Biografia Faria 8 - DEPATRI

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Categoria: Biografia
Data de publicação Escrito por Depatri

 

                                                             BIOGRAFIA FARIA PARTE VIII

 

                                                                                                           DEPATRI

 

DEPATRI/DEOESP GAMELEIRA

          Em 2008 ocorreram mudanças substanciais na Polícia Civil de Minas Gerais, principalmente na capital, no contexto dos Departamentos e delegacias especializadas. O Departamento de Investigações (DI) e o Departamento Estadual de Operações Especiais (DEOESP) foram extintos, conforme projeto iniciado no DI, pelo então Chefe do Departamento, delegado Faria. Por infeliz coincidência, os dois departamentos completavam cinquenta anos de existência naquele ano de suas extinções. Outros foram criados dentro do projeto de modernização da Polícia Civil: Departamento de Investigações e Proteção à Pessoa, Departamento de Proteção à Família, Departamento Antidrogas e Departamento de Investigações de Crimes Contra o Patrimônio. A nomenclatura DEPATRI foi criada pelo delegado Faria, por não concordar com o nome oficial: DISCCP (Departamento de Investigações Sobre Crimes Contra o Patrimônio). Faria, entendia, que, estrategicamente, para o enfrentamento da macro criminalidade, o nome teria de ter um forte impacto moral para os criminosos e não a nomenclatura burocrata inserida por policiais inteligentes, mas sem o conhecimento do embate policial. Assim como o foi o "KILO", DOPS, DEOESP(Antisequestro), DERB, etc. Baseado em sua experiencia profissional, passou a nominar o DISCCP de DEPATRI e rapidamente a nomenclatura foi assimilada pelos policiais e mídia. Com a extinção do DEOESP (Departamento Estadual de Operações Especiais) Faria também percebeu que a Polícia Civil não poderia perder a importante herança deixada pelos grandes policiais que construíram aquele nome na repressão aos sequestros e passou a utilizá-lo em uma nova Divisão, a DEOESP/Divisão Especializada de Operações Estratégico/Policiais. Pouca gente sabe que este é o nome original da atual DEOESP. Apesar de ter permanecido por cerca de um ano naquele Departamento, Faria conseguiu em sua gestão, deixar a marca de operacionalidade e modernização administrativa, conforme documentado neste artigo.



O DEPATRI possuía sob sua direção: o DEOESP, localizado Avenida Amazonas, no Bairro Gameleira, prédio da antiga Divisão de Tóxicos e Entorpecentes. A sede do Departamento, foi estruturada na Rua Nossa Senhora de Fátima, Bairro Carlos Prates, onde foram implantadas as diversas especializadas de fraudes, em substituição às antigas delegacias de falsificações, crimes cibernéticos e sonegação fiscal. A Delegacia de Crimes Contra o Consumidor, criada na gestão de Faria, foi instalada ao lado do PROCON, para facilitar as atividades dos dois órgãos. 

                                                                                 Faria em seus dois gabinetes: no DEPATRI e no DEOESP

Delegacia Padrão

         Um dos projetos criados pelo delegado Faria dentro de seu planejamento organizacional do novo Departamento, consistiu na criação das unidades policiais padrão, denominadas Delegacia Padrão A e Delegacia Padrão B. O delegado que assumia a titularidade de uma especializada sabia de antemão qual o organograma, estrutura de pessoal e viaturas sob sua coordenação. Padrão A eram as unidades do DEOESP,  com maior número de policiais nas equipes em razão dos enfrentamentos e da modalidade criminosa sob sua competência. As demais unidades tinham que obedecer ao Padrão B. A fiscalização do projeto era contínua pelo chefe do DEPATRI, seu adjunto Nelson Fialho e sua assessoria e dessa forma, facilitava a administração de pessoal com visão transparente das lacunas e a busca de lotação para as vagas existentes. Nenhuma unidade podia extrapolar o número previsto nos organogramas padronizados.

 

 

         Nos documentos acima, observamos o início do estudo preliminar de padronização com o nome  DIP e posteriormente DEPATRI, em razão da dificuldade para regulamentar a nomenclatura do Departamento. As equipes Padrão A possuíam quatro investigadores e Padrão B, três. Os formulários eram preenchidos mensalmente sendo vedado as permutas e trocas internas de policiais sem o prévio conhecimento e autorização da chefia e de acordo de todas as partes envolvidas. Uma forma simples e eficiente para o controle administrativo de uma massa de cerca de quinhentos policiais.

 

Controle de Operações

        Para não perder o controle de todas as operações em andamento, (eram muitas sendo desenvolvidas simultaneamente) o Chefe do DEPATRI inovou na metodologia de acompanhamento, criando um segundo gabinete operacional no DEOESP, onde eram realizadas reuniões semanais com todos os delegados e suas equipes. Através de um fluxograma, as operações eram postadas através de Data Show e o andamento era cobrado dos policiais de acordo com o fluxo das investigações que era sendo mostrado. As diversas operações com exito demonstraram que o método de coordenação era eficiente. Da mesma forma, era cobrado o desempenho dos policiais do DEPATRI, das demais especializadas, porém mensalmente, no auditório do Departamento. Os dois locais de reunião serviram também para as diversas apresentações dos resultados dos trabalhos policiais. Faria não se preocupava apenas com o aspecto operacional, mas, assim como fez no Departamento de Investigações, buscou focar sua administração no planejamento organizacional, implantando diversas mudanças nos procedimentos administrativos. Buscou as informações sobre a estrutura do DEPATRI, concernente ao número de policiais, de veículos. computadores, vinculações dos servidores, bens apreendidos, etc.

          Todas as equipes operacionais só inciavam suas ações em relação à organizações criminosas, após o preenchimento de planilhas criadas por Faria para controle e fiscalização de todas as grande ações realizadas no Departamento. A primeira, denominada Planilha de Operações, registrava as informações preliminares que eram analisadas e autorizadas. A segunda, já para o início das investigações, denominada Ordem de Busca, constava as primeiras informações e indícios para coleta de materialidade dos delitos, conforme modelos abaixo.

