização dos policiais, que não tinham a menor chance, frente ao arsenal usado por Bonnie & Clyde. As duas fotos acima registram o local onde os patrulheiros Edwar Bryan Wheeler e H. D. Murphy foram assassinados por Bonnie e Clyde durante uma fuga, após um roubo.
 

 

 

          Numa fuga, após um roubo, matou o oficial de Platte City, Iowa, com 13 tiros. Sequestrou os policiais Percy Bold, Chefe de Polícia de Miami, o Xerife Currie e seu oficial Hardie, em Wellington. Sequestrou D. B Darby e Sophie Stone, Ruston-LA, levando-os como reféns durante a fuga. Fizeram dezenas de outros roubos e assassinatos de comerciantes e pessoas que se encontravam nos locais de crime.

 Edwar Bryan Wheeler, H. D. Murphy, Malcoln Davis Slain, J.  N. Bucher e Thomas Persell, alguns dos policiais assassinados pela quadrilha. 

 

 


          O fim de Bonnie & Clyde era anunciado logo após o covarde assassinato dos patrulheiros rodoviários Edwar Bryan Weelle, e H. D. Murphy, em Tarrant Count-Texas. Os policiais se encontravam de serviço com suas motos e ao abordarem o casal foram metralhados pela criminosa Bonnie Parker, que não lhes deu a menor chance de defesa. Como sempre gostava e usava em quase todos os crimes, Bonnie & Clyde se encontravam em um Ford V8, WD 400 quando abordados pelos policiais.
 



 

          No dia 23 de março de 1934, o FBI conseguiu uma informação do pai de um dos membros da quadrilha de Clyde Barrow, que indicava o local onde Bonnie & Clyde passaria. Os policiais do FBI Prentis Oackley, Ted Hinton, Bob Alcorn, B. M. Gault e Henderson Jordan e Texas Rangers Frank Hasmer, postaram-se ao lado da estrada, próximo a uma curva, escondidos sob as árvores que caracterizavam a vegetação do local e aguardaram. 

          As imagens abaixo registram os policiais Prentis Oackley, Ted Hinton, Bob Alcorn, B. M. Gault, Frank Hasmmer e Henderson Jordan, responsáveis pela investigação e descoberta do local onde os bandidos passariam. Ali eles prepararam a emboscada para matar o criminoso, na certeza que jamais se deixariam ser presos sem uma reação, diante dos inúmeros assassinatos de policiais e cidadãos americanos.
 

 


          Quando o veículo surgiu, o informante simulou que seu veículo estava estragado para que o casal de bandidos parasse. Confiando no velho conhecido ( pai de seu comparsa), Bonnie & Clyde pararam o Ford V8, quando teve início a fuzilaria.
 

 

 

          A mesma violência que empregaram durante quatro anos contra suas vítimas, principalmente policiais, foi agora usada contra eles. As imagens acima mostram a saraivada de tiros recebida no momento que pararam o  Ford V8 e os corpos de Clyde e Bonnie mortos no interior do veículo.
 


          Acima os corpos no necrotério e o velório abaixo. Apesar de serem bandidos, comprovadamente cruéis assassinos, o funeral do casal teve pompa e presença de uma multidão, como se ali ocorresse a despedida de “heróis”. Os comparsas foram todos presos e, em sua maioria, condenados a cadeira elétrica ou prisão perpétua.
 


          Em 1967, Hollywood fez um filme que arrastou multidões, narrando a história romanceada dos “heróis mocinhos” Bonnie & Clyde. Abaixo, vídeo do ciberpolicia postado no You Tube.

 

          Apesar de passados cerca de 70 anos, a modalidade dos crimes praticados pela Gangue de Bonnie & Clyde, tiveram seus discípulos Tupiniquins, que também sitiaram cidades, sequestraram, mataram policiais e vigilantes bancários durante seus crimes e fugas com suas potentes .30 e .50 (Vide em “Novo Cangaço/Década de 2000”) 

          Vejam o vídeo sobre Bonnie & Clyde e sua saga no You Tube/Ciberpolicia ou informações no site www.fbi.gov/libref/historic/famcases/clyde/clyde.htm do FBI.

 

 

Alphonse Capone, “Al Capone”

   

                                                                                                   

          Al Capone nasceu em Nápoles, na Itália, no ano de 1897. Foi para Chicago, nos EUA em 1919, durante a grande imigração de europeus na busca do sonho americano. Alfonso Capone, também conhecido como Scarface faz parte da história criminal dos Estados Unidos como o grande gangster, que só conseguiu ir para a cadeia, graças a persistência e coragem de um policial investigador, Elliot Ness, que enfrentou tudo e todos, para atingir seu objetivo policial. Aos 14 anos foi expulso de sua escola por agressão ao professor.