O delegado Faria elaborava e acompanhava pessoalmente os Mapas Operacionais que eram modificados nas quarta feiras, após reuniões sobre o andamento das mesmas, com os policiais responsáveis pelas investigações. Nunca abriu mão de seu papel de coordenação e orientação das operações desde sua gestão como chefe do Departamento de Investigações.

 


            Criou também dois auditórios: no DEOESP e na sede do DEPATRI. Mapas operacionais, Mapas de Desempenho, saneamento e controle de bens apreendidos, Setor de Armas e Explosivos (Com 3 Seções: de Pesquisa, Técnica de Explosivos e de Armas Táticas), Planejamento Organizacional das especializadas com projeção de futuras delegacias pela falta de pessoal. Faria também elaborou o controle de veículos oficiais descobrindo uma série de irregularidades que foram sanadas a partir da gestão. Existiam muitas viaturas, mas nenhum controle sobre em que setor estava sendo utilizada e por quem. O controle permitiu verificar que o Departamento tinha número mais que suficiente de viaturas, o que ocorria é que muitas delas estavam sem nenhuma condição de trafegabilidade e essas condições não eram comunicadas por interesses individuais, prejudicando a renovação da frota. O saneamento permitiu a correção do problema e melhorou a distribuição de acordo com o número de policiais por especializada e tipo de viatura.

 

Fatos Policiais e Operações Relevantes

          Algumas das ações e fatos relevantes ocorridos durante a administração do delegado Faria à frente do DEPATRI são aqui inseridas e postadas, por fazerem parte da história policial naquele lapso temporal de 2008 e parte de 2009.

 

Operação Régis

                                                                      Equipe responsável pelas investigações, apuração e prisão dos responsáveis.

O assassinato do empresário Reginaldo Lage, em 18 de setembro de 2008, demonstrou de forma inequívoca que qualquer policial pode ser bem orientado para uma investigação de homicídio e dar uma resposta eficiente à sociedade. Este crime desmistificou e criou novo paradigma em relação e esta modalidade investigativa. Com o desaparecimento do empresário, houve grande repercussão na capital e a Delegacia de homicídios se esquivou, alegando que tratava-se de sequestro, fugindo de sua área de competência funcional. Na época, um promotor de justiça procurou Faria, pelo bom relacionamento que nutriam, solicitando empenho na apuração. Faria designou Rosemberg Otto Quaresma, titular do DEOESP e seu delegado João Prata, para, juntamente com a equipe, iniciarem as investigações em relação ao "desaparecimento" da vítima. Menos de cinco dias depois, diante de um brilhante trabalho de investigação, os autores eram presos e apresentados à imprensa e sociedade mineira, apontando concretamente a consumação de um homicídio passional por encomenda, conforme registro de uma das várias reportagens abaixo. O Ex Procurador Geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, encaminhou moção elogiosa aos policiais que participaram da investigação.

"Polícia Civil desvenda homicídio de empresário em BH.

Traição e ciúme levam mulher a encomendar morte do marido

A Polícia Civil de Minas Gerais apresentou na quarta-feira (24.08), o resultado da investigação que apurou o homicídio do empresário Reginaldo Lage Araújo, 40 anos, ocorrido no dia 18 de setembro. A vítima foi rendida na garagem de casa, no bairro Buritis, Região Oeste da capital, e o corpo localizado na tarde de terça-feira (23) em Macacos, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Nove mandados de prisão temporária e um de busca e apreensão foram cumpridos, entre os dias 20 e 24 de setembro, pela equipe da 3ª Delegacia Especializada de Repressão às Organizações Criminosas (DEROC). As ações, coordenadas pelo chefe do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (DICCP), Antônio Carlos Corrêa de Faria, pelo chefe da Divisão Especializada de Operações Estratégico-Policiais (DEOESP), Rosemberg Otto Quaresma, e pelo titular da especializada, delegado João Marcos de Andrade Prata, resultaram na identificação e prisão de toda a quadrilha envolvida no crime. A investigação, iniciada logo após a comunicação do desaparecimento Reginaldo Araújo, mobilizou 22 policiais civis da 3ª DEROC e outros dez de diversos setores do DICCP, que realizaram levantamentos sobre os suspeitos. A ação envolveu ainda o deslocamento de policiais às cidades de São Domingos do Prata e Rio de Janeiro, onde a equipe contou com o apoio da Polícia Civil fluminense, do Ministério Público e Poder Judiciário de Minas Gerais.

Motivação

De acordo com o delegado João Prata, a motivação para a morte seriam o ciúme e as constantes traições de Reginaldo. Depois de descobrir que o marido tinha duas amantes, além do medo de perder a guarda das filhas do casal, Eanes Arthuso teria encomendado a morte a morte dele a uma quadrilha por R$ 50 mil. Ela se dirigiu até o bairro Serra, Região Sul da Capital, e na entrada da Favela do Cafezal fez contato com Ricardo Júnio Daniel, de 20 anos, que a indicou a Janaína Vitorino Nunes, de 25. Janaína apresentou Eanes a Saint Clair Luiz Mendes de Souza, 31 anos, com quem acertou o preço pela morte do marido. Filha de um empresário de São Domingos do Prata, Região Central do Estado, Eanes Arthuso adiantou ao líder da quadrilha R$ 30 mil pelo crime.

O crime

Saint Clair Souza afirma ter recebido de Eanes Arthuso as chaves da portaria e do apartamento do marido. Ela teria indicado também a marca e o modelo do veículo usado por Araújo. As chaves reserva do carro também foram repassadas a ele pela esposa da vítima. Na manhã do dia 18, o empresário foi rendido pelo adolescente, armado com um revólver calibre .38”, quando saía da garagem do prédio. O grupo, formado por Saint Clair de Souza e Mário Ernani Martins dos Reis, o “Marinho”, 21 anos, saiu do local na camioneta do empresário. A arma e munições, de acordo com o líder do bando, também foram cedidas pela mandante do crime. Depois de rodarem aproximadamente 30 km, já em Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Reginaldo Araújo teve as mãos amarradas e foi levado para um local ermo. Ali, orientado por Eanes, Saint Clair ligou para ela de um celular. Ela teria instruído para ele dizer ao marido que “ele não deveria confiar em mulher nenhuma”. Logo depois, o empresário, que atuava no ramo de mineração, foi morto com um tiro na cabeça efetuado por Saint Clair Souza.

                                                                           Reportagens sobre o crime, Faria no auditório de apresentações e o corpo da vítima em Macacos.


Ao saírem do local, os três suspeitos, de posse de documentos pessoais, celular e cartões de crédito da vítima, efetuaram saques e fizeram compras em lojas e shoppings da capital. Há estimativa que a quadrilha tenha gastado mais de R$ 20 mil das contas bancárias da vítima.

A investigação

Os levantamentos sobre a morte do empresário Reginaldo Araújo começaram ainda na tarde de quinta-feira (18), com a notícia do desaparecimento. Familiares informaram que ele morava e trabalhava em Belo Horizonte, onde mantinha uma empresa que transportava e fornecia máquinas para mineração. Nos finais de semana, voltava para a cidade de São Domingos do Prata, na Região Central do estado, onde a mulher e filhas moravam. Durante o último final de semana, os policiais identificaram lojas, postos de gasolina e veículos abastecidos com os cartões da vítima, principalmente no bairro Santa Cruz, na região Noroeste da capital. Fabrício Pompilho Mafia, 24 anos, foi preso no sábado (20), no bairro Caiçara. Na loja onde ele trabalhava, a quadrilha gastou mais de R$ 4,5 mil em tênis. Ele também usou os cartões de crédito da vítima para abastecer seu veículo. Fabrício Mafia teria alertado Saint Clair Souza que ele era procurado pela polícia. Já Rafael Alves de Sá Pereira, 24 anos, foi preso em uma estrada que liga o Rio de Janeiro a Minas Gerais. No mesmo dia, Douglas Eustáquio de Lima Souza, o “Dogão”, 25 anos, foi preso em um posto de gasolina, na Região da Pampulha. Douglas Souza teria também participado das compras com os cartões bancários da vítima. As investigações apontam que Rafael Pereira deu cobertura à fuga do trio. Os dados levaram também ao adolescente de 16 anos, que foi apreendido na segunda-feira (22). Ele indicou aos policiais o local onde o corpo do empresário foi abandonado. De acordo com o delegado João Prata, a encenação do seqüestro relâmpago encobriria a motivação real do crime.

Na terça-feira (23), o outro executor do crime, Mário Ernani Reis, foi preso na Pedreira Prado Lopes. Já Paula Cristina de Oliveira Duarte, 23 anos, esposa de Saint Clair de Souza, que também auxiliou na fuga, foi presa em um ônibus de carreira, ao retornar para a cidade vindo do Rio de janeiro. O marido, Saint Clair Souza, foi preso no mesmo dia no bairro Sepetiba, na zona oeste da capital carioca, para onde fugiu depois de ficar escondido com os comparsas em um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na casa de Saint Clair de Souza, os policiais apreenderam a chave da camioneta da vítima, o revólver usado no crime, uma cartela de munições e uma chave “micha”, além de uma reportagem de um jornal diário da capital, com o título “60 horas de horror”. O suspeito nega ter participado do crime descrito na matéria. O corpo de Reginaldo Araújo foi encontrado na tarde de terça-feira (23), na cidade São Sebastião das Águas Claras, distrito de Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com as indicações do adolescente apreendido. Levado ao Instituto Médico-Legal (IML), no bairro Gameleira, em Belo Horizonte, o corpo foi reconhecido pela mandante do crime no mesmo dia. A prisão de Eanes Arthuso ocorreu na quarta-feira (24), na sede da DEROC, após prestar depoimento.

Indiciamento

O delegado João Prata esclarece que Eanes alega que, além do ciúme e das traições, o marido vinha dilapidando o patrimônio da família, transferindo bens de seu nome para o de terceiros e já iniciando o processo de separação, com o que ela não concordava. A equipe investiga a informação de que ela teria encomendado à quadrilha a morte de uma das amantes do marido e que também era sócia da empresa.

Os suspeitos foram indiciados por roubo seguido de morte, corrupção de menores, estelionato e formação de quadrilha. Já Eanes Araújo será investigada por homicídio qualificado. Os suspeitos permanecem recolhidos, em cumprimento a mandados de prisão temporária, em uma unidade prisional de Belo Horizonte. Se condenados, podem cumprir mais de 30 anos de prisão."

 

Operação Tarja Preta 
Novembro de 2008.

Coordenada pelo chefe do DEPATRI, a operação tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico de medicamentos controlados, razão do nome Tarja Preta.

"Operação prende quadrilha que traficava remédios controlados.

 

          A Polícia Civil de Minas Gerais apresentou na terça-feira, 25, no Departamento de Investigações de Crimes Contra o Patrimônio (DICCP), os resultados da Operação Tarja Preta, realizada pela Delegacia Especializada de Investigações à Fraude (DEIF), responsável pela desarticulação uma quadrilha suspeita de negociar medicamentos de uso restrito. Após quatro meses de investigações pela Polícia Civil, durante uma operação conjunta realizada em parceria com a Vigilância Sanitária Municipal e Secretaria Estadual da Fazenda, foram presos o médico psiquiatra Bruno Moura Ricardo, Sandra Maria Eufrásio e Silvana Rodrigues. Eles são apontados como responsáveis por negociar medicamentos “tarja preta” através de vários estabelecimentos farmacêuticos na capital e serão indiciados por tráfico de entorpecentes. As investigações revelaram que as farmácias eram abertas em nome de “laranjas”. A “empresa” conseguiu a emissão de 1.150 notas fiscais junto à Secretaria de Estado da Fazenda, usadas para mascarar a ação criminosa. A Vigilância Sanitária determinou o fechamento das farmácias em função de irregularidades no funcionamento (procedência duvidosa e armazenamento de remédios). O trabalho contou ainda com a participação de policiais do Departamento Anti-Drogas. A estimativa da Receita Estadual é de que cada farmácia geraria lucros de R$ 5 milhões por ano. Os estabelecimentos fechados ficam no Barreiro e no bairro Ouro Preto. Além das farmácias, um escritório que servia de fachada também foi lacrado no bairro Eldorado, em Contagem. A polícia vai investigar a origem dos medicamentos.