            Frank Yale

            Elliot Ness                  Al Capone                  Frank Yale                    Jonny Torrio                                                                               

          Começou como gangster de Frank Yale e se sobressaiu durante a recessão americana, quando Chicago se tornou o principal núcleo de corrupção e proliferação da máfia. Al Capone se associou com outro mafioso, Jonny Torrio e lideraram o comando do crime em Chicago durante dez anos. Quando Torrio foi fuzilado por seus inimigos, Capone assumiu, expandiu os negócios e tinha total controle dos informantes, pontos de apostas, casas de jogos, prostíbulos, bancas de apostas em corridas de cavalos, clubes noturnos, destilarias e cervejarias. Chegou a faturar 100 milhões de dólares norte-americanos por ano.

          Foi responsável por uma série de assassinatos. Pela primeira vez se ouvia falar em organização criminosa. Capone ganhou notoriedade em 1929, com o famoso caso denominado “Massacre de Saint Valentine”, quando fuzilaram com 150 tiros, seis membros de uma quadrilha rival, denominada “Moran’s Gang”. Os homens de Capone usavam uniformes da polícia para se aproximarem das vítimas que se encontravam em uma garagem na Clark Street. Chegaram se identificando como oficiais de polícia que davam batida em um antro criminoso e determinaram que todos colocassem as mãos na parede. Em seguida foram fuzilados. Capone utilizou sua permanência na Florida, durante o massacre, como álibi. Abaixo as fotos do massacre e de Jonny Torrio.

                 As fotos registram a residencia de Al Capone,  "O Massacre de San Valentin" e julgamento do mafioso.

         
          A organização das atividades ilícitas de Capone, aliada à corrupção, colaborou para não ser condenado pelos seus violentos crimes. No entanto surgiu um policial incorruptível chamado Elliot Ness, que, juntamente com uma selecionada equipe, conseguiram investigar os crimes vinculados à sonegação fiscal o meio para responsabilizá-lo e condená-lo a onze anos de cadeia, em 1931. Elliot foi e continua sendo o símbolo do bom policial. Al Capone foi para uma penitenciária Estadual de Eastern, em Atlanta, onde conseguia privilégios de autoridades e iniciou o cumprimento de sua pena em uma confortável cela. Denunciadas as regalias, foi transferido para a temida Alcatraz onde cumpriu mais 5 anos de pena. Foi colocado em liberdade no ano de 1939, quando sua pena foi revisada por causa de sífilis e distúrbios mentais. Morreu em no ano de 1947.

   

John Dillinger 


 Gangster que se destacou nos anos 20 e 30 nos EUA pela série de assaltos a bancos e assassinato de policiais, quando ganharam o título de Inimigo Público nº 1.

      
         John Herbert Dillinger (Indianápolis, 1903/Chicago/1934) foi um ladrão de bancos dos Estados Unidos do período da grande depressão americana. Considerado por alguns como um criminoso perigoso, e por outros idolatrado como um Robin Hood do século XX. Naquele período culpavam os bancos pela depressão dos anos 30 e Dillinger só roubava bancos. Dillinger ganhou o apelido de "Jackrabbit" por suas fugas da polícia e rapidez dos assaltos. Além disso era uma figura atlética, tendo sido considerado um bom jogador de beisebol quando estivera na prisão. Suas ações, assim como outros criminosos dos anos 30, como Bonnie e Clyde, dominaram a atenção da imprensa, que começou a chamá-los de "inimigos públicos" (public enemy), entre 1931 e 1935, época em que o FBI se desenvolveria e tornar-se-ia mais sofisticado.

       Dillinger se tornou criminoso e foi preso em 1924 na Cadeia Estadual de Indiana. Atrás das grades conheceu ladrões de bancos perigosos como Harry Pierpont de Muncie (Indiana) e Russell "Boobie" Clark de Terre Haute. Dillinger trabalhou na lavanderia da prisão com isso ajudou numa fuga de Pierpont, Clark e outros. Dillinger ficou preso na Cadeia de Indiana até 1933, quando foi solto por liberdade condicional. Ao sair, encontrou os criminosos que ajudara e entrou para a quadrilha. Graças a notoriedade ganha pelo criminoso, o grupo ficou conhecido como "a primeira gangue de Dillinger" que, além de Pierpont e Clark, ainda contava com Charles Makley, Edward W. Shouse Jr., Harry Copeland, "Oklahoma Jack" Clark, Walter Dietrich e John "Red" Hamilton. Homer Van Meter e Lester Gillis (Baby Face Nelson) formariam a "segunda gangue de Dillinger", após a fuga dele de Crown Point (Indiana).