 

Criminalidade

As operações têm contribuído para a redução da criminalidade violenta no estado, particularmente os homicídios, e os crimes contra o patrimônio ligados ao tráfico de drogas. As prisões retiram de circulação pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes e cada vez que a polícia descobre e fecha um laboratório, um ponto de vendas, ou prende uma quadrilha, os reflexos na cadeia do crime são imediatos, com a redução de furtos e assaltos, assim como de homicídios. Cerca de 800 pessoas foram presas este ano como resultado de investigações e operações da Polícia Civil. Os reflexos se estendem por todo o território mineiro. Na cidade de Cláudio, por exemplo, duas operações este ano levaram 19 pessoas para a prisão, acusadas de tráfico de drogas, roubo, formação de quadrilha e furto qualificado. Intranet-PCMG"

 

Operação Hidrante

 

          O título da operação foi dado pelo delegado Faria em razão da necessidade urgente de, literalmente, apagar o fogo dos atentados que se iniciaram em 2008, quando criminosos iniciaram uma série de crimes, tendo como alvos agencias bancárias e ônibus na capital e Contagem. Os bancos eram metralhados e os veículos de transporte coletivo incendiados. O governo não queria que os incidentes tomassem a mesma proporção dos atentados de São Paulo, o que traria um desgaste político substancial. Faria foi chamado para coordenar, pela Polícia Civil, a operação e rapidamente o DEOESP levantou informações sobre os responsáveis. Os bandidos que estavam em liberdade foram presos e os que comandavam os atentados de dentro de penitenciárias foram identificados e indiciados. A preocupação do desgaste político por parte do governo foi tamanha, que exigiram a integração de forças, participando a SUAPI, SEDS, PC e PM denominada Gabinete de Crise. Na realidade ocorreram inúmeras reuniões durante o período de investigações, mas o crédito, por questão de justiça, deve ser dado aos policiais do DEOESP que competentemente conseguiram elucidar os crimes. No entanto, a experiencia possibilitou a Faria, elaborar o Projeto GMI-Grupo de Monitoramento Integrado. Outras informações na seção respectiva.

 

 Operação Andes

          Outra grande operação realizada pelo DEPATRI, sob a coordenação operacional do delegado Faria e policiais do DEOESP, em apoio à Delegacia Regional de Teófilo Otoni. Os crimes investigados em Belo Horizonte, Betim, Teófilo Otoni, Espírito Santo, Bahia e São Paulo envolviam tráfico de drogas, assassinatos e a facção PCC. 

 

 Operação Vandec

          A Operação Vandec teve seu início em 2007, quando ocorreu uma onda de roubos a bancos no interior do estado e Faria era chefe do DI. Ele deu o nome Vandec em homenagem ao policial militar assassinado durante um roubo. As investigações se prolongaram por três anos, período que Faria coordenou a operação chefiando os Departamentos DI/DEOESP/DEPATRI. O longo período se justifica em razão do grande número de criminosos e prisões, acima de cinquenta. Seu encerramento ocorreu em 2009, com a prisão de "João de Goiânia", juntamente com a metralhadora .50, usada nos assaltos.

          "A operação da polícia que resultou na prisão dos supostos integrantes da quadrilha foi batizada de Vandec, nome de um policial militar morto pela própria quadrilha durante um roubo na cidade de São Gotardo, em 2007. No artigo Biografia/Departamento de Investigações e DEOESP este site cita esta operação, mas tem uma explicação para o registro em mais de um momento da vida profissional de Faria. Com a participação de policiais civis do Departamento de Investigações de Crimes contra o Patrimônio (Deoesp) e membros do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça e Combate ao Crime Organizado/Ministério Público, a operação, iniciada em fevereiro de 2007, prendeu sete suspeitos de participarem de assaltos a bancos nas cidades de São Gotardo, Tiros, Brasilândia de Minas e São Sebastião do Maranhão. Em novembro do ano passado, horas depois de os criminosos levarem R$ 1,25 milhões, em dinheiro, de um carro forte, em Varginha, outros cinco suspeitos foram identificados e presos por participar da ação. Respaldados com informações do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, agentes e delegados se deslocaram por diversos Estados do Brasil no monitoramento dos integrantes do bando.

De acordo com o delegado, a polícia de Minas Gerais apelidou a tática da quadrilha de "novo cangaço", pelo modo como agem nas pequenas cidades ontem praticam os assaltos. "Eles chegam um dia antes na cidade e fazem um levantamento geral. Depois, munidos de fuzis e metralhadoras .30 ou .50, instaladas numa caminhonete, rendem e roubam o quartel, a delegacia e o fórum da cidade. Com a cidades sitiada, eles começam os assaltos", explica.

"Existe uma liderança fixa da quadrilha. Os outros membros são chamados de 'itinerantes', pois são contratados pela quadrilha momentos antes dos assaltos. Eles terceirizam os crimes. Isso dificulta o trabalho de investigação da polícia", complementa Faria.

O delegado afirmou ainda que não há provas de que a quadrilha tem ligações com grupos do crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) ou o Comando Vermelho (CV).

Local de Crimes da Quadrilha

  • Uberlândia (MG) Roubo a carro forte; vigilantes feridos
  • Uberaba (MG) Roubo a carro forte; um vigilante morto e outros feridos
  • Ipatinga (MG) Roubo a carro forte; dois vigilantes mortos e um ferido
  • Frutal (MG) Roubo a banco; policiais militares e civis levados como reféns; PM baleado
  • Itaúna (MG) Tentativa de roubo a carro forte; dois vigilantes feridos
  • Ibiá (MG) Roubo a banco; cidade sitiada; tesouraria da prefeitura assaltada
  • Sacramento (MG) Roubo a carro forte; vigilantes feridos
  • São Gotardo (MG) Roubo a dois bancos; cidade sitiada; delegados, juiz, policiais e bancários seqüestrados; PM assassinado
  • Belo Horizonte (MG) Roubo a banco
  • Vila Velha (ES) Roubo a carro forte; mulher de 72 anos baleada
  • Criciúma (SC) Roubo a banco; dois policiais rodoviários mortos
  • Maringá (PR) Roubo a carro forte
  • Porto Velho (RO) Assassinato do senador Olavo Pires
  • Nordeste Vários roubos a banco e carros fortes, utilizando como tática deixar a cidade sitiada.

JORNAL O TEMPO- Cidades. 6/4/2012.

CANGAÇO. PROCURADO EM DEZ ESTADOS, RUBÃO FOI PRESO APÓS DOIS ANOS DE INVESTIGAÇÕES 


Maior ladrão de bancos do país está preso na Nelson Hungria

  Rubens Ramalho de Araújo, conhecido como o "Rubão".                             Carro forte explodido.                                                 Armas apreendidas.
 

OPERAÇÃO MARLBORO. O ROUBO AO CARRO FORTE EM VARGINHA.

           Por estratégia, conforme já relatado, a Operação Vandec, durante os quase três anos de duração, ganhou outras sub operações para facilitar as investigações e despistar os bandidos. Um dos codinomes foi a Operação Marlboro, numa clara alusão aos bandidos do velho oeste americano que levavam terror às pequenas cidades do interior americano no século XVIII e XIX para seus assaltos a trens e bancos. Nessa fase da Operação Vandec os policiais do DEOESP fizeram várias diligencias em São Paulo onde prenderam José Alves Pereira, que também utiliza o nome de Paulo Cândido dos Santos, o “Velho Paulo”, conhecido da polícia há vários anos pelo seu envolvimento com roubo a bancos e carro forte. No assalto em Varginha, teve como função, obter as informações privilegiadas sobre a movimentação dos carros de valores. Também no estado de São Paulo, em Praia Grande, litoral paulista, foi localizado e preso o perigoso criminoso Gilmar Vilarindo de Moura, o “Alemão”, procurado em todo o país pela prática de inúmeros roubos a bancos, carro forte e na modalidade “Novo Cangaço”. Nos assaltos era o especialista no uso do fuzil Barret .50, para metralhar seus alvos durante as ações criminosas. É o chefe operacional das ações criminosas pelo seu conhecimento de armamento. Era quem determinava quantos e quem iria participar das ações criminosas. Foi o líder do assalto contra a base da PROTEGE, em São Paulo, quando levaram cerca de 15.000.000,00(quinze milhões de reais) usando fuzis e explosivo tipo C-4. "Alemão", um especialista em técnicas e táticas militares, durante a entrevista para a imprensa, alternava momentos de tranqüilidade com acelerada excitação para demonstrar seus feitos e por diversas vezes levou as mãos a cabeça perguntando a si próprio "ONDE FOI QUE EU ERREI!!!!" referindo-se a inexplicável forma da policia de MINAS GERAIS tê-lo detido em seu intransponível " bunker", na praia paulista, onde vivia como um cidadão de bem. A resposta era simples: mexeu com a polícia errada.

Polícia fecha cerco a restante da quadrilha que assaltou carro-forte

 Pedro Rocha Franco - Estado de Minas

Na primeira fase da operação, em outubro, duas pessoas foram presas em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. José Saulo dos Reis Júnior e Douglas Luciano da Silva Branquinho, conhecido por Menudo, são suspeitos de planejar roubos a bancos e estão envolvidos em vários assaltos. Com eles foram encontrados documentos falsos, um computador portátil, R$ 2,8 mil, uma caixa de munição 9 mm e um adaptador para fixação de metralhadora calibre 50 – armação antiaérea usada na maioria dos roubos a carros-fortes da quadrilha. Para não atrapalhar as investigações, a polícia manteve em sigilo as prisões.

 

Preso em Minas Gerais matador de Olavo Pires

 

          A prisão de uma das maiores quadrilhas do país hoje, em Minas Gerais, acabou colocando a polícia diante de João Ferreira Lima, o João de Goiânia, que confessou entre mais que 20 assaltos e ser o assassino do ex-senador Olavo Pires, que foi metralhado quando chegava à Vepesa, empresa dele, em Porto Velho, em novembro de 1990. Olavo Pires (PTB) disputava o segundo turno das eleições para o governo de Rondônia. A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu seis suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubo a bancos e carro fortes, sequestros, latrocínios, roubo de armas de uso exclusivo do Exército e na invasão de delegacias e quartéis. As informações são da Polícia Civil de Minas Gerais. Alguns dos integrantes da quadrilha já haviam sido presos em novembro e dezembro últimos, mas as prisões não foram divulgadas para não prejudicar o desdobramento das investigações, que culminaram com a prisão, no último domingo, de João Ferreira Lima, o João de Goiânia, também conhecido como o homem da .50, e Gilmar Vilarindo de Moura, o “Alemão”. Os dois estavam entre os presos mais procurados do país, segundo a polícia.Com os dois, a polícia apreendeu uma metralhadora antiaérea e antitanque marca Browing .50, adquirida no Paraguai por R$ 280 mil, desviada por um coronel do Exército paraguaio; 170 munições .50; uma van Crysler blindada; celulares; giroflex; cinco toucas Ninja; e R$ 8 mil em dinheiro. Os dois assumiram serem os proprietários e operadores das armas usadas em várias ações do grupo. João estava foragido desde 1987 e Alemão desde 1998 (veja na tabela abaixo os crimes da quadrilha em que João de Goiânia confessa a participação).