        Segundo a imprensa, Dillinger usava diferentes golpes em seus roubos a banco: se disfarçou de vendedor de alarmes de segurança em Indiana e Ohio. De outra vez sua gangue se passou por uma companhia cinematográfica que queria encenar um roubo a banco. Se dizia que a gangue de Dillinger roubara cerca de $ 300.000 dolares (correspondente a 5 milhões de dólares atuais) de dezenas de bancos. Poucos meses depois da saída da Cadeia de Indiana, ele voltou à prisão, em Lima (Ohio), mas sua gangue o libertou, assassinando o xerife Jessie Sarber. A maior parte da quadrilha foi capturada no fim do ano em Tucson, Arizona durante um incêndio no Historic Hotel Congress. Dillinger foi preso e enviado para a cadeia de Crown Point, Indiana. Ele foi a julgamento por suspeita do homicídio do guarda William O'Malley durante um tiroteio em um banco em East Chicago, Indiana.

        Durante o julgamento, foi tirada uma famosa fotografia de Dillinger apontando a arma no promotor Robert Estill. Em 3 de março de 1934, Dillinger fugiria de Crown Point. Dillinger aparentemente usou uma arma moldada atráves de uma barra de sabão, um fato explorado no folclore sobre gangsters. Essa fuga trouxe constrangimentos ao xerife Lillian Holley, que ameaçou Dillinger de morte. Dillinger cruzou a fronteira de Indiana-Illinois num carro roubado, cometendo um crime federal que o colocou sob a mira do FBI. Em abril, a quadrilha apareceu em Manitowish Waters, Wisconsin, procurando um esconderijo. Eles foram denunciados à promotoria de Chicago, que contatou o FBI. Logo uma equipe de agentes liderados por Hugh Clegg e Melvin Purvis cercaram o esconderijo, mas os bandidos foram avisados. No tiroteio que se seguiu a quadrilha fugiu em debandada. O agente W. Carter Baum foi atingido e morto por "Baby Face" Nelson. 

        No verão de 1934, Dillinger sumiu de circulação. Ele foi para Chicago e usou o nome de Jimmy Lawrence. Ele arranjou a namorada Polly Hamilton, que não sabia da sua identidade. Mas o FBI encontrou seu carro, logo deduzindo que ele estava na cidade. Dillinger havia ido ao cinema assistir o filme de gangsters Manhattan Melodrama no Biograph Theater em Lincoln Park, Chicago. Dillinger estava com sua namorada Polly e com Ana Cumpanas (conhecida por Anna Sage). Sage estava com problemas de imigração e fez um acordo com Purvis e o FBI para emboscar Dillinger. Ela não disse ao certo o cinema que iriam, então a equipe de agentes se dividiu em dois locais. Na saída do cinema escolhido, os agentes atiraram em Dillinger, matando-o. Dillinger foi baleado três vezes, sendo atingido no coração. Sage usou um vestido laranja, para que os agentes a identificassem. A luz artificial distorceu a cor, fazendo com que surgisse o mito da "dama de vermelho", um personagem traiçoeiro. Mesmo tendo colaborado com o FBI, Sage foi deportada para Romênia em 1936, onde morreria onze anos depois.

 

Baby Face Nelson.

 

 

 

           Joseph Lester Gillis (1908/1934), conhecido sob o pseudônimo de George Nelson, era um assaltante de bancos e homicida na década 30. Gillis era conhecido como Baby Face Nelson, um apelido dado a ele devido a sua aparência jovem e a pequena estatura. Gillis fez parceria criminosa com John Dillinger, ajudando-o a escapar da prisão com a"famosa pistola de madeira", simulacro de uma arma que foi utilizado para ameaçar os guardas. Baby Face foi responsável pelo assassinato de pelo menos 3 pessoas, sendo objeto de vários filmes e documentários por sua saga assassina. Baby Face foi baleado por agentes do FBI e morreu após um tiroteio, no chamado "The Battle of Barrington", onde, mesmo ferido mortalmente conseguiu atingir dois agentes do FBI. Mesmo baleado por tiros de metralhadora, empreendeu fuga, morrendo dias depois.

 

EM CONSTRUÇÃO.

   

             

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