“A quadrilha foi totalmente desmantelada. Ao todo, 26 elementos já foram presos. O único líder que ainda não foi preso é o Ian Pimentel, ‘o Mineiro’, que está encurralado pela polícia do Mato Grosso na floresta de Novo Mutum e deve ser capturado em breve”, afirmou Antônio Carlos Corrêa de Faria, um dos delegados que coordenam a operação que prendeu a quadrilha. Lima e seu comparsa Paulo César Miguêz foram detidos em Tocantins, quando, de acordo com a polícia, se deslocavam para a Venezuela, onde planejavam praticar o assalto de uma tonelada de ouro, avaliada em R$ 50 milhões. Além de Lima, participariam da ação seis ex-guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), segundo a polícia. O roubo ocorreria entre as cidades de São Romão e Margarita, na Venezuela, onde o veículo de transporte do ouro seria interceptado. Uma Hammer e uma esteira rolante seriam usadas para transportar o produto do roubo. João de Goiânia será levado ao presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Nova Contagem (MG).


 

          Parte da equipe de coordenação, inteligencia e operacional. Destacamos ausências de peças importantes nas ações policiais que estão ausentes na foto, como os delegados  Wanderson Gomes, Denilson dos Reis Gomes, Inspetor Cabelinho, Eli, policiais do CGET e GRE, Promotor Rodrigo Fonte Boa e outros pela falta de registro em nossos arquivos. A direita, charge de Quinho, representando o sentimento do jornalista e cidadão. Na foto abaixo, à esquerda: Cláudio Tafarell, Jonathas Nunes, Orlando Júlio Alves, Inspetor Magela, Wagner Pinheiro, João Carlos, Delegado Hugo Malhano, Jorge José da Silva, Delegado Faria (Chefe DEPATRI), Denilson Ferreira da Silva, o Cabelinho, Rodrigo Alves Solano, Yul Brynner, Endemburgo de Resende, Cajarana, Carlos César Hott e Delegado João Octacílio.

 

 http://www.cyberpolicia.com.br/index.php/orgaos-operacionais/474-vandec


Retratação
 

          Sempre observamos ataques a policiais e também à Polícia Civil por parte de certos setores da imprensa, ou mesmo, jornalistas que demonstram de forma clara sua indisposição com a instituição e seus profissionais, fazendo ataques gratuitos, quer seja por desconhecimento técnico e legal do assunto que aborda, quer seja como meio de se autopromover diante seu público. No entanto, o delegado Faria, ao longo de sua carreira, sempre se pautou pelo bom relacionamento com os profissionais da imprensa, tentando sempre levar a maior gama de informações para os meios de comunicação com bastante clareza. Para tanto, modificou de forma substancial as ferramentas e procedimentos para a mídia em geral, no momento das apresentações das ações policiais de seus policiais. Contrário senso, sempre exigiu a contrapartida de respeito e limite às prerrogativas inseridas na lei de imprensa e seus limites. Por várias vezes, o delegado Faria interpelou judicialmente e ingressou em juízo com processos por danos morais contra órgãos de imprensa e jornalistas que ultrapassaram o limiar da liberdade de imprensa, ferindo direitos.

          Em três processos, Faria teve sentenças favoráveis contra repórteres que desrespeitaram esses limites. Durante uma audiência, um repórter chorou e retratou-se da matéria publicada, culpando o redator, quando o delegado ofendido esclareceu para a juíza do caso, que a retratação lhe bastava.

           Um dos casos ocorridos no DEPATRI, envolveu o jornalista Eduardo Costa que fez severas críticas aos delegados João Octacílio e Bruno Tasca Cabral, subordinados de Faria em duas unidades especializadas,  de competências investigativas distintas, no DEPATRI. O repórter Eduardo Costa, por desconhecer a matéria jurídica que tratava o assunto de pirataria em crimes informáticos e crimes de marcas, colocou sob suspeita de incompetência o trabalho dos dois delegados. Registrou na matéria CHAMADA GERAL, que "os dois delegados, apesar de trabalharem divididos apenas por uma divisória, não se entendiam em relação à apreensão de materiais falsificados, prejudicando a sociedade pela falta de ação contra os criminosos". 

          Indignado pela falta de informação jurídica e conhecimento das nuances legais do tipo penal, por parte do repórter, Faria expediu um ofício ao Diretor Geral da Rádio Itatiaia, esclarecendo "que não admitiria que seus delegados fossem execrados publicamente como incompetentes, pela ignorância jurídica e desconhecimento da legislação que regia, à época, aquela matéria, exigindo retratação por parte do mesmo, colocando-se à disposição para recebe-lo e contradizer  as inconsistências de sua reportagem."

            A diretoria da Rádio Itatiaia fez contato com o Chefe do DEPATRI, delegado Faria, através de seu repórter Laudivio de Carvalho, quando recebeu a informação de que Eduardo Costa iria ao DEPATRI para desfazer o imbróglio criado, através de uma nova reportagem. Visivelmente constrangido, Eduardo Costa compareceu ao gabinete de Faria, onde conversou com o Chefe do DEPATRI e os delegados Bruno e João, que lhe explicaram tecnicamente as diferenças de atuação que a legislação lhes impunha, conforme matéria de retratação postada abaixo.

"Há exatamente uma semana publiquei neste espaço meu espanto diante de posições diferentes adotadas por dois delegados de um mesmo departamento".

"Talvez o leitor já tivesse percebido a diferença, mas, para deixar claro que não há omissão de um dos delegados...".

 

 

OUTRAS AÇÕES DO DEOESP e DEPATRI

          As diversas reportagens nas páginas policiais demonstram que as estatísticas daquele período estavam corretas em relação ao grande número de organizações criminosas desarticuladas e criminosos presos. A primeira reportagem, MAIOR QUADRILHA DE CLONAGEM É PRESA, registra a prisão de Edilson Martins Sobrinho e sua quadrilha, considerada a maior organização criminosa no seguimento de fraudes e clonagens de cartões de créditos. Na Biografia Parte 5, também insere a prisão de Edilson por Faria e sua equipe em 2000, quando foram apreendidos milhares de espelhos de cartões, documentos e equipamentos para as fraudes. No DEPATRI, mais uma vez o criminoso foi preso com apetrechos de falsificação de documentos e cartões de crédito, sua especialidade. Outras quadrilhas tiveram seus membros presos pelos DEPATRI/DEOESP: Saidinha de banco, assaltantes de cargas de remédio, de cigarros, roubo de armas, de dinamite, roubo a bancos, dentre várias outras modalidades.

 

 

MEMÓRIA DEPATRI/DEOESP GAMELEIRA

 

 2008. Festa de Fim de Ano do DEPATRI. 

          No final de 2008, Faria e seus fiéis colaboradores organizaram a festa de despedida daquele ano. Momento de descontração, confraternização e encontro dos policiais daquele Departamento. Policiais, familiares e amigos . Festa de harmonia entre as diversas carreiras de servidores e amigos do DEPATRI.

           As fotos a seguir registram os momentos de fraternidade e companheirismo entre os participantes, com distribuição de brindes e prêmios aos convidados. Destaca-se a participação especial dos policiais Cláudio Coelho, Nancy Ferraz, Trazíbulo e Wanir, responsáveis por toda a logística e estruturação do encontro.

 

          Para o delegado Faria, essa festa de despedida do ano de 2008, marcaria também sua vida no aspecto profissional e pessoal, devido aos desdobramentos que surgiram a partir daquela data. O Superintendente Geral Gustavo Botelho se fez presente na festa e durante conversa com o Chefe do DEPATRI, recebeu um pedido inusitado: Faria queria entregar o Departamento e terminar os dois anos que lhe restavam, antes da aposentadoria, para trabalhar em uma Delegacia Regional, onde criaria laços de relacionamento para seu afastamento definitivo. O superintendente espantou-se com o pedido, já que para qualquer outro seria um retrocesso na carreira, ao deixar o mais conceituado departamento de polícia de Minas Gerais para se tornar regional, tentando demove-lo da ideia. Era ilógico a busca do caminho contrário à ascensão profissional.

       Além de não conseguir convencer, Gustavo recebeu de Faria o nome de Poços de Caldas como sendo a cidade de sua pretensão. Um enorme obstáculo. Gustavo argumentou que poderia escolher qualquer outra cidade, mas que Poços de Caldas tinha um bom delegado regional e que por ser da região, tinha padrinhos políticos muito fortes.

         Faria disse-lhe então, que:

 "nunca pedira nada em proveito próprio a nenhuma administração, nem sequer todas as promoções que recebeu por merecimento durante sua vida policial,  e por isso achava justo o pleito que era um projeto de vida pessoal."

Conversou ainda com Gustavo sobre:

 "condições para que o regional de Poços de Caldas não fosse prejudicado, sugerindo dar-lhe um cargo de destaque que fosse possível sua promoção e ascensão na carreira. Informou que depois de dois anos na regional, o cargo poderia ser ocupado pelo mesmo delegado, já que não fazia parte de seu perfil perpetuar-se como delegado."

        Cerca de um mês depois desse evento, Faria participaria de uma nova festa, dessa feita no DEOESP Gameleira, de despedida da Chefia do DEPATRI para assumir a Delegacia Regional de Poços de Caldas. Em sua despedida, Faria procurou agradecer seus companheiros com uma homenagem singela a um seleto grupo de policiais aposentados, que representaram a Polícia Civil com profissionalismo e competência.
O artigo em sua íntegra pode ser pesquisado no endereço http://www.cyberpolicia.com.br/index.php/historia/grandes-policias-da-historia/442-homenagens-e-trofeus-policiais.

 

 

     Abaixo, Faria, Chefe DEPATRI, com parte de sua brilhante equipe: delegados João Octacílio, Horivelton Cabral, Inspetores Magela, Sávio e o procurador de justiça André Ubaldino fazem a entrega dos certificados.  André Lorens, "Chiquinho", Falcão, Edson Neves, Murilo "Preto", Alberto "Perú", Trazíbulo e Juscelino foram alguns dos homenageados.

 

 

MENSAGEM DE DESPEDIDA DO DEOESP

MEUS AMIGOS, DESCULPEM A INFORMALIDADE NO TRATAMENTO, SEM MAIORES DEFERÊNCIAS, PELA CERTEZA DE QUE TODOS OS QUE AQUI SE FAZEM PRESENTES, SÃO REALMENTE MEUS AMIGOS.

E AMIGOS DEVEM SER TRATADOS COMO AMIGOS, SEM MUITA CERIMONIA, COMO DIZ MEU VELHO COMPANHEIRO ZÉ DO FACÃO, “SEM FRESCURA”.

ESCREVI ESSAS PALAVRAS PARA ESSE MOMENTO PELA CERTEZA DE QUE A EMOÇÃO PODERIA SECAR MINHAS PALAVRAS, MOLHAR MEUS OLHOS, EMBARGAR MINHA VOZ E NÃO QUERO DEIXAR DE APROVEITAR ESTA OPORTUNIDADE PARA UMA DESPEDIDA DAQUELES, QUE ATRAVÉS DA POLÍCIA CIVIL, ME SÃO MUITO CAROS.

MOMENTO PARA AGRADECER A TODOS VOCÊS QUE DE ALGUMA FORMA ME AJUDARAM A VENCER AS DIFICULDADES QUE SURGIRAM DURANTE NOSSA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL.

E FORAM MUITAS.

MOMENTO PARA DEMONSTRAR A TODOS OS POLICIAIS DO DEOESP O MEU RECONHECIMENTO E GRATIDÃO PELO COMPROMETIMENTO COM ATIVIDADE TÃO ESPINHOSA, PELA CORAGEM EXACERBADA, COMPETÊNCIA INCONTESTE E A DEMONSTRAÇÃO DE UM PROFISSIONALISMO QUE SE APROXIMA DE UMA FIDELIDADE RELIGIOSA. APROVEITAR PARA REAFIRMAR AOS AMIGOS PARCEIROS INSTITUCIONAIS, A NECESSIDADE DE CONTINUIDADE E FORTALECIMENTO DESSA SAUDÁVEL PARCERIA.

NINGUÉM É ALGUÉM, ISOLADAMENTE. MAS TODOS, SOMOS UM TODO, A PARTIR DA UNIÃO DE ESFORÇOS EM PROL DE UM OBJETIVO COMUM, A QUESTÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA EM NOSSO ESTADO.

PERMITAM-ME EXPLICAR AS RAZÕES DE MINHA MUDANÇA E DESSA DESPEDIDA, QUANDO DEIXO A CHEFIA DE UM IMPORTANTE DEPARTAMENTO ESPECIALIZADO, PARA ASSUMIR A REGIONAL DE POÇOS DE CALDAS. ALGUNS AMIGOS PRÓXIMOS JÁ ME TAXARAM DE “LOUCO”, AO MESMO TEMPO FALARAM QUE GOSTARIAM DE TER A CORAGEM PARA TOMAR A DECISÃO QUE ESTOU ASSUMINDO JUNTO COM MINHA FAMÍLIA. É UM PROJETO DE VIDA. IR PARA POÇOS DE CALDAS, ATÉ VENCER OS DOIS ANOS QUE ME APROXIMAM DA MERECIDA APOSENTADORIA. ALI, PRETENDO TRABALHAR COM TODA A DISPOSIÇÃO QUE AINDA TENHO, ATÉ VENCER O PERÍODO PARA MEU AFASTAMENTO. EM POÇOS DE CALDAS, TENHO PLANOS DE FIXAR RESIDENCIA POR SER A CIDADE COM O MELHOR IDH DO ESTADO.

O HOMEM POLICIAL DEVE RECONHECER O SEU MOMENTO DE ASSUMIR SUAS FUNÇÕES COM TODO O VIGOR QUE LHE É INERENTE QUANDO JOVEM. AH, QUE SAUDADE DOS TEMPOS QUE ACABAVA DE SAIR DA ACADEMIA PARA OS ENFRENTAMENTOS AO CRIME NOS ANOS 70 E 80. APENAS A ADRENALINA COMO LIMITE. O HOMEM POLICIAL DEVE AGIR, ENFRENTAR BANDIDOS, MATAR OU MORRER. LUTAR PELOS SEUS IDEAIS INSTITUCIONAIS COM A PAIXÃO INERENTE AOS VERDADEIROS POLICIAIS. MAS, TAMBÉM DEVE RECONHECER O MOMENTO EM QUE SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL ESTÁ CHEGANDO AO FIM. E PERCEBE-LO DE CABEÇA ERGUIDA COM A CERTEZA DE DEVER CUMPRIDO.

E DEVE SE PREPARAR PARA MAIS ESSE ENFRENTAMENTO, O DA APOSENTADORIA IMINENTE, COM DIGNIDADE E SERENIDADE, DEIXANDO PARA AS NOVAS MENTES POLICIAIS A RESPONSABILIDADE PELA BUSCA INCESSANTE DO CRESCIMENTO, DO RECONHECIMENTO DA POLÍCIA CIVIL E DE SUA IMPORTÂNCIA EM NOSSA SOCIEDADE.
MAS POLÍCIA NÃO SOBREVIVE APENAS DE MENTES, PORTANTO, GRANDE PARCELA DESSA RESPONSABILIDADE CABERÁ AOS BRAVOS PIT BULLS, NOSSOS POLICIAIS OPERACIONAIS. HOJE, VOLTADOS PARA A CERTEZA DE QUE NOSSAS ATIVIDADES POLICIAIS DEVEM SE EMBASAR NA MÁXIMA DE: “FORÇA, INTELIGENCIA E LEGALIDADE COMO PILARES DE EFICIÊNCIA”.

PARA ENCERRAR ESTA MENSAGEM, GOSTARIA DE HOMENAGEAR ALGUNS POLICIAIS APOSENTADOS, OU QUE SE AFASTARAM RECENTEMENTE DO NOSSO CONVÍVIO POR SUA DEDICAÇÃO À POLÍCIA CIVIL DURANTE SUAS CARREIRAS PROFISSIONAIS, MARCADAS PELA LISURA, RESPONSABILIDADE E AMOR Á POLÍCIA CIVIL.

ATRAVÉS DE SEUS NOMES, HOMENAGEAMOS A TODOS AQUELES QUE TAMBÉM FORAM EXEMPLOS DE SERVIDORES POLICIAIS.

É UM SIMPLES DIPLOMA, MAS TOTALMENTE IMERSO NO RECONHECIMENTO AO QUE CADA UM APOSENTADO REPRESENTA PARA A NOSSA HISTÓRIA.

A TODOS O MEU MUITO OBRIGADO. FARIA-JANEIRO 2009.

 


          Ao final, vários policiais, dentre eles Nancy Ferraz, Bráulio, João Octacílio, Bruno Tasca, Jacqueline Ferraz, o Procurador de Justiça André Ubaldino registraram mensagens elogiosas ao amigo que se despedia. No final de fevereiro de 2009, foi publicada a transferência de Faria para Poços de Caldas, onde iniciaria a sua última etapa profissional.

 

 

                                                  

 

 


 
 
 

2011 Biografia Faria 8 - DEPATRI. © 2012 - Cyberpolicia: História da Polícia Operacional Investigativa
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